Predestinados

Mesmo que quisesse, nada poderia ser diferente, conforme-se e fique tranquilo… está tudo bem!

Já que tudo que se criara até aqui são insanidades muito bem elaboradas por mentes controladoras e temerosas em perder o comando e o domínio…. relaxe!

Olha lá, por exemplo, o belo e imponente discurso do jovem líder religioso, muito bem treinado para repetir frases cheias de preconceitos discretos, pendurado em seu púlpito de acrílico que balança mais que coqueiro na praia, descontrolado diante de tantos ódios disfarçados, sob a aparente vigilância de um Deus humanizado e vingativo, de interesses tolos, descaradamente materiais, com um profundo desejo em ser admirado, cultuado e temido. Aquela velha receita que, curiosamente, se repete e sempre funciona nas mentes aficionadas, bastante desesperadas por alívio.

Trema aflito e emocionado ao saber das criações de seres divinos, poderosos e cheios de uma bondade humilde, que dizem um dia encarnados na Terra, ditos entre nós em tempos muito remotos, para executar o maior de todos os planos e uma única finalidade: serem castigados, mortos em situações suspeitas, sem reações estúpidas, odiosas, submissas, temerárias e muito sofridas. Tentações e penitências para que, em nosso nome e por todos nós trouxessem a paz! (?)

Estas entidades, vindas de algum Reino Celestial, dizem que, diante de tanto sofrimento, pagaram com seus sacrifícios as dívidas divinas que supostamente contraímos e, assim, nos livraram eternamente dos pecados.

Lindo!

Agora, amiguinho, não ouse entristecer-se, revoltar-se e, principalmente, questionar nada… jamais!

Não pense em se livrar de sua dor, do medo terrível, de se sentir confuso e sem rumo, antes de agradecer por tudo o que tem, sente e deseja, inclusive não se esqueça de usar e celebrar seu livre arbítrio… desde que não quebre as regras básicas… você não tem livre arbítrio! :p

O caminho é o rumo que te deram, que o Deus te deu, então, apenas… aceite-o.

Acorde diariamente na melhor hora de seu sono, erga seu corpo sempre disposto e determinado a carregar estes lindos momentos do dia servindo ao sistema, para que no final do mês suas contas estejam pagas, seu carro consiga mal e porcamente rodar – amedrontado por não estourar os pontos de multas e assassinado em um assalto –, suas roupas sejam novas, da moda e sua comida esteja na mesa.

Reze, ame e não discuta… Ele te ama! Ele deseja a paz, mesmo que você nem imagine de quem se trate este tal Deus, mas não questione, apenas adore sua linda imagem, que costumamos interpretar como um velho barbudo, ou aquele outro jovem de olhos azuis e sorriso branquinho.

Não sou o representante de nada e nem de ninguém, mas olhe o que está por aí a sua volta e veja se tem sido bom para todos nós. Esta fé insana que te faz o conformado, imóvel e inútil ser humano que tem visto nos espelhos.

Esta crença cega, maluca e sem sentido te fez um alguém que não significa nada para coisa nenhuma. Sua falta de atitude, imersa em um mundo lerdo e sem ação, não te faz especial em nada, apenas um pau mandado, manso e hipnotizado pelo grande livro dos tolos, mas não rejeite as imposições e padrões, pois para ser feliz na eternidade, é preciso que se siga fielmente o que Ele ordena. Só assim você estará fora do esquecimento e das dores eternas, ou seja, uma vida mais ou menos semelhante a que você e todos os que você conhece e ama já fazem há anos. Batalhadores incansáveis.

Amém, quando te perguntarem, Aleluia, quando te impuserem, Glórias ao que, provavelmente nem sequer existe! Porque desta maneira, seguirás pelo caminho do Eterno.

Mas, então me pergunto… eternamente assim?

– Um ateu! Provavelmente é assim que você deve me julgar neste momento, com certeza! E imagino, também, que você deva crer que não me importo com sua opinião e suas dores. Normal! Porém, engana-se… miseravelmente!

Sonho com a liberdade de nossas almas e a felicidade sem fim, mas não estas bobagens que prometem por aí, mas algo mais real e ainda melhor!

Por favor, compreenda que meu sonho maior é de um possível mundo espiritual perfeito, inventivo, criativo e equilibrado, mas não é estar ao lado de um Jesus da Bíblia, vestido de lençol, extremamente bondoso, sempre disposto a me corrigir e preocupado com a humanidade que me fascina! Me perdoem por isso… mas não quero um cara deste como melhor amigo! Não me sentiria confortável com uma figura destas ao meu lado.

Sonho com uma capacidade intelectual sem limites, descobrimentos sem censuras, explorações inacreditáveis, caminhar sem preocupações e distrações que a matéria nos impõe, longe de políticos gananciosos, politicagens capengas e seus resultados escrotos… óbvio!

Deus, quando já estiver no mundo espiritual e, muito provavelmente para a nossa surpresa, ainda será um mistério inexplicável o suficiente para chocar-se com uma realidade muito abaixo do esperado, já que a existência ainda terá muito de você mesmo naquele momento… pessoa comum e na procura da plenitude.

Desculpe-me por ainda não me curvar para seus deuses, pois por mais fantásticas e surpreendentes que sejam suas histórias, apenas me aparentam ladainhas de pessoas bem rasteiras e, até mesmo, bem intencionadas. Muitas destas bobagens, inclusive, aparentam ter uma dose exagerada de má fé humana na eterna e perdoável procura de um lugar melhor ao sol!

Estou na luta, em busca da espiritualidade sublime, suave e amorosa, mas engana-se quem crê que algumas das propostas até aqui apresentadas me comova e me desperte para alguma possibilidade de entrega imediata. Porém, creio que ainda encontrarei o caminho que me trará consciência divina, cheia de compreensão, Amor Incondicional e um Bem-querer sem igual… tal qual o mar e as coisas simples do universo!

Provavelmente estamos caminhando para esta realidade, mesmo que a passos lentos e distraídos.

Desta maneira… já estamos, de certa forma, sendo!

Obrigado se você conseguiu me compreender e continue assim… uma hora todas ideias se encontrarão!

Não se atrase!

Andava de bicicleta pelas lindas ruas do meu bairro, enquanto curtia uma música suave e descontraída vinda de meu fone. Canções detalhadamente escolhidas por mim, para desfrutar aquela bela manhã de Domingo.

Sem rumo, sem pressa e nem conclusões precipitadas, apenas seguia em frente com a certeza de ser feliz. Mais nenhuma obrigação, um homem sozinho e sem grandes necessidades inadiáveis para que precisasse voltar rápido para algum lugar.
Bom, de fato, sempre há o que fazer, uma louça para lavar, um quarto para limpar e outras muitas obrigações do dia-a-dia, mas diante de minha solidão… quem se importava?
Estava assim, sentindo o sol ameno daquela manhã pacífica, com ventos leves, num dia perfeito e desejável.
Tinha em mente o privilégio do momento e estava contente por estar ali.
Observava ao longe as pessoas igualmente tranquilas que passeavam pela praça, quando a agradável musica provinda de meu celular foi interrompida subitamente, para que em seu lugar um indesejável – pelo menos para o momento – som de uma nova notificação, dessas muitas mídias sociais, disparasse em meus ouvidos. Puxei o celular do bolso da minha bermuda – e ainda tive tempo de notar, contrariado, que o aparelho estava ligeiramente molhado com o suor da minha perna e se estas coisas não fossem extremamente caras, até poderia ter formulado frases motivacionais a respeito do quanto era ótimo saber que aquele suor era o fruto de um intenso trabalho físico que, religiosamente, vinha desenvolvendo muito bem, mas ao invés disto, apenas exclamei: – Merda! E o enxuguei rapidamente.
Era uma amiga me chamando para sair.
Conversei, fiz algumas piadinhas costumeiras e aceitei o convite. Imediatamente fiquei pensativo ao imaginar mil coisas, como de costume.
As intenções eram claras como aquele dia… sexo! Óbvio… quem nunca?
Ok! tudo bem e normal. O jogo é esse mesmo e confesso ser muito cúmplice desta coisa toda, mas o problema não era esse, notara um tanto preocupado que aquele encontro seria o segundo com a mesma menina naquele mês… e pensei: Estaríamos  construindo uma relação?
Relacionamento, algo bom de se ter. Um alguém com quem dividir ideias, sentimentos e momentos… fofo! Sim, por que não?
Minha mente fervilhava rumo a outros caminhos, talvez, muito mais preocupado em mim e as muitas coisas que iria revelar, tais como: minha personalidade estranha, preconceitos bobos, inconformidades e manias esquisitas. Coisas que não saberia responder se gostaria de dividir com alguém.
Ela seria a mesma depois de alguns anos? Tudo o que é novo é maravilhoso, flui com suavidade e alegria mas, até mesmo quando os dias ruins chegarem? Qual seria a personalidade dela e a reação ao me descobrir cansado, confuso, velho e irritado?
Como ela reagiria ao perceber que não gosto de milhares de coisas? Ou que curto muito mais o silêncio e o distanciamento quando desejo  pensar na vida e entender alguns pontos que não estão em seu pleno funcionamento?
E por falar nisso… e quando eu também não estiver funcionando bem? O que nos restará de bom? O que faremos juntos? Será que desejarei estar com ela e ela comigo, ou antes sós do que mal acompanhados?
A vida é um enigma! Um risco… um jogo.
Se errar nas escolhas, posso ter enterrado minha felicidade para sempre! Abandonar minha individualidade, sufocar os lindos finais de tarde despreocupados e contentes, as manhãs calmas, mornas, lerdas e longe destas pressões num destes Domingos da paz?!
Pensava seriamente nesta coisa de compromisso, quando recebi um recado:
– Não se atrase!
Olhei para um casal de velhos que passavam por mim, um homem aparentando seus quase cinquenta anos e uma mulher de aproximadamente quarenta, que discutiam coisas banais. Talvez filhos, falta de grana, compromissos e coisas do gênero.
Andavam um ao lado do outro, de expressões carregadas e em clara inconformidade.
Pensei… será que eram felizes para sempre?
Discretamente os acompanhei de perto, para ouvir a conversa que tinham.
Apenas captei algumas poucas palavras, aparentemente discutiam sobre a vida e as muitas dificuldades que estavam passando. Pareciam cansados de tudo! Desmotivados!
Me afastei deles preocupado com o meu futuro e esta coisa toda que o tal do relacionamento proporciona… e tremi!
Medo de arrastar uma dor, um karma e a insanidade dos muitos compromissos.
Não saberia dizer se queria aquilo para mim, mas na dúvida não hesitei, mandei um recado:
– Olá! Não poderei ir hoje. Fica pra próxima… até! 🙂

200 Amigos

Já dizia o Roberto Carlos: Eu quero ter 1 Milhão de amigos…

Roberto, seu safadão… 1 Milhão é gente pra caramba!!! Tudo bem que acredito que hoje você já tenha muito mais do que isto no Facebook…Creio!

Eu, por minha vez, não bati nem na trave! Porém, para mim, um cidadão comum, comedor de arroz e feijão, profundo admirador das letras e escritas, tenho que confessar… estou bem feliz por ter meus 200 seguidores por aqui! Para mim é uma vitória incrível!

Sim! Existem outros muitos blogs com uma quantidade incrível de seguidores e admiradores, mas eu, apenas um contador de histórias, expert em tropeços e enganos nesta nossa linda Língua Portuguesa, fico muito honrado por saber que sou visto e, até mesmo, querido por alguns deste universo.

Sei que nem todos leem meus continhos e declarações malucas… tudo bem!

Ter um tempo para si mesmo e conseguir ler é uma mistura de fatores que, hoje em dia, nesta louca correria que nos encontramos, nem sempre é possível.

São muitas informações e afazeres, eu compreendo completamente, passo por isso todos os dias da minha vida também.

Estar aqui, criando minhas aventuras e expondo pensamentos, é uma alegria imensa, porque tenho este hobby como um dos favoritos – além de desenhar e fotografar –, em minha vida, mesmo consciente de que, muito provavelmente, não sairei deste estágio.

Este prazer me fez escrever alguns livros, que creio ser bem impossível publicá-los, já que para tanto é necessário um investimento de que não disponho, apesar que tudo pode mudar, pois fui apresentado a um site onde é possível publicar os livros gratuitamente, o que me empolgou bastante.

Meus queridos amigos, creio que o ideal em nossas vidas de geradores de conteúdos, seja nos fazermos presentes e continuarmos lendo, curtindo e dando nossas opiniões para todos que nos seguem, sem isto, nada do que fazemos por aqui se justifica e nem vale a pena! Creio que vocês consigam entender o que digo, porque, provavelmente, é algo que deve acontecer por aí também.

Enfim, obrigado por estarem presentes em meu blog e sigamos em frente! 🙂

200Amigos

 

 

TAG: Coisas que detesto

Uma amiga querida, que não conheço pessoalmente, mas já a conheço há um bocado de tempo através de meu Blog, a Darlene do Blog: Devaneios e Poesias, me indicou para esta TAG.

A TAG é um pouco mais complexa, porque exige a participação de terceiros, ou seja, você faz um post no Facebook, no seu perfil pessoal, perguntando aos seus amigos quais são as coisas que você detesta, então, você cria um texto em seu Blog respondendo as impressões que as pessoas têm sobre as coisas que você detesta. Sabe de uma coisa? Me diverti muito com as respostas de meus amigos, porque sei que sou, como direi para não chocá-los?, um cara insuportável, já que reclamo pra caramba de tudo! kkkk

Espero que você se divirta também com esta passagem! Eu curti demais!!! Obrigado, minha querida amiga, pela indicação e por lembrar de mim.

Uns tentaram adivinhar, outros realmente me conheciam e acertaram na mosca, então, segue a difícil personalidade de um cara insuportável e escritor da Patriamarga! kkk

Pelo que percebo, você odeia enquete: Bom, nem tanto assim, acho que esta impressão se deu, porque meu Facebook aparentou estar sendo Hackeado e começaram a surgir um monte de enquetes respondidas por mim, sendo que não as respondi! Mas, acho divertido estas enquetes, tanto que cá estou eu… as respondendo! :p

• Diagramar meu livro: Pois é, confesso… eu odeio diagramar e editar coisas repetitivas. E livros, são assim do começo ao fim! Não curto muito mesmo!

• Gente: Essa é polêmica, porque sou uma pessoa introspectiva e carrego todas as dificuldades de uma pessoa assim. Antes de ir ao encontro de alguém, sofro como o cão! Sendo assim, é óbvio que os mais próximos pensem que não gosto de pessoas, mas isso não é uma verdade. Ou, não totalmente! kkk

Festa: Taí outra que aparento odiar, mas que não é bem assim, um cara introspectivo tem seus limites, mas não sou envergonhado, por isso, ao chegar nas festas, me divirto bastante. Só não sou tipo o John Travolta, que chega dançando, requebrando e se abrindo que nem mala velha! kkk

Aí, veio uma pessoa mais próxima e despejou: Coentro (Urgh! Deus me livre e guarde), Perder ou emprestar a minha chave ( Queuspariu… odeio!) Gritaria (péssimo…de verdade!) Grosserias da minha filha (Ninguém merece!!!) Preguiça do meu filho (Lição de casa rapidinha que viram horas?!! Terrível e torturante!) Fechar arquivos para gráfica (morri!) Funk, menos malandramente (Odeio Funk, mas canto o malandramente para irritar – o que aparenta uma certa preferência, mas não é!)

O Volume em números ímpares! Peralá… TOC não é questão de gostar ou não, simplesmente o mundo pode acabar se eu deixar o volume da TV em números ímpares! kkkk

Uns disseram: Comida ruim e ficar sem dinheiro. Pô! Quem gosta? E sobre a comida, disse e repito… Se é ruim, não nasceu para ser querida!

Dar um pedaço do seu lanche: Nem pensar! Te pago um lanche, mas JAMAIS peça um pedaço do meu, você nunca será bem-vindo! E digo mais, se te der, vai te fazer mal! kkk

• Que arrumem minha mesa: Isso é broxante e me tira a inspiração para viver, o que dizer de criar! Parafraseando as mulheres… minha zona, minhas regras! não mexa! kkk

Usar um software novo pra fazer o que já fazia em outro software: Se você é Designer, sabe o que é um software deixar de existir!! Se nunca passou por isto, Deus é com você… amém! kkk

Teve um amigo que lembrou que tivemos uma sociedade, quando éramos bem pequenos, em uma lata de bolinhas de gude e que eu não gostei muito da ideia. Tudo bem que ele não foi muito honesto naquela parceria, mas confesso que não fiquei tão puto assim. Eu o entendia como uma criança mais nova e carente do que eu, sabia da sacanagem dele e percebia sua malandragem como uma necessidade! Sabe de uma coisa? Nem sei se gostava muito daquelas bolinhas, acho que nem ligava. Valeu a experiência! kkkk

E essa última é de doer a alma:

• QUE ALGUÉM PEGASSE SUA PRANCHA DE SURF ESCONDIDO E VIAJASSE PARA A PRAIA PARA PEGAR UMA ONDA NO SEU LUGAR – TIPO DISPUTA DE CAMPEONATO. 

Só de imaginar alguém com minha prancha, é motivo de inconformação completa e absoluta… isso seria a morte. Agora, imagina pegarem escondido!!! Vixi!!!! :p

Foram estas questões que surgiram sobre os meus ódios profundos. Alguns, muito acertados e outros nem tanto, mas bem engraçado ver o pessoal respondê-las!

Valeu Darlene… foi divertido!

Seguem os Blogueiros que gostaria que respondessem, mas se não o fizerem, acredite… conheça-os, são ótimas pessoas e seus Blogs são incríveis!!!

O Ponto Afinal – Do querido poeta Hang Ferrero.

Papo de Fran – Da escritora Francine Camargo

Na Real She – A She é nova nesta coisa de Blog, mas está com uma empolgação gostosa de se ler e saber.

Pitacos e Achados – Quem não conhece a Pitaquinha?! Está em todas e é super querida.

O Lado Escuro da Lua – Bem conhecido também. Divulga e rebloga muitos textos interessantes. Conheci muita gente nova através dele

Vivimetaliun – A Vivi tem um Blog que gosto muito. Muitas notícias positivas e interessantes. Vale a pena, mesmo! 🙂

Real estupidez

– Ei! Gritou o jovem soldado do alto de seu cavalo imponente – Quem ousa cruzar as exclusivas ruas da Rainha?! Não sabe que esta estrada não pode ser utilizada por mais ninguém além dela? Desça de sua carruagem e enfrente sua punição!

Ordens são ordens, imaginava o jovem soldado e, sendo assim, ninguém poderia encostar naquela estrada banhada a ouro, que tinha como única e exclusiva finalidade servir a magnânima figura real e seus caprichos melindrosos.

Uma mulher mimada e “sensível” demais quando o assunto era seu próprio umbigo, porém, bem menos, obviamente, quando se tratava dos problemas alheios. Aí, você já sabe: – Levem-no, matem-no e desapareçam com isto! Gritava a louca cheia de nojinhos e carinhas de desprezo.

Julgar o dedicado soldado, um jovem que apenas recebia ordens, já que as executava fielmente e nada mais… era fácil, o difícil era entender suas motivações. Aquilo era a sua vida, o que tinha que fazer para sobreviver e afastar sua humilde família de problemas. Quanto ao resto? Não podia ser muito racional, não estava ali para estas coisas.

O soldado era mesmo um jovem rapaz – quase uma criança–, todavia, de bobo não tinha nada e nem de fraco, já que só os muito bons podiam ser os Guardiões da estrada dourada. Porém, sabia muito bem de que outros em seu lugar, por deixarem de executar suas tarefas, ou muito menos do que aquele desaforo que presenciava, invadir a estrada exclusiva da Rainha, se lascaram completamente! Graças aos caprichos da “adorada, sensível e a que se dizia cheia de empatia pela humanidade”, a poderosa dona absoluta de tudo o que existia por ali e, até mesmo, das pessoas daquele reino.

Ordens eram ordens e, creia nisso, este é um conselho de quem só deseja o bem, caso você passe por ali, nunca entre na Estrada Dourada da Rainha.

– Ah! Me sinto tão sensível e desprovida de atenções dos meus tolos bajuladores! Como sou infeliz  – Lamentava-se em voz alta, para que alguém viesse rapidamente socorrê-la. Maldita mulher esnobe e enfadonha, mas, que se supunha, “querida e amada”por todos.

Aquele soldado, assim como todos do reino, dizia amá-la para que ela sempre cresse nesta promessa, porém, uma mentira absoluta, pois era melhor que ela pensasse deste jeito e mantivesse seu emprego, mesmo que em uma vida muito difícil, mas possuidor de algumas poucas vantagens sobre os muitos miseráveis desejosos obcecados por seu trabalho e “benefícios”.

Ele não tinha muitas escolhas, lutava bravamente pelo pouco que tinha, por isso, era obrigado a prender a pessoa responsável por aquele ultraje real. Tinha que retirar da via e enjaular a pobre alma que desobedecera a regra primordial daquelas paragens: Nunca, jamais e em hipótese alguma, invadir o caminho exclusivo da Rainha Cibila!!! Também conhecida entre o povo menos culto como: a Rainha Gomi, abreviação maldosa de Rainha Gorda Mimosa. Se bem que os nobres também utilizavam tal alcunha entre eles, discretamente, na surdina e sob risinhos sarcásticos.

As pessoas da carruagem estavam em maus lençóis, em situação delicada, era o que se supunha ao vê-los atravessando abusivamente os caminhos reais, mas não é bem isto que o destino reservara para eles.

Rapidamente o soldado se aproximou e enraivecido diante de tamanha audácia, gritou:

– Quem ousa cruzar o caminho exclusivo de minha Rainha?!

E teve, para sua surpresa, uma resposta ainda mais agressiva do soldado responsável pela carruagem que saíra de trás do veículo inoportuno:

– Eu quem pergunto, quem ousa cruzar o caminho da sua majestade, o Rei?! Gritou o soldado que seguia e protegia de perto a carruagem invasora, mas que o coitadinho do soldado da Rainha não percebera.

O Rei, no caso, era o marido da Rainha Cibila.

Homem prepotente, poderoso e o parceiro da monstrinha, a Rainha Gorda Mimosa, a Gomi.

O primeiro soldado, da guarda dourada, dos que protegiam a estrada imponente, ao perceber que se tratava do Rei, tremeu! A segunda maior lei daquele reino era: Nunca bloquear o caminho do Rei, tendo como castigo a pena de morte. Porém, se não fizesse seu trabalho, o de proteger a estrada dourada, a lei número um, teria sérios problemas com sua Rainha impiedosa.

O soldado dourado, sem saber o que fazer, apenas manteve-se ali, sua arma em riste e disposto a tudo, mesmo sabendo estar diante de seu possível fim.

Estava em uma cilada do destino e ciente de seu erro, pensava que tinha que exercer sua função corretamente, pois caso contrário, o próprio Rei seria testemunha de sua falha ao se descuidar da estrada da Rainha.

– Retire-se da frente do Rei. Gritou o soldado do Rei.

Mesmo os dois soldados sendo amigos de batalhão e do próprio reino onde moravam, havia um protocolo a ser seguido:

– Desculpe-me, majestade! Porém, não é permitido passar por este caminho. Peço para que deem meia-volta.

Tudo estava bem horrível por ali – o soldado da Rainha já estava quase cedendo aos pedidos do soldado do Rei –, eis que surge, vinda do caminho contrário, a Rainha com sua carruagem e em correria enlouquecida, mas que ao ter que frear, teve um ataque de nervos, já que a estrada era apenas sua de mais ninguém. Com tamanha audácia da invasão de seu caminho exclusivo – e mesmo sabendo se tratar de seu marido –, estava irredutível quanto a ceder aos pedidos do Rei, começou a gritar histericamente e muito furiosa para que saíssem de sua frente, ato que não aconteceu, graças às ordens do Rei para que não desviassem, ao mesmo tempo que determinava de seu acento confortável:

– Os soldados que resolvam a questão entre si, mesmo que para isso a morte seja a única opção. Saia você de meu caminho! Se não estiver de acordo então, que seu guarda lute com o meu até que vença o melhor!

Nenhum dos dois soldados estavam de acordo com aquilo, pois eram motivos muito fúteis, mas tinham juramentos, honra e família. O combate era inevitável, pois eram treinados para aquele momento, a defesa dos Reis.

– Que assim seja! Gritou a Rainha Gomi de dentro de sua luxuosa carruagem.

Inconformado, temeroso e irritado com aquele absurdo, o jovem guardião do caminho dourado, desceu de seu lindo alazão – ato copiado por seu oponente -, para iniciar sangrenta batalha sem sentido, provavelmente com um desfecho desagradável para ambos os lados.

Nenhuma das realezas, ali presentes, pudera observar o sentimento de desprezo que ambos os soldados sentiam em ter que defender as figuras desprezíveis de seus líderes mimados.

Aproximaram-se, para que pudessem cumprimentar um ao outro pela ultima vez, afastaram-se por alguns poucos metros, pegaram as espadas mais apropriadas para aquela luta, que ficavam em suas montarias, e se puseram em guarda para que iniciassem a luta.

Reis ruins e suas decisões egoístas, quantos não erraram miseravelmente em nome do orgulho e estupidez? Quantas guerras iniciaram em nome de nada e por motivo algum?

Lá estavam os rapazes preparados para o que desse e viesse, dispostos a se matarem por nada, já que a desistência significaria um fim ainda pior.

Inocente quem imagina que uma luta destas tem um fim rápido e definitivo. Duas almas preparadas para um combate violento, ótimos guardas dando a vida por questões estúpidas, fúteis e que no cair da tarde, já nos lençóis reais, com certeza um caso esquecido.

O embate começou desconfiado, sem um ataque definitivo e nem decisivo, talvez com esperanças de que seriam poupados de tamanha bobagem, coisa que foi deixada de lado assim que um deles, por puro instinto, fez um ataque realmente forte, provocando um corte mais profundo, desta forma, todo cavalheirismo fora esquecido.

A luta durou algumas horas e despertou a curiosidade de todo o reino, graças aos sons de espadas que se batiam, gritos e grunhidos de luta feroz . Milhares de pessoas assistiram boquiabertos dois valiosos, honrados, amigos de infância e praticamente vizinhos, se destruírem em terrível combate.

Revoltados ao vê-los cair cansados, ensanguentados e gravemente feridos, todo o povo entrou em furiosa inconformidade. Sem que tivessem uma guarda real para defendê-los e nem mesmo soldados dispostos a protegê-los, pela primeira vez na história, um povo irritado com tantas injustiças e crueldades, atacou violentamente as carruagens e em meio a tanta violência, machucaram gravemente as majestades arrogantes que, agredidas covardemente, morreram indefesos e vergonhosamente.

Fim de uma liderança ruim e de, literalmente, real estupidez.

Grilo falante do nordeste.

Sou paulista que carrega consigo todas os tiques, manias e travas que um paulistano tem direito: Gosto muito de pizza, falo sem “s” no plural e destruo “as concordância”, o “n” é anasalado, coisa que irrita e faz gente de fora ficar de saco cheio com estas frases cheias de gerúndio, uso o “meu” no final das frases, escuto samba parado, como “uns pastel” na feira e falo mais que a boca, é verdade!

Creio que sou um verdadeiro paulistano, mesmo! E gosto muito da minha terra, pode crer! O que talvez me torne um cara chato da porra para você! Fazer o que, né?

Se amo São Paulo?! Nem tanto quanto deveria, mas tem uns lugares especiais que moram no meu coração e creio que deveriam ter maior atenção da administração desta terra tão querida, sendo que 2 lugares são especiais:

1 – Amo a Mooca! Porque Mooca é Mooca e o resto é bairro (rsrsrs), apesar de não ter nascido lá, é um canto especial e de pessoas queridas.

2 – O Parque do Ibirapuera. É gostoso passear por lá. A praia do paulistanos e um bom lugar pra ver verde e gente descontraída.

Tudo lindo e maravilhoso nesta história, mas diante desta revelação toda e a declaração de amor por São Paulo, tenho que confessar algo e que você vai estranhar, mas antes deixa eu perguntar para você: Você fala sozinho em sua mente?

Então, eu falo… e muuuito!

Sabe aquele seu “eu” que conversa com você, que ocupa quase 100% da sua mente ociosa? A famosa consciência, dona de ótimas opiniões,  palavras sinceras, objetivas e que te faz evitar um monte de bobagens? Pois então, eu também tenho uma aqui na minha cabeça. Este ser que adora dar uma opinião, morador exigente e íntimo da minha cabeça, existe por aqui o dia inteiro. Porém, ao invés de um bom sotaque paulista, como logicamente deveria ser, se apresenta para mim como um constante eco nordestino.

Esta consciência é um velho sábio nordestino “damulésta! Ops!… da pixorra,mesmo!

O cabra, arretado, cheio de marra e intrometido que dói, tem sempre uma última palavra nos meus longos raciocínios, por isso, eu apelidei esta eterna intromissão de “ponto final”, ou melhor ainda: Zé do ponto! Pra ficar mais “porreta”! Visse?!

Ele, que me aporrinha com opiniões sem fim, sempre finaliza meus pensamentos com um tiquinho dele, por isso, se distraído, acabo soltando uns “oxes” aqui e ali.

Sou nascido e criado nos extremos confins da Z/L, isto me faz ser ainda mais complicado, desconfiado e de cara feia! Pode crer, ou melhor, entendo se você não conseguir compreender o porquê, tem muita coisa envolvida aí e precisa viver uns bons anos por lá para saber exatamente. Só posso afirmar que não é fácil! “Respeita us mininu, visse?”! :p

Este senhor invisível e intrometido, faz observações e tem uma lógica danada que, apesar de muito ligeira e desconfiada, fecha minhas opiniões e certezas absolutas com grande humor e raciocínio rápido, o que o torna indispensável em meu dia-a-dia.

Pense comigo e você há de compreender, num país em plena crise econômica, onde dinheiro, emprego e honestidade andam tão em falta, como dispensar um pensamento bem humorado com aquele leve toque de ar sacana?

Não me leve a mal de me encontrar por aí “aperreado que só a porra”, “cuspindo fogo pelas venta” e doido pra riscar a peixeira no chão, é que esta coisa que passa por aqui, tem seus dias de cabra macho e louco pra mandar tudo se lascar.

E é isso! A peleja é danada, lutando pra passar por riba das dificuldades pra nenhum fio de égua me fazer murchar as “ureia”, oxe?

 

 

 

Lute!

Lute!

Lute contra a sua natureza, contra aquela vontade irresistível de não ver ninguém, de não acreditar em ninguém, de se isolar completamente e esquecer!!!

Lute para que aquele menino, que um dia esteve tão presente em sua vida, que te empolgava e te incentivava a conhecer o inimaginável, retorne e que, de alguma forma, te faça sorrir novamente.

Lute para que o sorriso seja constante e para sempre!!! Mesmo que o “Para Sempre” dure apenas algumas poucas horas.

Lute para que o próximo não sofra com suas decisões! Que estas decisões estejam bem embasadas e tragam mais amor ao mundo.

Lute para que a arrogância e a certeza absoluta dos que estão confortavelmente instalados em suas casas, diante de uma TV enorme e um sofá caríssimo, não te faça acreditar que este é o único lugar onde o sucesso faz morada.

Lute para que a humildade e o verdadeiro querer bem, não esteja apenas diante dos que moram nas periferias e bairros desfavorecidos.

Lute, mas lute mesmo, para que todos os dias você seja, a cada luta, o melhor que você pode oferecer de si mesmo para o mundo!

Lute para mudar o mundo, mesmo que este canto melhorado seja apenas dentro de sua própria cabeça e em mais lugar algum. Pois se a melhoria estiver instalada dentro, o que estiver fora será, de fato, o resultado disto.

Lute todos os dias para não esquecer que você pertence ao certo, correto e honesto.

Lute, a boa luta, porque tudo há de ficar bem.

Ao Professor Raimundo.

 

Em uma agradável manhã, voltava tranquilo em animada caminhada para a minha casa, admirando as lindas ruas arborizadas do meu bairro, sob um sol fraco e brisa leve, completamente afundado  em lembranças de um tempo passado, mais precisamente o período da escola dos anos 80 – já que acabara de deixar meu filho na dele – e reportava minha memória há um tempo longínquo e quase esquecido… a 8ª serie, hoje conhecida como o 9º ano.

Mergulhado em milhares de pensamentos e ligeiramente feliz – provavelmente graças às endorfinas, dopamina e serotonina (os hormônios da felicidade – coisas de quem está em plena atividade física e, por isso, as sentia bombar em meu corpo naquela manhã de passos largos.

Pensava que nunca fora amigo de algum professor, infelizmente nunca incentivaram-me o suficiente e jamais fora querido por nenhum deles. O que me fazia imaginar que, com certeza, faltava carisma de minha parte para despertar empatia e reciprocidade.

Foi nesta compenetrada e longa conversa interior que entrei em conflitos, debates calorosos, discussões sem fim para que, e até pode parecer uma bobagem, me fizesse questionar de que, mais uma vez, me pegava pensando que se naquela época tivesse sido apoiado por algum adulto, de preferência um professor a quem eu acreditasse e respeitasse, poderia ter mudado a minha vida, minhas escolhas profissionais e, quem sabe, ter me tornado um profissional da escrita e sido muito melhor em qualquer outra atividade intelectual?

Que fique claro de que não sou introspectivo de agora, este mundo fechado e cheio de pensamentos vêm de longe! Tanto que tenho a impressão de ter sido um garoto invisível para os coleguinhas de minha classe daquele momento, já que minha luz de menino risonho e piadista brilhava em outras turmas e grupos.

Mesmo diante desta figura simples e apagada aos que por ali me percebia, dentro de mim explodia um mundo cheio de vida e alegria, coisa rara de se ver, já que reservava aos familiares e amigos mais chegados, como os do judô e natação – os esportes que praticava com maior frequência na época.

Tenho total consciência de que grande parte da culpa por não manifestar grandes interesses nas pessoas, promovendo inclusive, quem sabe, forte desejo de distância e a pouca simpatia, viera de mim mesmo, do meu jeito de ser e da minha postura melancólica diante do mundo.

Lembrava dos detalhes daqueles dias, para recordar entristecido de que houvera um momento significativo que apagara de vez a conexão entre um professor especial e minha vontade de ter qualquer sintonia e o despertar para o mundo das letras. Algo que me fez virar definitivamente invisível.

Penso que se o professor, naqueles tempos, tivesse outra postura, talvez, não teria ficado tanto tempo sem escrever, coisa que apenas voltei a fazer com maior frequência depois dos 30 anos.

Eu adorava escrever e acreditava que – com toda a infantilidade natural da idade –, tinha ótimas histórias para apresentar ao meu professor de Português, coincidentemente também chamado Raimundo.

Admirava suas explicações animadas e sua ótima didática – uma característica que muito me encanta até hoje… saber explicar e se fazer compreender –, por isso, me dedicava com todas as minhas forças em impressioná-lo com as minhas redações, pois cria que daquela maneira podia lhe passar alguma gratidão, por entender ser um privilégio de, quase diariamente, receber suas maravilhosas aulas, mesmo nunca sem receber um único elogio pelo esforço.

Um belo dia – e toda história tem esta porcaria – tudo mudou e o brilho se apagou!

Ele poderia estar infeliz por milhares de coisas, preocupado com assuntos que realmente irritam e amargam a vida e, por isso, muito provavelmente sem perceber em minha dor, menosprezou e desprezou os olhos brilhantes de um menino que acabara de entrar no mundo da escrita.

Conforme solicitado pelo Professor Raimundo, me esforcei, pensei muito e soltei a caneta bastante empolgado para escrever de forma detalhada, mais uma vez e como sempre, a redação mais incrível e gramaticalmente bem resolvida, onde descrevia características de ótimos personagens e uma história bem cadenciada que desafiasse os quatro cantos do mundo para que ele, meu professor, tivesse em suas mãos o melhor texto do universo, com regras gramaticais mais perfeitas possíveis e um final muito bem resolvido. Desta maneira, ao terminar as duas folhas de texto, me orgulhei de pertencer a raça humana. Fizera justiça e honrara o exigente e querido Professor Raimundo.

Tudo estava maravilhoso, mas havia um problema, como escrever é complicado e eu buscava a perfeição, para chegar naquele resultado, gastara mais da metade do tempo que o Professor determinara. Ele, tal um sádico, lembrava todo o tempo que iria nos aguardar e apenas receber nossas redações em classe, que após o horário estipulado por ele, levantaria de sua mesa , sairia para uma outra aula em outra classe e não receberia mais a redação de ninguém.

Desesperado, comecei a passar rápido a limpo e foi assim que vi minha obra de arte sendo deformada por uma letra horrível, no papel que recebera do professor.

Acelerei ao máximo para entregar no tempo determinado, mas para a minha surpresa, com a diferença de um segundo antes que eu acabasse de escrever, o meu maior ídolo da escrita, o Professor Raimundo, se levantou de sua cadeira determinado a partir.

Corri até ele, porém, assim como prometera, não recebeu a minha prova. Fui atrás dele com minha redação em mãos até a sala de aula onde seria seu próximo destino, implorei para que a recebesse com a promessa de que ele adoraria a história que criara. Ele, sem nem me olhar, apenas entrou na sala de aula e bateu a porta em minha cara.

Fiquei decepcionado pra caramba pelo desprezo e por ter escrito minha obra de arte para ninguém.

Pessoa alguma leu e nem jamais lera, já que, assim que estava retornando à minha classe, amassei a redação, fiz uma bolinha e joguei no lixo.

Hoje, mais velho e consciente, apenas perdoo meu ex-professor de Português. Sei que ele falhou comigo naquele momento, mas ainda tenho boas lembranças de sua aula incrível. Mesmo que o brilho especial tenha se apagado, graças aquela decisão humilhante que ele tivera sobre mim e o texto que escrevera – “o melhor da minha vida”– (provavelmente um texto comum e amador de uma criança de 14 anos)

O que parecia a melhor história da minha vida até ali, infelizmente, aquela obra de arte, me rendeu um zero

 

 

Fim

Não estava cansado, mas o silêncio do ambiente transmitia uma calma bastante propícia e necessária, já que a viagem fora longa e cheia de histórias para contar.

Cheguei por ali em um estado calamitoso, insustentável e precisava descansar.

Não me lembrava de onde exatamente estava chegando, mas tinha consciência que a luta havia sido intensa e exagerada demais para mim.

O Rosto ainda molhado de suor e algumas lágrimas de um choro sentido ainda escorriam.

Alguém propôs que eu descansasse, apenas aceitei sem ao menos tentar entender quem, como e onde.

Foi aí que a vida passou a valer a pena mais uma vez.

Do cansaço profundo, de sabedoria reduzida e corpo dolorido, sentei próximo a uma árvore gigantesca, tanto na largura, quanto na altura.

Notei que não estava só, mas ajoelhado entre outras muitas pessoas que se distribuíam no enorme bosque de muitas árvores que se mantinham próximas o suficiente, porém sem se entrelaçarem. Como se respeitassem a distância da companheira ao lado.

O lugar exibia uma quantidade considerável de vultos coloridos que flutuavam por ali, sem se preocuparem em se esconder e nem interagir, apenas iam e vinham de passagem.

Com estas visões etéreas que acalmavam, reorganizavam a mente e a energia, percebi que bem diante de mim havia uma figura andrógina, calma e equilibrada que parecia estar em profunda meditação.

Ergueu as mãos calmamente e as juntou diante de sua testa, curvou-se respeitosamente à imensa árvore centenária. Ato imitado copiosamente por todos os outros presentes por ali!

Palavras eram ditas em minha cabeça, sem que ninguém assumisse responsabilidade em pronunciá-las:

– Paz! Acertadamente, a palavra cochichada em meus ouvidos vibrava o que aquele momento emanava.

– Amor! Ouvi um pouco depois. Fazendo com que eu entendesse que as palavras aleatórias, na realidade, escapavam da imensa árvore, envolvendo as pessoas com uma energia renovadora e pouco compreensível para mim.

– Fé! Era a certeza que tudo ali tinha um propósito e não caminhávamos sozinhos.

Ao som leve do vento que assobiava entre os troncos da velha árvore, pude admirar aquele gesto tão simples e cheio de respeito.

Comovido, depois daquela longa viagem, apenas imitei os movimentos de olhos fechados.

Feliz, percebi as pessoas iniciarem uma canção, quase um murmúrio,  próximo a mim, algo muito reconfortante que em instantes foi se espalhando entre os muitos que por ali se encontravam, ganhando corpo, transformando-se em pouco tempo em um suave coral de milhares de almas.

Tudo fazia sentido e me fazia crer que tinha valido a caminhada até ali.

Não era inimigo de ninguém, não havia revolta, dor em nada e nem nada para arrastar comigo.

Livre, consciente, feliz e em paz.

A palavra gratidão tinha um sentido maior. Sim! Porque chegar até ali  fez tudo valer a pena.

A possibilidade de ouvir tamanho poder depois de uma vida inteira de muitos erros e acertos duvidosos, mesmo depois de se achar inadequado e sem merecimentos, era um grande alívio!

Vozes de alegria equilibrada! De emoção sem exageros!

Valeu ter vivido! Aceitei o momento como um troféu, um carinho!

Um mar de vozes, milhares de timbres, que juntas chegavam e passavam por mim transformando tudo o que existia por ali, inclusive eu mesmo, física e mentalmente.

– Seja como for, valeu a pena! Disse para mim mesmo.

Iria continuar minha vida, ainda não tinha planos e nem pressa, mas sabia que tudo iria ficar bem.

Valeu o fim!

Deus placebo.

Somos energia! Um poder – ou força –, que por algum motivo misterioso, nos condensa neste planeta e desconheço o porquê.

Alguns chamam apenas de vida, outros de experiência, há quem, até mesmo, denomina como sendo uma necessidade ou experiência. Porém, o que de fato acontece, é que estamos na Terra e somos uma consciência viva.

Consciência?!

Sua dor pode não ser a mesma que a minha, mas estamos cientes de estarmos aqui. Eu sei de mim e, talvez, de você também. Este saber das coisas e pessoas nos torna conscientes e  isto nos une de alguma maneira, mesmo que você me odeie.

Pode ser que você chame esta “Consciência” de Deus, então, para você, Ele existe.

Por saber desta divindade, você se controla e vive dentro de regras e leis que, de alguma forma, O agrada, algo que, com certeza, as recebeu de alguém que você considera em sua mais alta estima.

Mesmo que ninguém que você conheça saiba da real existência Dele, algo palpável e tangível, você, através de suas lógicas e sensações, O admite como uma existência poderosíssima e igualmente viva.

Você se considera uma pessoa equilibrada, respeitadora e temente a um Deus que jamais vira, mas admite ser uma figura constantemente presente em sua vida e, muito provavelmente, alimentada através de alguma religião.

Ainda nesta religião, você foi ensinado de que este Deus nos fez sua imagem e semelhança, ou seja, somos parte do que ele inventou, somos sua criação e a representação mais perfeita Dele mesmo.

Você jamais O ofendeu, porque você O respeita demais, mas acredita que as pessoas ruins e de caráter fraco devam ir para o inferno. A imagem e semelhança Dele, deve  arder no inferno pela eternidade e isto te parece justo.

Você é temente a Deus e acredita que todos devam andar atentos, respeitosos, jamais cair em tentações e más influências.

Você, ao falar de sua religião, se dirige com respeito e cuidado.

Se for um católico, por exemplo, faz o sinal da cruz e utiliza um terço próximo a si, para que se sinta defendido do mal.

Apesar disso, você condena pessoas ao inferno, rouba seu irmão, julga políticos, desvia dinheiro da empresa que trabalha, faz malandragens escondido e condena as pessoas o tempo inteiro. Porém, de alguma forma, dentro de sua crença, está seguindo o caminho da Luz e tem Deus no coração?!

Creia, isto tem um nome: Loucura!

Suas curas, proteções e preces são tão vazias, como a pílula placebo… pode crer!

Seu Deus é uma bobagem, já que, milagrosamente, toda a sua safadeza não é parte das leis deste Deus que você defende, mas você O responsabiliza e crê que tem o direito de julgar e sacanear o próximo sem ser julgado.

Seu Deus e as regras que você diz vir Dele não existem!

Cansado de suas bobagens e do seu Deus placebo!

Amém?!