Down, Jão… down.

– Tristeza? Ela perguntou com a voz lenta de sono.

– Pois é… acontece!

Se despediram carinhosamente, mas sua aparente fraqueza o deixara ainda mais pra baixo.

– Quem vai querer ter alguma coisa com um cara com uma pegada destas? Pensava com o olhar fixo no chão, como se procurasse sua honra caída em alguma fresta entre os tacos mal encaixados de seu quarto antigo e mal arrumado.

– Que porra é essa? Se perguntava irritado – Que mulher se interessa por um Zé Roela destes?

Lembrava desanimado os conselhos de sua madrasta:

– Jão, o que você vai ser quando crescer? Quem aguenta um bosta como você?

Deu um forte soco na escrivaninha, ao lado de sua cama, rachando a madeira de lado a lado.

– Oh merda! Não é possível que minha luta em desviar do fracasso acabou me empurrando pra este buraco?

Acabara de perder o emprego. Trabalhava de estoquista em uma megaloja de sapatos.

– Merda!

Sentia uma dor de cabeça, uma vontade de deitar e dormir para sempre.

Pegou o skate, sua terapia – como costumava chamar o rolê – e saiu pela cidade sem rumo.

A cada remada mais distante se sentia de tudo, problemas, aluguel atrasado, decepções, batalha sem sentido e vencida… desde sempre.

Sentia que não fazia parte daquele sistema: estudar, trabalhar, salário de fome e perdas sem fim.

Soltou o cabelo, abriu sua camisa de botão, ergueu a barra da calça e foi remando, saltando, desviando e fugindo.

Na orelha um som antigo, coisa que nem gostava mais, ou melhor, já não tinha certeza. Conhecia poucas pessoas capazes de curtir aquele som – Pink Floyd! Riu ao pronunciar o nome da banda, como se soletrasse o nome de Deus – Us and Them – será que havia alguém da idade dele que ouvia aquela música inteira e várias vezes ao dia? Não cria nisto.

– Porra de música louca, não quer dizer nada, mas é tão linda!

Dizia aquilo imaginando que sua vida também não fazia o menor sentido, uma conexão de meros acasos.

Passados 15 minutos de skate acelerado, já estava longe do quarto, da menina sonolenta, do ex-trabalho, de tudo!

Só um cabeludo, com barba para fazer e completamente livre em uma avenida rumo ao leste – extremo leste! O que tinha a perder? Afinal, já não perdera tudo o que tinha, ou que aparentava ter algum valor?

Corpo magro, mal nutrido, mal se sustentado e mal criado!

– Sou um fodido, mesmo!

Remadas raivosas – ódio e velocidade. Ao longe, apenas um menino andando feliz e determinado pelas ruas com seu skate loko! De perto, cara a cara, a alma mais infeliz que se vira. Revoltado!

Indo e indo sem parar, sem dizer palavra e nem interagir com ninguém – ódio demais!

Uma viagem interna, na calada da noite, alguns últimos trocados e completamente perdido.

– Jão! Jão! Seu futuro não presta – gritava a velha madrasta.

– E não prestou mesmo. Confirmava entristecido a sina maldita que o destino lhe reservara. – Triste fim!

Foi seu último pensamento antes de saltar uma escada e pousar atrapalhado no meio de uma estrada de grande movimento.

Uma luz forte nos olhos, a freada violenta dos pneus no chão, um baque – bem no meio de seu corpo esquelético – e a escuridão se fez presente.

João Batista – vulgo Jão – um dos melhores alunos do primário que frequentou aquele colégio de todos os anos, mas em matérias sem valor: skate, risada, fôlego e correria.

O mais forte da adolescência, mais charmoso e cobiçado entre as meninas, porém o mais desinteressado nas aulas – repetente carimbado.

O mais amado filho da mãe que morrera ainda na infância e o mais odiado pela madrasta.

O mais querido da rua – entre meninos e meninas – que disputavam sua atenção… e o mais sem rumo no caminho profissional.

O mais viajado entre os irmãos, uma família de 4 irmãos e um pai ausente, que morrera de cachaça, lá no início de sua vida adulta.

Sem apoio, nem grana ou conquistas.

Mais um desprivilegiado de um governo ruim, de políticos desonestos e em um país caótico. Tudo deles… e a gente, o que será?

A lista dos muitos erros era grande e imperdoável – chorou arrependido, não por ter sido quem fora, mas por ter fechado o ciclo de enganos e desgraças, assim… solitário.

Morre Jão e enterram Jão – indigente na cova rasa de um cemitério qualquer da Zona Leste de São Paulo.

Conflitos

Este texto é o 1º Capítulo do Livro: Conflitos. Entre Jack e God.

 

– Capítulo 1 ( e é só esse mesmo – o resto ainda tenho sonho de publicar o livro! kkkk)

Perseguido

Naquela madrugada de muito trabalho, diferente de mim, ele apareceu muito bem vestido, perfumado, com ares de quem estava acima de qualquer suspeita, jeitão cativante e amigo.

Estava tão convincente que não consegui desprezá-lo, por isso, respondi ao seu aceno sorridente, de quem me considerava, respeitava e me queria bem. Espontâneo, como poucos sabiam ser.

Eu apenas pensava em como estas visitas noturnas já não me surpreendiam tanto.

Desta vez, ao contrario dos tempos passados, mudou seus argumentos e impulsividades, o que aparentava – em sua bela encenação – se mostrar menos arrogante, estranhamente empetecado de anéis e ouro. Talvez, tenha sido exatamente esta mudança, este detalhe, que me fez esquecer das milhares de bobagens que ele já havia feito, quando eu ainda era um jovem rebelde e fiel às minhas convicções e certezas absolutas. Muito provavelmente, lá no passado, estas atitudes eram exatamente o que me tornara alvo fácil para os aproveitadores, assim como ele.

Quase desacreditava no que via logo ali, ele mais uma vez na minha frente. Até pensei que nunca mais voltaria, depois daquela briga feia que tivemos. Porém, ele é o rei das maracutaias e safadezas – o Rei da Sacanagem bem na minha frente – já deveria saber que nada e nunca é realmente o fim para ele, mas que tudo é encarado como apenas “um tempo”, uma pausa para os próximos capítulos.

– Saudades, Mac?!

Fazia tempo que não ouvia aquele apelido: Mac! Mac de Macaco, de menino bagunceiro e que não parava no lugar, o que hoje chamam de hiperativo. Aquele era meu apelido de infância, na realidade meu nome é Marçal.

Ele chegou com aquele seu sorrisinho entre os lábios, o que me fez sorrir também, para o meu próprio azar. Assim, havia permitido quebrar o gelo.

– Aguenta a pressão!!! Pensei comigo mesmo, o que não necessariamente significava que tais pensamentos havia ficado em segredo, guardadas no mais impenetrável canto de minhas reflexões, porque não estava. Ele sabia fingir nada saber e se manteve em silêncio, discreto, sem fazer nenhum comentário. Queria se passar por bom rapaz, como se isso fosse possível!!! Ele era o mau, o feio, o sujo. O criador e mantenedor de tudo o que era de pior.

Depois do breve silêncio, perguntou educadamente:

– Como vai sem mim, velho amigo?

– Estou ótimo!!! Você sabe disso! Queria que ele saísse do personagem que interpretava, então provoquei – Porque me pergunta, ou melhor, porque insiste em me visitar? Não sabe que tenho um pacto com o Outro, aquele que você tanto teme?

Ele não se irritou e nem sequer alterou o tom de sua voz, onde normalmente seguiam muitos xingamentos, algo que sabia usar muito bem e que saiam de sua boca como poesia, com aquela sua voz de locutor de rádio. Ao invés, gargalhou de boca aberta, deixando aparecer a língua nervosa, apoiada por dentes muito bem tratados. Ele, aparentemente, encarou meu comentário como uma piada… e das boas. Esquecendo, até mesmo, a interpretação refinada de bom moço por alguns segundos.

Se sentou na poltroninha que ficava na frente da minha mesa e ficou me encarando, talvez arquitetando algo para me arrastar para seu lado, mais uma vez.

Estalou os dedos e da minha máquina, onde eu trabalhava tranquilamente até o momento, passou a tocar uma versão remixada e maluca de vários sons, Black Sabbath, Mettálica e AC/DC, etc…

Assustei com o som alto e ele apenas levantou os ombros, como se dissesse que somente queria deixar o clima mais alegre.

– Até quando você vai ficar nesta bosta de escritório, com este monte de livros, embalagens, e caixas de pizza?!! Falou com cara de nojo, segurando nas pontinhas dos dedos, com unhas muito bem envernizadas, minha bolsa, que estava na poltrona onde ele se esparramara, então, a jogou num canto qualquer, como se fosse algum bicho morto.

– Ei! Sai dessa… vem comigo! Lembra como a vida era divertida?

– É! Respondi relembrando a bagunça que promovíamos nos velhos tempos!!! Era um pedido bastante interessante, já que naquele momento, de glamorosa, só tinham os vários catálogos de moda e sites criados por mim, destinados às senhoras de classes A e AA da vida.

Ele estava diferente, se movia devagar e falava pausadamente, talvez por se lembrar de nosso último encontro – quando veio me visitar –, rodeado de mulheres lindas, gostosas, pouco vestidas , usava roupas extravagantes e cheio de si. Exalava perfume, vinho e impaciência… muita impaciência.

– Deixa de bobagem, meu amigo!!! Vamos fazer história!!! Sei da sua vida, das suas vontades. O mar e a diversão ainda estão lá! Lembra?

Lembrar era uma tortura. Alegria e tristeza, pelo o que foi e o que estava sendo.

– Eu posso mudar tudo… sua vida, doenças e pobrezas desagradáveis. Toda esta piada que tem vivido!!! Só está assim, “travadão”, porque o Outro não liga mais para você e nem para ninguém! Nunca ligou e você sabe disto.

Ele falava e em minha mente fervilhavam lembranças de tempos em que tinha uma saúde invejável, recordações que misturada com aquele som empolgante, vindo do meu computador, que por sinal até tentei desligar, mas parecia ter criado vida própria e até me davam uma certa euforia. O som e as imagens em que se passavam em minha mente – tipo uma dose de alguma droga – desorientava e ao mesmo tempo acendia aquele cara, que há muito havia morrido.

Era triste saber que dentro de mim aquelas imagens eram felizes, reais e cheias de emoção. Triste saber que eu concordava com cada palavra que ele me sugeria mentalmente e dizia claramente diante de mim.

Ao mesmo tempo me achava velho demais, pois sentia dores, muitas dores. Definitivamente, o que criei para mim – aquela existência – não era nem de perto a tal da felicidade! Não havia nenhum prazer em estar vivo!

Como ele podia ser tão esperto? E, fosse como fosse, onde estava o Outro afinal, para me mostrar o que fazer? Qual era o segredo da felicidade para Ele? Nem sequer uma visita, uma mínima demonstração de que o caminho Dele poderia me dar tanto prazer e alegria como o que este, que diziam ser o MAU, me oferecia.

O que estava diante de mim, logo ali, sabia o que eu precisava e do que gostava. Me daria tudo o que eu desejasse em um rápido aceno positivo de cabeça, um simples SIM. Eu sabia disso, já vivera isto antes e havia sido muito bom!

– Preciso de um tempo. Sei que não é a sua, mas seja paciente e volte outro dia!

Ele não reclamou, nem praguejou como sempre fizera. Levantou, deu um sorriso de vencedor e desapareceu, assim como sua música, aos poucos, como um sino ecoando, um degrade…vagarosamente.

Já havia acostumado com essas aparições inexplicáveis, não era a primeira e provavelmente não seria a última.

Logo depois que desapareceu, senti enjoo e muita revolta. Coisas que eu sentia sempre que ele surgia, assim como qualquer droga.

Precisava entender porque eu passava por estas experiências e as outras pessoas não!

De qualquer forma, estava muito cansado e louco de vontade de ir para minha casa, descansar daquele dia tremendamente puxado de trabalhos e aparições.

Desliguei os computadores, alguns aparelhos ligados na tomada e fechei todas as janelas do meu estúdio de design, minuciosamente, como toda pessoa que tem toc, só então desci as escadarias para a rua, bastante pensativo.

Aquela iria ser uma noite difícil para dormir, pois além de minhas preocupações naturais do dia-a-dia: prazos nos trabalhos, as contas bem atrasadas e etc… naquele momento, ainda tinha aquela aparição me cobrando, novamente.

Aquilo não era nada legal e, diga-se de passagem, pouco natural, mas não tinha dinheiro para um psiquiatra – ou coisa do tipo – por isso, o melhor que eu podia fazer, era tentar dormir e descansar muito, pois o dia seguinte prometia ser ainda mais puxado.

Minha casa era muito próxima do meu trabalho, ou ia a pé ou de bicicleta, algo muito refrescante e importante para mim, pois me desligar completamente, depois de um dia inteiro criando, era quase impossível. Aquela caminhada me proporcionava este relaxamento. Mesmo porque, deixar meu carrinho na rua, naquele bairro lotado de marginais era, certeza absoluta, arriscar perdê-lo ou danificá-lo.

Acostumado com os fantasmas aparecendo desde pequeno, o que mais me preocupava ao estar na rua de madrugada eram os ladrões, que na região onde morava, não eram nem raros e nem de grande expressão. Não tinham o perfil dos que furtavam coisas significativas, mas as que eram fáceis de levar para trocar por drogas, sendo assim, eu era um ótimo alvo em potencial.

Tinha uma regra comigo, se saísse muito tarde do serviço sempre evitava levar qualquer coisa que, caso fosse roubado, pudesse me fazer grande falta. Também não era bobo de não ter absolutamente nada de valor, pois poderia acabar sendo agredido ou tomar um tiro pelo desaforo de ser pobre demais e não carregar algo que fosse aproveitável.

Para isto, eu utilizava uma técnica de um amigo, que batizou como: Técnica de Sobrevivência. Esta técnica consistia em sempre ter um dinheirinho do ladrão em minha carteira.

Todos os dias minha mulher fazia questão de conferir se eu tinha algum antes de sair de casa, pois como era constantemente abordado pelos pilantras da região, ela nunca me deixava sem nada na carteira e até brigava comigo se me esquecesse de repô-lo no dia seguinte, caso houvesse o furto ou simplesmente gasto no dia anterior.

Eu já estava no limite com aquilo, porque ser assaltado com aquela constância era algo que não suportava mais.

Podia conviver com as dificuldades da vida, mas ser roubado daquele jeito, em um lugar que vivia por mais de quinze anos, já não era mais para mim… não mesmo! Graças a isso, eu tinha planos constantes de me mudar daquela região, queria tentar a vida em outros lugares, com novas possibilidades. Porém, dois detalhes me impediam: filhos e mulher, sendo assim, eu arrastava esta ideia no meu imaginário e secretamente torcia para que em um dia de coragem arrastasse todo mundo comigo.

Um dos maiores sonhos daqueles tempos, desejar profundamente conhecer outras possibilidades muito melhores para todos.

Devaneios que me faziam suportar tanta pressão e perseguição, no entanto, tudo o que eu podia fazer naquele momento era ir rápido para minha casa, evitando os cantos escuros e torcendo para que não fosse roubado, pois a grana estava curta e o pouquinho que tinha significava muito para mim.

As vezes pensava nos motivos da minha vida estar tão atrapalhada e tudo me levava a crer que aquilo era mesmo um teste do invisível e um dos grandes.

Andava pelas ruas vazias daquela madrugada quente demais para se ficar em casa – ou no escritório – mas deliciosamente refrescante e nítida, pois as chuvas de final de ano tinham este poder mágico… limpar o ar.

Imaginava como sairia daquela situação, pois de cabeça fria e sem querer prever o futuro e suas consequências era bastante simples recusar as ofertas indecorosas que me cercava. Todavia, se projetasse o mínimo para frente, começava a me sentir desconfortável, para não dizer desesperado. Contas atrasadas, clientes melindrosos que podiam me trocar por qualquer outro designer, assim, em um estalo de dedos e do dia para a noite. Imaginava que isto não seria nada assustador se eu fosse um cara sozinho, mas como seria a vida dos meus filhos e da minha mulher se tudo desse errado?

As vezes pensava que casar e ter filhos nesta terra, neste país de malucos, só podia ser uma péssima ideia. Porque ter uma família com casa, saúde e educação era algo quase inatingível. Isto era um ótimo argumento para nunca apoiar os casamentos de jovens inexperientes, o que deixava minha mulher enraivecida quando nas rodas de conversas animadas, com amigos mais jovens, eu era um poço de desmotivação quando o assunto era o matrimônio. Ela não entendia que eu era contra e desanimava meus amigos, não pelo meu relacionamento amoroso, mas pelo meu relacionamento “patriótico detonado, cuspido e arrebentado”, graças as tantas bagunças que meu país sempre fez questão de ser um dos melhores do mundo.

Caminhava pelas ruas em ritmo acelerado, o mais rápido que podia e, entre uma esquina e outra, eu o via na escuridão das construções, escondido, mas ao mesmo tempo, nem tanto. Sabia que ele queria que eu o visse, que eu não o esquecesse.

Ele, que na verdade poderia ser o que quisesse e estar onde desejasse, pois tinha grandes poderes, me cercava desde muito tempo, creio que desde sempre, assim como o outro, o do BEM.

Nunca compreendi esta necessidade estranha que eles tinham de me quererem tanto, diga-se de passagem, sou completamente dispensável, mas infelizmente eles não pensavam da mesma forma.

Depois que cheguei intacto e livre das perturbações na segurança do meu lar, vi feliz que minha família dormia tranquilamente na minha cama. Todos embolados como um ninho de gatos. Não me restou alternativa senão deitar na cama da minha filha mais velha e ficar por lá mesmo. Não iria acordá-la de seu soninho profundo.

Era uma cena que me enchia de alegria, todos dormindo em paz. – Melhor assim, deixar a loucura da vida por minha conta, pensava. Já tinha acostumado viver tão acuado e preocupado.

– Um dia isto terá um fim!!! Foi um dos meus últimos pensamentos antes de dormir profundamente, logo depois de um banho relaxante.

Presente meu.

Já tomou um susto enorme, daqueles de quase sair do corpo? Pois é… acontece!

Caminhava apressado para a minha casa, numa destas madrugadas da vida, vindo de um encontro romântico e inspirador, mas um pouco receoso com o horário – já que os tempos andam meio doidos e as pessoas um pouco desequilibradas – por isso, ia a passos largos e determinados.

A madrugada parece ter poderes que em nenhum outro horário aparenta ter igual, além de mexer com o imaginário em muitos níveis e – dependendo do local em que você se encontra também – ali naquele momento, me fazia desejoso de chegar o mais rápido possível.

Somos fruto divino em evolução, ou um produto de experiências de algum povo silencioso e secreto cujas intenções desconhecemos?

Eis que em certo momento da caminhada, já quase perto da rua da minha casa, uma luz vinda de algum lugar muito distante do Universo caiu sobre mim.

Quando digo que “CAIU”, estou sendo bem sincero, já que a luz – quando se deu de encontro ao meu corpo –, pareceu ter um peso diferente, como um objeto com massa própria, que estranhamente me engoliu, me fazendo sentir um clima diferente do qual me cercava até então, fazendo com que eu curvasse os joelhos no chão, tanto pelo peso, quanto pela noção de espaço, já que tudo pareceu maior, mais distante e estonteante. Como se estivesse dentro de uma grande bolha.

Talvez os espiritualistas diriam se tratar de Deus e os religiosos fervorosos, quem sabe,  duvidassem disso, daquela aparição – devido ao horário e as circunstâncias, mas minha mente que vinha acelerada com os possíveis perigos que me rondavam – a madruga amplifica o instinto de sobrevivência – só sei que me fez tomar um susto gigantesco, destes de quase desmaiar.

Com a respiração ofegante, mantive, dentro do possível, a calma e a sanidade. Esperei aquele peso da luminescência desaparecer, ou dizer a que veio, sem grandes agitações, conclusões e procurando não pirar, nem desesperar.

Quanto tempo permaneci ali imóvel eu não sei, porém, aparentaram horas sem fim.

Do jeito que veio, sumiu! E ergui o meu corpo parecendo que acabara de sair de uma sessão exaustiva de ginástica, pois suava cansado e desorientado.

Olhei para o céu e ainda tive a oportunidade de perceber aquele bloco de luz voltar rapidamente para a sua origem, lá no infinito e inimaginável céu escuro.

Respirei fundo, um pouco desequilibrado, bastante tonto e sem fôlego – tal qual um porre de uma bebida muito forte – respirei de novo e criei forças para continuar meu caminho.

Lembrava ter levado uma espécie de choque, que iniciara no topo da cabeça e em seguida ter percorrido todo o meu corpo. Cria que, graças a esta sensação, tivesse sido eletrocutado por algum cabo de energia ou coisa do tipo que pudesse ter caído sobre mim, ou alguma explicação plausível neste sentido para a doideira que acabara de acontecer comigo.

Ouvi uma voz próximo de mim, como se estivesse a me acompanhar, enquanto tropeçava em minhas próprias pernas, me segurando nos muros e cercas, até chegar em meu portão.

Enfim… perdi a consciência ali mesmo e só acordei no dia seguinte, deitado em minha cama.

Abri os olhos com calma e sem pressa, ouvia uma música suave próxima aos meus ouvidos, como se estivesse com o celular debaixo de meu travesseiro, ligado em alguma daquelas canções para meditar que costumo deixar rolando no Youtube para dormir.

Pois é! Não era isso, coisa que confirmei imediatamente ao colocar a mão sob o travesseiro, não encontrar nada e perceber que com a consciência refeita, a música sumira imediatamente.

Abri meus olhos e tentei entender em que momento deitara ali, como retirara a roupa do corpo, todo aquele ritual que precede o deitar e dormir, mas não lembrava, como se nunca tivera acontecido, um lapso de tempo.

Lembrei da luz, do peso que tinha, da sensação de choque e por fim, caminhar “embriagado”.

– Estranho! Real? Não sei!

Levantei um pouco dolorido, mas me sentindo bem, disposto – como há muito não me sentia – e fui até o espelho averiguar se tudo estava em seu devido lugar.

– Sim! Estou ótimo! E sorri mais tranquilo – Só esta dorzinha incomoda que não está legal e que podia desaparecer. Dito e feito… sarei imediatamente.

Acreditei se tratar de um mero acaso e fui me preparar para o novo dia.

Daí em diante, só maluquices e acontecimentos que, apesar de aparentar casualidades, percebi que batiam exatamente com o que eu desejava. A princípio, pequenas mudanças, acontecimentos sem grandes relevâncias, mas que me causavam estranheza pela sincronicidade.

Fui percebendo no decorrer dos dias de que tudo o que desejasse, ou falasse, se tornava realidade e isto era para todo e qualquer assunto.

Eu descobri que tinha o verdadeiro dom da palavra, literalmente.

Não me refiro àquela coisa em que algumas pessoas dizem existir, sobre a palavra ter poder ou que ela pode mudar o mundo, assim… como uma possibilidade distante e possível. Não!

Eu tinha o poder de mudar o mundo, pessoas, coisas, eu mesmo… mover montanhas!

Quando você tem um poder destes em mãos, é uma sensação inexplicável. Confesso ter ficado muito confuso, assustado, chorado por algum tempo de medo, de alegria, insegurança e incertezas… muitas delas.

Depois que fui acostumando com aquela nova realidade, comecei a aprimorar minhas descobertas ao desejar pequenas mudanças e, assim, vi admirado as gorduras de meu corpo desaparecerem, traços que me incomodavam serem aperfeiçoados, tais como: músculos, dentes mais brancos – maiores e depois menores – cabelo com uma variação incrível de cores e penteados, barba e sem barba, mais alto entre outras muitas doideiras sem fim.

Aproveitei meu novo visual para encantar, ser admirado e seduzir – coisas fúteis e mundanas – ao mesmo tempo que acompanhados de aquisições sem fim: carros, casas… objetos aos montes, com o simples desejo de ter. Algo que, creio, qualquer pessoa experimentaria se tivesse esta oportunidade, mesclada a grande imaturidade que tinha no momento, para que, desta maneira, pudesse realizar desejos engasgados há anos de luta constante, de homem comum e desprivilegiado monetariamente desde sempre. Compreensível!

Tudo aquilo teve muita graça no começo, mas comecei a perceber nas muitas oportunidades de mudar o mundo e ajudar as pessoas de verdade, algo que me empenhei ao máximo durante alguns anos e que me trouxe grande satisfação, ao ponto de me isolar, dedicando todo o tempo que dispunha em ouvir, ver, falar e auxiliar a todos que me procuravam.

Em certo momento, percebi que aquele poder se ampliava ainda mais.

Entendi que, sem entender muito bem, parecia estar em outra dimensão, graças a perfeição e harmonia, exatamente como desejara por um bom tempo, mas… pirei!

O mundo que conhecia, com todas as dificuldades e incompreensões já não existiam, nada do que sabia do passado era igual e aquilo me fez pensar de que, talvez, já não vivia uma realidade natural e verdadeira, mas o fruto dos meus desejos e imaginações.

Tinha dúvidas da existência das pessoas, das belezas infinitas que criara, da agradável e pacífica interatividade do ser humano com tudo o que nos rodeava.

A perfeição que atingira poderia ser apenas um fruto da minha imaginação trabalhando para que tudo fosse daquele jeito… e senti saudades!

O mundo não tinha uma superpopulação, todos viviam em paz e harmonia em suas lindas e pequenas casas, com atividades onde a lucratividade não era o grande objetivo de viver. A realização pessoal de todos por ali, se detinha em conhecimentos diversos e criações que ajudassem na evolução do ser. Algo inexplicável para os moldes e a compreensão de tempos passados.

Senti um vazio ao pensar que nada daquilo poderia ser de verdade, mas que eu, em meu desejo sincero de um mundo melhor, inventara aquela realidade e que possivelmente já não vivia no mesmo plano das pessoas que conhecia e amava.

Com esta preocupação, imaginei com simplicidade e de coração aberto que eu deveria encontrar a mim mesmo novamente, onde quer que eu estivesse e lá existisse de verdade.

Senti uma energia quente e gostosa surgir em meu peito. Esta energia se tornou em uma pequena luzinha brilhante e aos poucos foi crescendo, aumentando, até que todo meu corpo se transformou em luz.

Sem grande esforço e acostumado com aquelas mutações… apenas desejei me encontrar.

Ao desejar, senti que meu corpo, agora uma enorme bolha de luz relativamente maciça se ergueu do chão e como um raio partiu rumo ao céu infinito, atravessando milhares de corpos celestes, em uma velocidade inacreditável até se deparar com um planeta azul muito lindo. Aquela visão me fez ficar bastante emocionado, pois o reconhecia como sendo o nosso lindo planeta Terra.

Percebi a velocidade diminuir, rodear aquele mundo fantástico, azul e cheio de água – maravilhoso!

Eu realmente havia saltado para uma nova realidade e ao querer me encontrar, minha energia, o poder, me trouxera de volta ao meu mundo do início daquela vivência.

Agradeci toda a experiência vivida e logo na sequencia senti que caia lá de cima em uma velocidade mais próxima da realidade humana, porém ainda no formato daquela enorme bolha de luz e desabei sobre uma pessoa que caminhava acelerado logo abaixo. Um humano comum, em uma vida comum, cheio de desejos, medos e esperanças comuns, numa madrugada qualquer, de uma cidade imperfeita e para um jovem que iria viver a aventura mais louca de sua vida… Eu!

Correria

Ei! Calma lá… “sou de boa”, creia!

Caminho sem grande vontade rumo à escola e com outra determinação dos dias de “rolê” de skate com os amigos… foi mal!

Lá, com a galera, sou risonho e agitado, coisa que em nada se assemelha ao cara de rosto pálido e sem expressão na hora do estudo. Ali, sou um monolito de pernas e desanimado demais… foda!

Tinha que ter alguma coisa que me empurrasse para frente, me motivasse… malditas aulas e métodos em que minha vó foi alfabetizada. Acredite, creio demais nos esforços de meus professores, só que nossos interesses não batem… ainda!

– Não tem ninguém inteligente o suficiente que possa mudar isto? Penso desanimado.

Tento, me esforço e quero ser, fazer e acontecer, mas não passo da página 2… tão aquém de qualquer um que frequenta as mesmas experiências, os mesmos desafios, mas aparentemente com tanta facilidade.

– Qualé, Jesus? Me diz aí, como eu melhoro isso?

O pai que cobra, a mãe que berra e o professor que parece me odiar.

– Sou uma ameba?

Cara, eu tenho muita coisa para dizer e mostrar. Olha dentro dos meus olhos e veja o quanto eu amo a vida, sou cheio de energia e vontades. Mas, aguentar esta coisa monótona às 7h da madrugada? Tá de brincadeira?

– Pelo amor de Deus, alguém aí sabe do que eu estou falando? Ajuda aí!

Meu nome é Tom. Me apresento assim, melhor… o nome de batismo é de lascar. Meus pais tem muita criatividade, não salvou um irmão, todo mundo com nome “exótico”!

Ei! Não quero mudar o mundo, não sou destes, nem sei direito mais o que incomoda de verdade… já é assim mesmo, não conheço outra história, a gente acostuma com essas coisas que se vê por aqui.

Desculpa a falta de uma opinião formada sobre a descriminalização, criminalização e os cacete! Só sei seguir em frente e aproveitar as “paradas” que estão aqui na minha mão, agora, já… futuro é conta de luz, água e gás pagos” – Diz meu pai.

Pesado? Pois é! Nem queria falar disso, acho que você nem vai entender.

Tá achando a coisa feia? Sou moleque branquinho e gorducho, mas se tá ruim aqui, pode crer que pra uns a coisa é ainda mais embaçada!

Ontem vi meu camarada tomar um enquadro do segurança da loja. Ele “estava suspeito”, vestia uma pele negra no meio do comércio.

– Os negros passam por essas, mesmo!

Nada disse logo depois que foi liberado… nada a declarar. Não tenho um vocabulário tão bom assim e nada melhoraria a situação. Caminhamos calados e em frente… sempre em frente.

E lá na frente, o que será? O que nos reserva? Eu na minha “burrice”, quase dormindo de novo na cadeira e meu amigo se lascando à sua maneira.

De verdade… não entendo quase nada. Tudo me parece um mistério a ser desvendado, acho que estou lascado também.

Pelos métodos que estão rolando por aqui, tá difícil. Uma mágica, um Mestre, um golpe de sorte do destino?

– Ei, Ets… se quiserem invadir e mandar umas “paradas” novas, estou aqui para os testes, porque a humanidade está ocupada demais ganhando dinheiro e defendendo o próprio rabo, mas eu acho que não faço parte dos interesses gerais.

Os motivos? Sei lá! Continuo em frente… só na correria! 😦

Amor ao escrever

Escrevo! Isso é um fato, mas se bem ou mal… já não sei!

Escrevo porque tenho uma mente incansável que precisa expor as muitas ideias que surgem por aqui… é verdade!

Escrever é uma arte que não domino, já que me considero um eterno aprendiz e, por isso, me curvo humilde ao saber que uma outra pessoa também escreve, como se admitisse as minhas limitações e dificuldades, para acreditar que este deve ser muito melhor. Talvez complexo de minha parte, talvez por ser deficiente mesmo… quem sabe?

Por ter estas dificuldades, fico imaginando as muitas maneiras que a Língua Portuguesa chegou ao ponto em que está… perfeita!

É bem verdade de que no Brasil o Português sofreu algumas interferências e modificações, coisa que muitos validam como um erro e um retrocesso. Porém, nada posso dizer sobre isto, já que meus conhecimentos são parcos, duvidosos e, quem sabe, tenha até que agradecer por estas mudanças, graças as minhas limitações diante de tão lindo idioma.

Apenas crio histórias, assim me vejo, alguém que tem um dom especial de inventar contos, imaginar as coisas mais doidas e em muitos pontos de vista.

Eu desenho também. Uma atividade que me seduz desde a infância mais tenra, até os dias de hoje e, dizem, que por isso uso este conhecimento para descrever as cenas, tal qual uma pintura… é possível!

Eu, inclusive, fotografo e registro o mundo à minha volta quase compulsivamente, na busca da luz perfeita e da imagem que me traga satisfação. E desta maneira, no trabalho e por puro hobby, capturo a beleza de animais, plantas, árvores, comidas e da família querida.

Escrevo, desenho e fotografo… sempre! Minha mente foi feita para criar e faço isso o tempo inteiro, assim como o gordinho do Youtube que confessa a quem quiser ouvir – e de boca cheia –, que ” a boca é feita pra comer, que foi feito pra comer”, com a mesma força, eu fui feito pra criar.

Escrevo para que um dia alguém pare e leia – mesmo que isto aparente um sonho bobinho, um desejo infantil, já que nem todos que curtem e admiram meus textos são realmente meus leitores!

Ler o que o outro escreve, nem sempre é tarefa fácil. Sabendo disso, tento superar o meu desânimo e me nego a curtir algo que não tenha lido – treino para ser um leitor assíduo e bem real nos muito Blogs dos meus queridos colegas. Um desafio e tanto, já que a preguiça é sempre mais favorável e fácil.

Escrever, quem vive isto deve saber o que é esta febre.

Escrever é o meu melhor registro, minha melhor marca ao passar pela Terra.

Romances, contos e poemas! Uma busca impossível, dolorida e muito amorosa.

Pois, sem Amor… não há razão!

 

 

 

 

 

 

 

Onde você está?

– Está caindo o mundo. Notei enquanto admirava da porta do metrô a tempestade que caia abundantemente.

Não era possível sair dali de onde estava – nem por um segundo sequer – sem que ficasse encharcado.

Esperei alguns minutos, assim como as outras muitas pessoas que ali estavam, na esperança vã de uma possível melhora, coisa que não aconteceu em nenhum momento e nem iria acontecer pela madrugada adentro.

– Todos se molharão! E ri da frase que imaginara, tal qual um profeta na beira da montanha. Frase certeira e objetiva, com aquela confiança absoluta de que se tem, ao se deparar com assuntos relacionados ao fim… nosso rumo certo. E completei em minha imaginação: – Ninguém escapara! E ri ainda mais de minhas palavras apocalípticas.

Certo de que aquela chuva não iria acabar tão cedo, liguei para a minha esposa para pedir uma carona. Não porque imaginava que daquela maneira iria ficar livre de me molhar, mas apenas com o desejo sincero de chegar o mais rápido possível em casa, chuveiro, sopa e cama.

– Onde você está? Ela me perguntou com um tom verdadeiro de preocupação.

Não entendendo direto a pergunta dela, graças ao ruído da chuva nas estruturas metálicas da estação, ao burburinho das milhares de pessoas agitadas e um grau elevado de surdez, repeti incerto o que entendera: – Onde eu estou?

– Sim! Onde você está?

Respondi que estava no metrô, combinei onde nos encontraríamos e desliguei o celular pensativo: – Onde eu estou?

O temporal é uma realidade única e maravilhosa para nos fazer refletir sobre a vida e, ao mesmo tempo, uma forma muito material de nos colocar no momento presente, com suas gotas gordas e geladas.

Onde eu estou? Onde eu estou? Esta pergunta é muito doida!

Fisicamente, eu estou aqui e agora, mas no campo da consciência estou em milhares de lugares ao mesmo tempo. E isso pode ser bem estranho, já que, mesmo no meio daquela bagunça generalizada, depois de 5 minutos olhando a chuva correr solta e poderosa no asfalto, minha mente já estava a quilômetros dali.

Isso é um fato, porém, se esticar um pouquinho mais este pensamento e aumentando a doideira que corre solta nesta minha cabeça, me pergunto duvidoso: Onde eu estou? E pergunto com a convicção de que dentro deste corpo existe, sim, uma ALMA, a minha essência… ou o EU de verdade.

Em que lugar me encontro, onde eu realmente estou e faço moradia?

Imaginei que, muito provavelmente, estou aqui na minha cabeça, um lugar bem óbvio, já que a audição, visão, tato, paladar e o cheiro das coisas são percebidos em minha cabeça, deixando os outros órgãos como coadjuvantes desta história – menos na dor – porém, me veio uma questão.. será?

Será que estou aqui dentro da minha cabeça?

Bom, posso estar a um palmo sobre ela, ou quem sabe em algum lugar lindo, meditando sobre o cara que represento na Terra e prestes a ficar ensopado?

A vida passa e assim como o esperado, me molho completamente ao correr até o carro, onde entro rindo da chuvarada que inunda o mundo a nossa volta.

Já em casa, são e salvo em minha cama e no silêncio escuro do meu quarto, me procuro dentro de mim sem muito sucesso. O que me faz crer que, tenho que me procurar com mais constância, para descobrir e afirmar com propriedade onde eu realmente estou!

Alma!

Os tambores batem poderosos, ritmados e incessantes.

Bum! Bum! Bum…

A cada batida, um estremecer de terra acompanhado de caras nervosas e insanas.

Bum! Bum! Bum…

Caras feias, línguas de fora, olhos arregalados e rostos ameaçadores pintados para a guerra.

Bum! Bum! Bum…

Gritam, se contorcem e intimidam o inimigo, tal qual uma dança, que igualmente se enche de descontrolada vontade de lutar, bater e matar.

A cada batida, a fúria aumenta, o ódio domina, uma única motivação se faz presente… guerra, o que enraivece cada vez mais para o combate.

Nada aparenta apaziguar ou diminuir a fúria, desta maneira, com socos no próprio peito, tapas na própria cara, ao som de urros de dar medo, tudo parece estar pronto para iniciar o combate.

Bum! Bum! Bum…

Ninguém ali aparenta sentir medo ou vontade de desistir. Todos treinados para aquele momento, metade coragem e outra… adrenalina – droga que aquece o sangue e a vontade de subjugar o inimigo –, pensamentos imersos em raiva, morte e destruição pulsam fortemente em cada um dos seres que ali estão.

– A guerra vai começar. Não há volta? Pergunta o jovem rapaz, filho dos reis de um dos grupos, do alto de um morro em certa distância, próximo daquele campo de batalha.

– Não! Creio que não! Agora, só um milagre! Respondeu-lhe a jovem Rainha, sua mãe.

Obrigado a ver de perto a batalha – exigência de seu pai, para que desde cedo aprendesse sobre liderança e guerras –, já que, na mente do Rei, era a maneira ideal de um homem crescer e aprender, por isso, lá esta o jovem rapaz assistindo aquela cena pesada.

Menino bom, de espírito elevado e querido por todos. Muito provavelmente provindo de uma linhagem espiritual diferente daquele povo rasteiro que se apresentava ali. Algo impossível de explicar para aquelas pessoas bastante primitivas, em tempos remotos e esquecidos, naquele momento de trevas.

Uh! Uh! Uh…

Cantam no ritmo da batida constante! Gritam loucos e ansiosos, os guerreiros desejosos por sangue. Aproveitaremos, em mais uma ótima oportunidade, o quanto podemos ser bestiais, descontrolados e insanos, do jeito que nós humanos sempre somos, como sempre desejamos e nada nos pode deter.

Uh! Uh! Uh…

A batida dos tambores aumenta junto com os urros, a e os corações aflitos pulam nos peitos ardendo afoitos com a adrenalina.

Bum! Bum! Bum…

Tudo parece ser irreversível, até que os céus e a terra explodem em luz e som, diante de brusca e inesperada mudança de clima e um raio que cai próximo a um dos grupos, acompanhado de um trovão vindo de lugar nenhum, que estremece o mundo. Eis que diante do caos, surge ela… linda e com uma calma amedrontadora, cavalgando entre as fileiras dos homes armados!

Todos a veem curiosos e espantados, não pela linda aparência exibicionista, mas pelas muitas histórias ruins que rodeiam aquela figura nas antigas batalhas que não tinha o apoio dela.

Uma imagem que ninguém jamais conseguiu explicar o poder que emanava ao se aproximar. Exatamente como nos contos dos antepassados, ela surgiu e se fez saber:

“Lindos e loiros cabelos soltos, um perfeito corpo nu de mulher branca e extremamente clara, cavalga em um imponente cavalo acinzentado de olhos vermelhos, tal qual um fantasma. Na cabeça da bela mulher, um elmo de caveira, com chifres escuros e em sua cintura um véu esvoaçante muito claro”. Descrição exata da linda mulher que se via ali, contrastando completamente com toda a feiura e a masculinidade grosseira que a cercava.

Uma hipnótica luz poderosa no meio da escuridão, uma ilusão aos desavisados que, porventura, ousassem intervir em seu caminho, dado a grande beleza e aparente fragilidade de mulher nova.

Figura confiante e determinada, ergue seus braços e encerra imediatamente os gritos fanáticos de guerra, calando o ímpeto desesperado por destruir e em seu lugar surge o silêncio implacável!

“Alma! Alma! Alma!” Cochicham num zum-zum-zum respeitoso, assustador… temeroso!

Olhos arregalados, mas não em desafio ao inimigo como se vira até o momento, com intenções de intimidação e luta, mas o de medo insuportável, dos que que desviam assustados e se voltam ao chão, evitando serem encarados por ela.

A Dama Alma, até então um mito, uma alucinação, uma lenda para muitos, agora, em carne e osso! Quem teria coragem de desafiar, ou encarar – olho no olho – a mais temida de todas as aparições uma deusa da guerra?

Respeitada e admirada como uma das mais terríveis guerreiras de toda a mitologia daquele povo e algo poderoso além de suas imaginações.

Dama Alma! Linda, desafiadora e poderosa.

Os homens ao seu redor, ajoelham-se cabisbaixo ao vê-la passar. Amigos e inimigos em silêncio, nada interrompe seu caminho e seu determinado avanço.

Ela para entre os dois grupos inimigos e ninguém esboça reação, mesmo os mais corajosos, que ainda suspeitam de sua realidade. Porém, nem o mais valente entre os dois grupos, ousa sequer desferir palavra ou algum mísero gesto de ataque. Silêncio!

O jovem príncipe, ergue-se animado e curioso em seu cavalo, mas com estranheza volta-se para a sua mãe, e diz espantado:

– Creio que acaba de surgir o milagre que desacreditávamos, mamãe! A guerra pode ter acabado aqui.

Uma voz forte, mas muito feminina e sedutora invade o campo.

– Quem é o responsável pelos grupos aqui presentes? Grita a linda mulher sobre o cavalo inquieto, ofegante e assustador.

Ninguém abre a boca, o silêncio é sepulcral naquela manhã de névoa, garoa e terrivelmente fria.

Irritada pelo silêncio acovardado dos poderosos guerreiros, ela desafia:

– Quem são os malditos líderes deste grupo? Apresente-se ou terei que matar todos os que aqui estão?

Existe uma fidelidade sincera entre todos, mas não havia dúvidas da veracidade das palavras da mulher. O fato é que todos naquele campo iriam morrer.

Estranho era perceber que a linda mulher se transformava lentamente, conforme seu ódio pelos humanos ia crescendo no decorrer do tempo.

A pele acinzentando, o corpo inchando em músculos, a feiura desfigurando suas lindas formas e a formosura se esvaindo de seu belo rosto.

Os que estão mais perto da figura gigantesca, agora monstruosa como um demônio, se afastaram amedrontados e assustados com a horripilante criatura.

Ela, que agora já não podia ser definida como um humano, muito menos uma mulher, salta de seu cavalo, e grunhi feito um animal furioso, soltando um urro forte e poderoso, que quase paralisa os corações mais próximos dela.

Percebe-se que os mais fracos de espírito se fogem rapidamente e se acovardam atrás dos que ainda insistem em não sair do lugar, em uma estúpida demonstração de coragem sem sentido.

Uma voz grossa e monstruosa sai de sua garganta e intima os que ali estão:

– Pela última vez, quem são os líderes dos grupos?

Dois homens se apresentam humildes, a contragosto e de expressões embranquecidas de medo, talvez com a finalidade de uma possível negociação e o desejo sincero de se livrarem daquela situação péssima, para explicarem suas motivações… algo bastante ruim.

O enorme monstro dá uns três repetidos grunhidos leves, como uma espécie de sorriso de deboche e se aproxima a poucos centímetros dos rostos de cada um dos guerreiros – os desafiando –, ato que não foi copiado por nenhum deles, ao desviarem rapidamente seus olhares.

Todos os outros, apesar de fiéis ao seus líderes, porém, com o instinto de sobrevivência em alerta, se afastam consideravelmente do desagradável e fedorento personagem, que mais parecia ter surgido das sombras de algum inferno, enquanto o monstro parece se deliciar com a atmosfera carregada que permeia todo o campo.

Afasta-se dos responsáveis pelas tropas desconfiada e vagarosamente, uma cena que, muito provavelmente, deverá ser descrita como uma eternidade, pois a sensação era uma das piores já vivida por quem esteve de corpo presente e ao lado daquele momento desagradável.

– Vocês sabem que aqui é um lugar sagrado para mim e meus ancestrais? – Perguntou, enquanto acariciava seu gigantesco cavalo.

– Sim! Sabemos que há anos este lugar é sagrado e proibido, mas imaginávamos que estas leis, graças ao tempo que existem, nem fossem válidas ou reais – disse um dos homens –, eram descritas como lendas. Nunca desejamos ofender a sua pessoa ou a de seus ancestrais. Finalizou.

Ainda de costas para os dois homens, o monstro deslizou lentamente suas mãos pelo corpo de seu cavalo, até achegar sua mão em uma afiada e pesada espada próxima a cela do cavalo. A segurou firmemente e pareceu paralisar apoiada no animal. Disse algo muito baixo, como uma reza ou coisa parecida e, em seguida, fez um giro rápido e indefensável. Com um só golpe, arrancou a cabeça do que estava mais próximo e que ainda tentava se explicar.

O segundo homem, em uma reação natural de quem treina anos para isto, ergueu sua espada contra o demônio que gargalhava diante de seu ataque vitorioso. Porém, fora cortado ao meio com uma facilidade impressionante e devastadora.

Alguns outros homens, mais corajosos e fiéis aos seus governantes, até tentaram uma reação e algum golpe fatal, mas era inacreditável a força da gigante, fazendo com que acabasse com as tentativas inúteis, quase que imediatamente.

Estavam todos em choque e humilhados. Centenas de guerreiros sem reação diante daquela fúria, como se a própria Terra tivesse resolvido se manifestar contra aos que ali estavam.

Nos livros de história falarão sobre a coragem e o ataque destemido dos incríveis guerreiros que lutaram contra a Dama Alma, mas os que ali estiveram e presenciaram a rapidez com que tudo começou e acabou, onde os muitos soldados saíram correndo desesperados diante daquela aparição, creio que apenas lembrarão por muito tempo sobre a fraqueza e a covardia que sentiram em suas fugas desesperadas.

Inclusive, no meio de desencontrada correria, onde o Rei ordenara desesperado que saíssem dali, o jovem príncipe fora arrastado por um dos soldados juntamente com sua mãe. Porém, o rapazinho maravilhado com tudo aquilo, mesmo diante de tanto terror, teve tempo de perguntar embasbacado:

– Quem é este monstro?

E sua mãe, com seu instinto natural, que todas mães possuem para defender seus filhos, respondeu puxando seu cavalo junto à ela:

– Uma poderosa força da natureza… a própria Terra… sua Alma! A Dama Alma!

Conclusão

“Cuidado com o que tem feito por aí e os descuidos com o Planeta, você pode encontrar uma força poderosa demais, destas que não se deseja.”

 

Predestinados

Mesmo que quisesse, nada poderia ser diferente, conforme-se e fique tranquilo… está tudo bem!

Já que tudo que se criara até aqui são insanidades muito bem elaboradas por mentes controladoras e temerosas em perder o comando e o domínio…. relaxe!

Olha lá, por exemplo, o belo e imponente discurso do jovem líder religioso, muito bem treinado para repetir frases cheias de preconceitos discretos, pendurado em seu púlpito de acrílico que balança mais que coqueiro na praia, descontrolado diante de tantos ódios disfarçados, sob a aparente vigilância de um Deus humanizado e vingativo, de interesses tolos, descaradamente materiais, com um profundo desejo em ser admirado, cultuado e temido. Aquela velha receita que, curiosamente, se repete e sempre funciona nas mentes aficionadas, bastante desesperadas por alívio.

Trema aflito e emocionado ao saber das criações de seres divinos, poderosos e cheios de uma bondade humilde, que dizem um dia encarnados na Terra, ditos entre nós em tempos muito remotos, para executar o maior de todos os planos e uma única finalidade: serem castigados, mortos em situações suspeitas, sem reações estúpidas, odiosas, submissas, temerárias e muito sofridas. Tentações e penitências para que, em nosso nome e por todos nós trouxessem a paz! (?)

Estas entidades, vindas de algum Reino Celestial, dizem que, diante de tanto sofrimento, pagaram com seus sacrifícios as dívidas divinas que supostamente contraímos e, assim, nos livraram eternamente dos pecados.

Lindo!

Agora, amiguinho, não ouse entristecer-se, revoltar-se e, principalmente, questionar nada… jamais!

Não pense em se livrar de sua dor, do medo terrível, de se sentir confuso e sem rumo, antes de agradecer por tudo o que tem, sente e deseja, inclusive não se esqueça de usar e celebrar seu livre arbítrio… desde que não quebre as regras básicas… você não tem livre arbítrio! :p

O caminho é o rumo que te deram, que o Deus te deu, então, apenas… aceite-o.

Acorde diariamente na melhor hora de seu sono, erga seu corpo sempre disposto e determinado a carregar estes lindos momentos do dia servindo ao sistema, para que no final do mês suas contas estejam pagas, seu carro consiga mal e porcamente rodar – amedrontado por não estourar os pontos de multas e assassinado em um assalto –, suas roupas sejam novas, da moda e sua comida esteja na mesa.

Reze, ame e não discuta… Ele te ama! Ele deseja a paz, mesmo que você nem imagine de quem se trate este tal Deus, mas não questione, apenas adore sua linda imagem, que costumamos interpretar como um velho barbudo, ou aquele outro jovem de olhos azuis e sorriso branquinho.

Não sou o representante de nada e nem de ninguém, mas olhe o que está por aí a sua volta e veja se tem sido bom para todos nós. Esta fé insana que te faz o conformado, imóvel e inútil ser humano que tem visto nos espelhos.

Esta crença cega, maluca e sem sentido te fez um alguém que não significa nada para coisa nenhuma. Sua falta de atitude, imersa em um mundo lerdo e sem ação, não te faz especial em nada, apenas um pau mandado, manso e hipnotizado pelo grande livro dos tolos, mas não rejeite as imposições e padrões, pois para ser feliz na eternidade, é preciso que se siga fielmente o que Ele ordena. Só assim você estará fora do esquecimento e das dores eternas, ou seja, uma vida mais ou menos semelhante a que você e todos os que você conhece e ama já fazem há anos. Batalhadores incansáveis.

Amém, quando te perguntarem, Aleluia, quando te impuserem, Glórias ao que, provavelmente nem sequer existe! Porque desta maneira, seguirás pelo caminho do Eterno.

Mas, então me pergunto… eternamente assim?

– Um ateu! Provavelmente é assim que você deve me julgar neste momento, com certeza! E imagino, também, que você deva crer que não me importo com sua opinião e suas dores. Normal! Porém, engana-se… miseravelmente!

Sonho com a liberdade de nossas almas e a felicidade sem fim, mas não estas bobagens que prometem por aí, mas algo mais real e ainda melhor!

Por favor, compreenda que meu sonho maior é de um possível mundo espiritual perfeito, inventivo, criativo e equilibrado, mas não é estar ao lado de um Jesus da Bíblia, vestido de lençol, extremamente bondoso, sempre disposto a me corrigir e preocupado com a humanidade que me fascina! Me perdoem por isso… mas não quero um cara deste como melhor amigo! Não me sentiria confortável com uma figura destas ao meu lado.

Sonho com uma capacidade intelectual sem limites, descobrimentos sem censuras, explorações inacreditáveis, caminhar sem preocupações e distrações que a matéria nos impõe, longe de políticos gananciosos, politicagens capengas e seus resultados escrotos… óbvio!

Deus, quando já estiver no mundo espiritual e, muito provavelmente para a nossa surpresa, ainda será um mistério inexplicável o suficiente para chocar-se com uma realidade muito abaixo do esperado, já que a existência ainda terá muito de você mesmo naquele momento… pessoa comum e na procura da plenitude.

Desculpe-me por ainda não me curvar para seus deuses, pois por mais fantásticas e surpreendentes que sejam suas histórias, apenas me aparentam ladainhas de pessoas bem rasteiras e, até mesmo, bem intencionadas. Muitas destas bobagens, inclusive, aparentam ter uma dose exagerada de má fé humana na eterna e perdoável procura de um lugar melhor ao sol!

Estou na luta, em busca da espiritualidade sublime, suave e amorosa, mas engana-se quem crê que algumas das propostas até aqui apresentadas me comova e me desperte para alguma possibilidade de entrega imediata. Porém, creio que ainda encontrarei o caminho que me trará consciência divina, cheia de compreensão, Amor Incondicional e um Bem-querer sem igual… tal qual o mar e as coisas simples do universo!

Provavelmente estamos caminhando para esta realidade, mesmo que a passos lentos e distraídos.

Desta maneira… já estamos, de certa forma, sendo!

Obrigado se você conseguiu me compreender e continue assim… uma hora todas ideias se encontrarão!

Não se atrase!

Andava de bicicleta pelas lindas ruas do meu bairro, enquanto curtia uma música suave e descontraída vinda de meu fone. Canções detalhadamente escolhidas por mim, para desfrutar aquela bela manhã de Domingo.

Sem rumo, sem pressa e nem conclusões precipitadas, apenas seguia em frente com a certeza de ser feliz. Mais nenhuma obrigação, um homem sozinho e sem grandes necessidades inadiáveis para que precisasse voltar rápido para algum lugar.
Bom, de fato, sempre há o que fazer, uma louça para lavar, um quarto para limpar e outras muitas obrigações do dia-a-dia, mas diante de minha solidão… quem se importava?
Estava assim, sentindo o sol ameno daquela manhã pacífica, com ventos leves, num dia perfeito e desejável.
Tinha em mente o privilégio do momento e estava contente por estar ali.
Observava ao longe as pessoas igualmente tranquilas que passeavam pela praça, quando a agradável musica provinda de meu celular foi interrompida subitamente, para que em seu lugar um indesejável – pelo menos para o momento – som de uma nova notificação, dessas muitas mídias sociais, disparasse em meus ouvidos. Puxei o celular do bolso da minha bermuda – e ainda tive tempo de notar, contrariado, que o aparelho estava ligeiramente molhado com o suor da minha perna e se estas coisas não fossem extremamente caras, até poderia ter formulado frases motivacionais a respeito do quanto era ótimo saber que aquele suor era o fruto de um intenso trabalho físico que, religiosamente, vinha desenvolvendo muito bem, mas ao invés disto, apenas exclamei: – Merda! E o enxuguei rapidamente.
Era uma amiga me chamando para sair.
Conversei, fiz algumas piadinhas costumeiras e aceitei o convite. Imediatamente fiquei pensativo ao imaginar mil coisas, como de costume.
As intenções eram claras como aquele dia… sexo! Óbvio… quem nunca?
Ok! tudo bem e normal. O jogo é esse mesmo e confesso ser muito cúmplice desta coisa toda, mas o problema não era esse, notara um tanto preocupado que aquele encontro seria o segundo com a mesma menina naquele mês… e pensei: Estaríamos  construindo uma relação?
Relacionamento, algo bom de se ter. Um alguém com quem dividir ideias, sentimentos e momentos… fofo! Sim, por que não?
Minha mente fervilhava rumo a outros caminhos, talvez, muito mais preocupado em mim e as muitas coisas que iria revelar, tais como: minha personalidade estranha, preconceitos bobos, inconformidades e manias esquisitas. Coisas que não saberia responder se gostaria de dividir com alguém.
Ela seria a mesma depois de alguns anos? Tudo o que é novo é maravilhoso, flui com suavidade e alegria mas, até mesmo quando os dias ruins chegarem? Qual seria a personalidade dela e a reação ao me descobrir cansado, confuso, velho e irritado?
Como ela reagiria ao perceber que não gosto de milhares de coisas? Ou que curto muito mais o silêncio e o distanciamento quando desejo  pensar na vida e entender alguns pontos que não estão em seu pleno funcionamento?
E por falar nisso… e quando eu também não estiver funcionando bem? O que nos restará de bom? O que faremos juntos? Será que desejarei estar com ela e ela comigo, ou antes sós do que mal acompanhados?
A vida é um enigma! Um risco… um jogo.
Se errar nas escolhas, posso ter enterrado minha felicidade para sempre! Abandonar minha individualidade, sufocar os lindos finais de tarde despreocupados e contentes, as manhãs calmas, mornas, lerdas e longe destas pressões num destes Domingos da paz?!
Pensava seriamente nesta coisa de compromisso, quando recebi um recado:
– Não se atrase!
Olhei para um casal de velhos que passavam por mim, um homem aparentando seus quase cinquenta anos e uma mulher de aproximadamente quarenta, que discutiam coisas banais. Talvez filhos, falta de grana, compromissos e coisas do gênero.
Andavam um ao lado do outro, de expressões carregadas e em clara inconformidade.
Pensei… será que eram felizes para sempre?
Discretamente os acompanhei de perto, para ouvir a conversa que tinham.
Apenas captei algumas poucas palavras, aparentemente discutiam sobre a vida e as muitas dificuldades que estavam passando. Pareciam cansados de tudo! Desmotivados!
Me afastei deles preocupado com o meu futuro e esta coisa toda que o tal do relacionamento proporciona… e tremi!
Medo de arrastar uma dor, um karma e a insanidade dos muitos compromissos.
Não saberia dizer se queria aquilo para mim, mas na dúvida não hesitei, mandei um recado:
– Olá! Não poderei ir hoje. Fica pra próxima… até! 🙂

200 Amigos

Já dizia o Roberto Carlos: Eu quero ter 1 Milhão de amigos…

Roberto, seu safadão… 1 Milhão é gente pra caramba!!! Tudo bem que acredito que hoje você já tenha muito mais do que isto no Facebook…Creio!

Eu, por minha vez, não bati nem na trave! Porém, para mim, um cidadão comum, comedor de arroz e feijão, profundo admirador das letras e escritas, tenho que confessar… estou bem feliz por ter meus 200 seguidores por aqui! Para mim é uma vitória incrível!

Sim! Existem outros muitos blogs com uma quantidade incrível de seguidores e admiradores, mas eu, apenas um contador de histórias, expert em tropeços e enganos nesta nossa linda Língua Portuguesa, fico muito honrado por saber que sou visto e, até mesmo, querido por alguns deste universo.

Sei que nem todos leem meus continhos e declarações malucas… tudo bem!

Ter um tempo para si mesmo e conseguir ler é uma mistura de fatores que, hoje em dia, nesta louca correria que nos encontramos, nem sempre é possível.

São muitas informações e afazeres, eu compreendo completamente, passo por isso todos os dias da minha vida também.

Estar aqui, criando minhas aventuras e expondo pensamentos, é uma alegria imensa, porque tenho este hobby como um dos favoritos – além de desenhar e fotografar –, em minha vida, mesmo consciente de que, muito provavelmente, não sairei deste estágio.

Este prazer me fez escrever alguns livros, que creio ser bem impossível publicá-los, já que para tanto é necessário um investimento de que não disponho, apesar que tudo pode mudar, pois fui apresentado a um site onde é possível publicar os livros gratuitamente, o que me empolgou bastante.

Meus queridos amigos, creio que o ideal em nossas vidas de geradores de conteúdos, seja nos fazermos presentes e continuarmos lendo, curtindo e dando nossas opiniões para todos que nos seguem, sem isto, nada do que fazemos por aqui se justifica e nem vale a pena! Creio que vocês consigam entender o que digo, porque, provavelmente, é algo que deve acontecer por aí também.

Enfim, obrigado por estarem presentes em meu blog e sigamos em frente! 🙂

200Amigos