Anjo da morte

Não tinha a menor ideia de que isto fosse possível, não mesmo!

Sempre fui considerado por ser um cara honesto, tranquilo, brincalhão e completamente desencanado com os problemas do mundo e suas doideiras capitalistas.

Sério, sempre achei que iria acabar em alguma casinha simples na beira da praia e vendendo coisinhas no verão para segurar a onda no inverno. Só para me manter o máximo de tempo possível pegando onda e ficando perto do mar!

Acho que foi próximo dos 30 anos que a vida deu uma rasteira no rapaz de bobeira na vida e tudo pegou um novo rumo, para me transformar num cara materialista pra caramba!!!

Dinheiro, ter, mandar e impor as minhas ideias. Quem diria?

Por algum tempo acreditei piamente de que havia entrado de alguma maneira em algum portal e me estabelecido no corpo de algum alter ego… sei lá!

Quando comparava a minha vida antes dos trinta e depois, podia-se afirmar que se tratava de outra pessoa… em todos os sentidos.

E o maluco empresário, com uns probleminhas no sangue e desesperado por dinheiro durou até os cinquenta, quando de repente uma calmaria absurda se abateu em minha vida.

Então, aquela sensação de ter atravessado o portal das dimensões se fez presente mais uma vez e algo mudara radicalmente de novo!

Nada sobrara… com certeza! Era uma outra pessoa mais uma vez e esta maluquice é impossível de explicar.

Tal qual um filme de terror, da tranquilidade que parecia confortável, logo se mostrou um pouco mais sombria… eu era, inexplicavelmente, a presença, o testemunho fidedigno ao último suspiro das pessoas. O último encontro… o indesejável Anjo da morte.

Demorei um pouco para entender isto e até me surpreendia em saber que havia estado com as pessoas minutos ou segundos antes delas deixarem este mundo. E muitas vezes sofria por isso, pois acreditava que de alguma maneira poderia ter sido sempre mais interessado, amigo e confidente… um ombro amigo diante do desfecho final!

Pessoas saudáveis que caiam de suas motos, do telhado, no rio, no mar… para sempre!

Presenciei doentes que tinham seus últimos suspiros, conversas lúcidas depois de anos em silêncio absoluto, ou recuperações milagrosas antes do fim.

Tudo acontecera neste sentido, anos e anos até entender que eu não era uma mera coincidência, mas o motivo do fim… o tal do Anjo da Morte!

Sim, sei que você talvez imaginasse um ser obscuro vestido de preto, o rosto seco de uma caveira e portador do recado derradeiro… pois é, não é! Sou eu… esta pessoa comum, um cara completamente normal e de boa.

Já tentei escapar destes encontros finais, mas não foi possível… parece ser minha sina! Minha missão!

De alguma maneira a coisa se “profissionalizou” e agora sei com quem devo encontrar e tento fazer isso ser muito natural, tranquilo, com um bom bate-papo e numa energia positiva… a mais maravilhosa.

A última conversa lúcida e agradável antes do fim!

Sinto muito que eu tenha me tornado isto, mas que seja o melhor disto que puder ser. Se for possível, dentro meu ângulo, pois não creio que esta visão otimista aconteça com os que partem.

O melhor encontro que se pode ter com um Anjo da Morte.

Ei! Sinto muito e tenha um bom fim!

 

 

 

 

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– Você é meu!

– Ei! Vai pensando que o garotinho é um menininho bobo… vai nessa!

Escutei a Margarete dizer para uma outra amiga antes de sairmos correndo sala afora, doidos para nos livrarmos de mais aquele dia de escola. Porém, mesmo sabendo de que ela se referia a mim, talvez porque tivesse visto ou sabido de alguma coisa, não dei bola e continuei meu caminho, um pouco envergonhado. Nunca fui muito curioso, sempre achei que se alguém desejasse me dizer algo, esta pessoa viria até mim e falaria. Se não disse, é porque não me interessa e ponto final.

Mesmo porque, o assunto que ela queria puxar, eu não queria conversar com ninguém.

A vida é uma doideira que rola solta e pode te surpreender, pode crer.

Abri a porta de casa, dei um abraço no meu filho e fiquei vendo ele ir para a escola. Não sei porque, lembrei da frase daquela menina ao se referir de mim, coisa antiga de muitos anos atrás.

Senti tristeza e um nó na garganta me derrubou por alguns instantes.

Nem toda história é boa e traz uma energia legal, mesmo que em muitos casos, nem tenha feito um mal tão terrível assim.

Ainda com sono, por ser muito cedo para mim, sentei no sofá e ruminei aquela história que aconteceu há muitos anos.

Era um dia comum como qualquer outro, aproximadamente umas 19h e nem o rapazinho da história que vou contar sabia o que iria acontecer, já que ao terminar mais um dia de aula, colocou os cadernos na mochila e voou direto para o portão, louco para chegar em casa, assistir seu desenho predileto, comer, brincar e dormir… como sempre!

Ah! A vida é um lugar estranho para se estar, coisas acontecem sem que você tenha planejado, ainda mais quando você é uma criança inocente e distraída, como é o caso deste menino, no começo da década de 80.

Ele saltou de sua carteira junto com todas as outras crianças e correu para a saída.

Falou algumas últimas palavras com seu amigo e se desvencilhou rapidamente dele, já que a vontade de estar em casa era descontrolada.

Falava-se muito de assédio de meninas e pouco se conversava sobre meninos, por isso, creio que foi exatamente por este motivo que ele, sem maldade, parou para ouvir uma moça que surgira do nada e o interpelara.

Ele, menino bom e educado, como era de seu costume, não deixou a garota sem resposta, pois considerou um ato de má educação, sendo assim, parou diante dela e, mesmo querendo muito ir embora, tentou ouvir o que ela tinha para contar.

– Ei! Você estuda com a minha prima. Viu a Margarete sair da classe?

Fez cara de surpresa, mas como conhecia a moça de quem a garota se referia, balançou a cabeça afirmativamente, já que ele realmente estudava com ela.

– Não a vi! Mas, acho que ela já deve ter saído! Respondeu sem muita certeza.

– E você? O que vai fazer agora?

Aquela pergunta era bem estranha e não soube responder… não tinha malícia para aquilo, mas não conseguiu desprezar a conversa e, sendo assim, quis saber onde ela queria chegar.

– Vou para a minha casa! E … nada mais! Respondeu um pouco tímido.

Sentiu um frio no estômago, um medo estranho como um portal para uma dimensão tivesse se aberto diante dele, mas não conseguia identificar o porquê do medo, da repulsa e do desejo esquisito de sair correndo.

– Você tem quantos anos?

– Dez!

Ela sorriu, disse que tinha 17. Riu do bobinho diante dela, depois afirmou que era, mesmo, muito mais velha e mais experiente.

Sem jeito, confirmou com um sorrisinho atrapalhado e perdido, mas entendeu que muito provavelmente ela queria divertir-se com a inocência dele, mas não conseguiu correr… apenas gelou, tremeu, mas ficou para ouvir o que ela tinha para dizer.

– Você é um menino muito bonitinho! Quer namorar comigo?

Ele tomou um susto, um frio, uma zonzeira… medo! Baita medo! Não sabia explicar, mas tinha certeza de que aquilo era errado… bem errado! Pensou em sua mãe, em seu pai e desejou nunca ter parado para ouvir aquilo! Pareceu bem perigoso.

– Está com medo de mim?!

A palavra “medo” era exatamente a que conseguia definir com precisão aquele instante! Medo terrível… de verdade! Porém, ele odiava sentir medo, que soubessem ou descobrissem este sentimento nele e foi por isso que não correu dali.

– Não! Acho que não! Tenho que sentir medo de você? Respondeu com uma firmeza que não tinha e nem sentia… o que a surpreendeu.

Ela sorriu, acendeu um cigarro, encostou no muro da escola e o ficou admirando com cara de safada e de quem tinha mil maldades em mente… coisas sobre sexo, com certeza.

Ele, por não estar entendendo nada, sorriu de volta e a ficou admirando… sentia coisas diferentes em seu corpo. Sentiu calor… muito calor. E se algum conhecido o visse ali e falasse para a sua família?

A perna tremia, a barriga se mexia, parecia que estava em perigo, mas ao mesmo tempo queria entender o que aquela moça queria com ele.

Ela era morena, estava com um shorts curto de jeans onde se podia ver lindas coxas grossas e lisas, a barriga aparecia vez ou outra, deixando mostrar propositadamente um lindo corpo muito bem feito de mulher… algo inadmissível para sua idade, seus sonhos infantis e desejos bobinhos.

– O que você sabe fazer, garoto? Disse se insinuando.

Podia dizer a verdade, ou seja, que não entendia nada de coisa nenhuma, mas apenas riu sem graça.

Estavam sozinhos na rua, todos tinham partido, – como era de se esperar graças ao horário –, algo rolava solto ali, uma situação muito diferente para ele.

Ela jogou seu cigarro para longe, abriu maliciosamente uma bala de hortelã, fez um silêncio de poucos minutos, aproximou-se, colocou seus braços em torno do pescoço dele, puxou seu rosto contra seus seios, pegou forte em seu cabelo e levou a boca dele até a sua.

Deu-lhe seu primeiro beijo!

Um gosto de hortelã que nunca mais esqueceria!

Ela o olhou bem de pertinho, olho no olho e deixou claro quem mandava. Depois o intimou: – Agora, você é meu!

Encerrou aquele dia, assim como muitos outros que iriam acontecer –  intimado e sem escolha!

Ninguém jamais soubera do que vivera naqueles tempos. Apenas lembranças, um certo incomodo e nada mais!

Hoje, o medo voltou e o nó na garganta daquela época rondou mais uma vez nos pensamentos!

Fechei os olhos e fiz uma prece, como há muito não fazia!

Em silêncio quase pude ouvir aquelas palavras mais uma vez, um cochicho ameaçador de algum fantasma mal resolvido:

– Você é meu!

 

 

A polêmica da vez é…

Tudo parece muito óbvio e certo!

Mundo, mundo, vasto mundo! Me chamo Raymundo e tenho uma bela rima em mãos! kkk

Não sei se você tem a mesma sensação que eu, mas não são poucas as vezes em que me sinto atrapalhado com tanta polêmica inútil! Principalmente com as que surgem na Tv, em algumas mídias sociais e que nos exige uma opinião! Ser assim ou assado… cozido ou refogado! Se você não tiver e nem ligar para isto, então as pessoas têm uma denominação para te definir e te jogar em um grupo.

“Tretas” programadas para que nossa revolta e o medo nunca deixem de existir? Parece que sim. Coisa louca e que deve, de alguma maneira, trazer algum benefício para alguém! Só sei que para mim que não é! :p

Tenho a impressão de que vivemos dentro de uma programação imbecil onde até nossos ódios e demônios são claramente um teatrinho para que, desta maneira, as revoltas da população estejam sempre no controle!

O dedo em riste para te cuspir na cara uma definição. Para te dizer de quem se trata o monstro que você carrega consigo! Alguém digno de escárnio e desprezo!

Bom, pelo menos é assim que identifico as ondas de problemas que surgem com frequência em nossas Tvs.

Vai pensando que não dá certo, bobinho! O pessoal abraça mesmo e, assim como naqueles filmes B de terror, saem nas ruas com suas tochas em mãos procurando o “inimigo”. Ok, hoje em dia não são tochas, mas os celulares! Filmam, gritam, brigam e esperneiam! Tá danado! :p

Vivemos ódios controlados e reivindicações programadas.

Cara, na boa… e espero que não venham querer me apedrejar em nome de nenhum Deus, crença, honra ou seja lá o que for por pensar assim.

Sinto que há uma doideira rolando para que as pessoas se revoltem em exagero por algum tema que a mídia lança no ar. Desta forma, me vejo lendo repetidamente alguns temas que aparecem e desaparecem, como se tivesse alguém direcionando a rebeldia geral.

Como se até a nossa revolta não tivesse motivos reais e escolha própria. Não podemos ficar putos (ou felizes) com assuntos de nossa alçada? Temos que sofrer e nos preocupar com dores que não temos? Mesmo?

Prestem atenção e tomem cuidado, o excesso de uma informação, a tão famosa histeria, polêmica e sensacionalismo, podem não ser uma dor de verdade, mas uma ocupação programada na sua mente, algo para dominar a sua vida.

Desliguem suas Tvs destes programas cheios de dores e dramas… podem estar rolando umas lavagenzinhas em sua cabeça e fazendo com que você abrace uma loucura que não é sua.

Tipo a fofoqueira que envenena a vizinha feia contra a bonita para que o barraco role solto. A delícia disto tudo é ver a  destruição da “rival” linda e se divertir com a feia rolando na rua. Raramente a bagunça deixa de acontecer, pois a trouxa da barraqueira abraça a dor da Fofoqueira e bate na mulher bonita. E para ser melhor e perfeito, nada como um videozinho para subir no YouTube, WhatsApp, Facebook e afins! Para que voce tenha uma “opinião”. Como se isto fosse relevante! :p

Entenda qual é a sua e o porquê de tanta informação “Bosta” que rola (mesmo) solto neste nosso mundo.

Fofoca, barraco e porradaria não é de Deus (creio), – se é que você se importa com isso –, assim como esse excesso de temas sociais, que na real só tem a função de te manter com a mente ocupada em porcarias e te desinformar de vez!

Não seja um Zumbi! Isto pode estar rolando na sua cabeça neste instante. Pense por você mesmo, ou melhor, nem pense nisto… vá viver!

Se um dia o mundo tiver mesmo que evoluir, sugiro que fuja destas revoltas provocadas, parem de assistir estas porcarias e se ocupem com outros assuntos, de preferência os que realmente importam e que sejam relativos ao seu mundo, sua família, aos que ama e a você mesmo.

Se me perguntarem se estes temas que a mídia lança existem, afirmo que sim, mas não é bem assim! Não a ponto de ter uma opinião e lutar por isto.

Fuja do lenga-lenga, de ter razão e se importe mais consigo mesmo!

Tenho esperança de que a coisa vai melhorar e uma boa dica para mim mesmo creio que seja… vou cuidar mais de mim!

Pense em todos os Seres de Luz e se o que está aí é algo com que eles se preocupam. Um mínimo de raciocínio e vera que o melhor é se fechar, desligar destas bobagens e seguir com melhores intenções, frequências e pensamentos!

Fui! :p

Dorme com a Cuca!

– Estão querendo se exibir, é óbvio que esta risada alta e esta desenvoltura toda é coisa de quem quer ser reparada. Sei como é isso! Pensei comigo mesmo, sem mostrar que as percebi, por isso, passei na minha e sem dar muita atenção.

Elas eram novas, gatas, gostosas e vestiam roupas leves de verão.

Eu estava no meu auge, me sentia forte, vivo e transmitia segurança, dessas que assusta os caras e atrai as garotas.

Tinha uns 18 anos, cabelo comprido até a cintura, um skate no pé e um sorriso fácil.

Nada me faltava naqueles tempos. Tinha o que precisava e curtia o que tinha conquistado. Só alegrias, uma vida boa e sabia daquilo tudo que me rodeava.

Na época, saia com 4 meninas ao mesmo tempo. Ok, você deve pensar que me achava grande coisa… sei lá! Acho que não!  Porque sabia que cada uma delas também tinha seus muitos outros amantes.

Uma delas, inclusive, transava com uma outra garota, sabia daquilo porque tinha sido apresentado para a menina e pude curtir uma noite de muitos beijos a três. Só não rolou sexo. Ok, pense que amarelei, normal! Porém, isso não ficou muito claro, apenas disfarcei e fechei minha noite com a que sempre ficava – Melhor assim –, imaginei na época.

Obviamente você pode estar concluindo que provavelmente desisti porque não iria dar conta. Pois é, não foi por causa disto.

Quando estávamos em um certo momento daquele encontro apareceu um namoradinho desta segunda e, por falta de intimidade com este rapaz e por desejar a noite com a que sempre fiquei, – e por realmente não querer ver homem pelado –, dei um jeito de sairmos de fininho e curtimos nosso romance sem ter que passar por isso!

Ok! Fui jogado a “pó de bosta” depois pela menina que não ficou conosco… mas isso é outra história!

O que lembrei nada tem a ver com o fato de ficar com estas amiguinhas, – mesmo que me faça pensar no milagre de não ter morrido de Aids… e nem ninguém que eu conheça daquela época… creio.

Apenas penso no quanto estava todo imponente em não dar conversa para as duas meninas que se exibiam escandalosamente para chamar a minha atenção.

Quis ser o gostosão intocável e inatingível, mas o destino tinha outros planos para mim, pois meu skate travou em uma pedrinha minúscula no asfalto, o que travou de imediato as rodas e me lançou a uns 5 metros pro alto, fazendo com que eu finalizasse a queda de cara no fusca vermelho estacionado logo ali, do outro lado da rua.

Nem olhei para trás, ergui-me rapidamente constrangido sob os risos descontrolados das, até então,  minhas fãs e continuei meu caminho… humilhado!

Talvez, porque toda a situação foi muito marcante para mim, a partir daquele dia comecei a reparar nelas com um pouco mais de atenção.

Nunca nem sequer nos falamos em momento algum, mas as reconhecia em lanchonetes, escola, baladas e em qualquer canto que fosse e sempre as percebia acompanhadas de alguém.

Uma das últimas vezes que as vi, estavam acompanhas de uns conhecidos meus. Estes, me disseram dias antes, estavam preocupados por terem participado de uma bagunça com umas meninas que diziam estarem infectadas com algum vírus sexualmente transmissível.

Não sei se referiam as minhas ex-fãs ou se eram outras garotas. Porém, com certeza – e desculpem a sinceridade –, me senti aliviado pra caramba por terem se afastado de mim!

Poderia ter morrido de forma bem sofrida em algum leito detonado da periferia.

Não sei se rolou uma interferência divina… mas confesso que, na época, ao deitar no travesseiro… dormi como um bebê! 🙂

 

 

 

Desculpa!

 

Depois de tantos anos… te reencontrei!

Assim, de bobeira e do nada.

Caraca! Que susto imenso… como se tivesse vendo um fantasma, alguém que pensei estar morto.

Susto, surpresa e ao mesmo tempo uma grande alegria… um velho amigo querido!

Um encontro inesperado em um lugar inusitado, distante de tudo aquilo e daquela época.

Veio em mente muitos momentos malucos, pessoas complicadas e dias estranhos!

Tantos se foram, morreram e se perderam completamente… e você… está vivo?!

Ninguém nunca me disse isto… ninguém!

Achei que você fosse mais um daqueles. Porém, em uma curva dessas, num lugar completamente diferente de onde viemos, em que fomos criados, surge você… vivo?!

Os tiros, a dor, a correria! Caralho… que merda!

Amizade é uma coisa estranha, quando é forte e de verdade, mesmo depois de tantos anos parece que tudo ainda está ali. Nada mudou!

O estranho é pensar que você tinha morrido…assim como os outros que viveram aquela época! Que estranho!

Te dei um abraço de surpresa, me faltaram as palavras e percebi que você também ficou chocado.

Vi que está tudo bem e que a luta continua.

Sei que você também achou estranho pra caramba, por termos corrido, fugido daquilo tudo e nunca mais termos falado um com o outro.

Agora somos velhos, meio sem graça e sem palavras.

Que reencontro maluco!

Lembrei daqueles tempos e do terror que correu solto.

Do tempo que carreguei esta dor e o remorso de não ter ajudado… apenas corri. Todos correram.

Antes de partir você me disse que foi mal e que teve que fugir.

Balancei a cabeça e fechei os olhos, de quem está fugindo até hoje.

Foi bom, desta vez nos despedimos direito.

Fiquei um pouco aliviado, todavia não marcamos um reencontro.

Você se virou para partir e apenas murmurei:

– Desculpa!

 

Disfarça

Ele estava meio caladão naquele dia, parecia entristecido e distante.

Abri a cortina e escancarei a janela, como sempre fazia quando o visitava, e desejei-lhe um bom dia.

Nem sei dizer se era uma espécie de ritual que havia criado para carimbar a minha presença por ali, ou se era uma forma de tentar despertar alguma reação daquele moribundo.

Só sei que o retorno era quase sempre o mesmo, ele me recebia com cara de poucos amigos, resmungando alguma coisa em voz baixa, – talvez uma resposta mal criada ao meu cumprimento e a minha invasão –, mas depois sorria discretamente com olhar de deboche, talvez por me querer bem demais, reconhecer minha intimidade como algo bom e por saber que aquilo significava uma trégua para sua solidão devastadora.

De qualquer maneira, nunca fora uma pessoa amarga de fato, no máximo… sarcástica.

Ele era meu herói, mesmo diante daqueles tempos ruins, de fraqueza, cansaço e isolamento, que em nada representava a figura fantástica, bem humorada e aventureira de outrora.

Ainda tinha uma fagulha do rapaz de anos atrás, alguém com muitas ideias, pensamentos rápidos e respostas engraçadas, mesmo já não tendo aquele vigor e nem por desejar estar mais por aqui.

– Vai ficar neste quarto para sempre?

– Creio que não por muito tempo, respondeu se examinando no espelho, como se profetizasse alguma cena terrível… um possível fim!

Não o repreendi e nem tentei disfarçar a tristeza que rodeava o ambiente, apenas mudei o foco de nossa conversa.

– Está um dia lindo lá fora!

– Um bom dia para morrer?! E sorriu de cabeça baixa, ainda sentado na cama, com seu pijama descolorido e surrado.

Pensava em como aquele cara alegre, divertido, cheio de histórias e piadas, acabara tão depressivo.

– Você vai insistir com este climão delicioso? Baita deprê, meu! Sai dessa!

– É o que eu mais quero neste momento, sair desta! Mas, acho que infelizmente não será hoje! E me olhou de ombros levantados e cara de sacana, como se não entendesse minha reprovação para aquelas piadinhas.

Esconder a dor, a tristeza de um corpo mais velho e sem forças.

Ter que abdicar de algumas alegrias, se desinteressar em saber do outro, não acompanhar as novidades, não ter condições físicas para suportar e prosseguir?

Nada! Nada combinava com o que ele era de fato! Já tinha partido… era questão de tempo. Pouco, creio.

Não sei o quanto ele continuará por aqui, mas não creio que se estenda por muito mais, pois o fim se aproxima.

Triste afirmar que lhe parece bom!

Ele apenas vive o seu disfarce o melhor que consegue.

E eu também.

 

 

 

 

 

 

Está tudo bem!

Naqueles tempos nem sequer percebia o que estava vivendo.

As pessoas queridas que existiam ao seu redor, a alegria e o bem querer que acontecia diariamente em sua vida.

Seguiu o ritmo dos dias, semanas e meses… sem se dar conta do que tinha a sua volta.

Introspectivo e silencioso, apenas viveu a vida.

Amou em silêncio, sofreu com um sorriso no rosto, suportou os desafios distraidamente, mesmo que sua vontade era sair, arriscar, conhecer e descobrir.

Levantava cedo, ia estudar, treinar, brincar e cumprir com as obrigações de maneira contida, automática e quase entristecida.

Hoje, a saudade bateu forte quando finalmente reparou que nada do que o segurava naquela época existe mais… passou, sumiu, ou morreu! Nem ódios e nem amores… nada! Não sobrou nada!

Não saberia afirmar quem era o inimigo… nem os amores!

Quem era o aliado ou o desafeto.

Os animais de estimação ou as roupas que usava.

Se era bom, ruim ou os dois.

O que lia, assistia, via ou fingia não ver.

Tudo foi embora… nada mais existe daqueles tempos, só a lembrança de um menino bom, inocente e de grande coração.

Bateu uma sensação de choro… coisa tão esquecida em sua memória e rara em sua vida adulta.

Se pudesse voltaria, não por um e outro, mas por si mesmo… por aquele menino gente boa.

– Fique tranquilo, garoto! Tudo vai bem… não se preocupe tanto.

Está tudo bem!

 

 

Canal no Youtube

Link: Canal da Patriamarga no Youtube

 

 

Pois é! Senti a necessidade de criar um Canal no Youtube e colocar alguns pensamentos para fora.

Este primeiro vídeo intitula-se “Apresentação” e lá dou os meus primeiros passos neste Canal.

Não sou um poço de beleza e elegância e nem super interessante, é verdade, mas creio que ter um Canal nos aproxime mais e algumas ideias são mais bem explicadas.

Nos próximos, creio que falarei sobre alguns textos e opiniões pessoais sobre o Universo! kkk

Ei! Vai lá, se inscreva e ajuda aí! kkk

Obrigado pelo carinho de todos vocês!

Até!!! 🙂