Mente na dor | viagem

E ao me deparar com uma dor sem fim, provinda de uma possível picada de aranha que inflamou, se tornou uma bela ferida dolorida e inchou minha perna, me preocupei com a tal da finitude… mais uma vez!

Uma mistura de tristeza, incerteza e perda se misturaram em minha cabeça e… chorei!

Porém, não um choro de medo por perceber que estava fragilizado, mas por tudo aquilo que nunca fui e nem serei. Quem sabe por me entender um cara limitado?

Talvez tenha faltado aquela aula de catecismo, meditação, ou somente ter tocado uns tambores por aí… né não?

Imaginava as muitas coisas que poderia ter feito, realizado e trazido para a minha família, mas que, talvez, nunca iriam se realizar.

A dúvida crescente por não ter ideia de qual o caminho a seguir, se em débito com alguém, se deixaria saudades nos corações das pessoas que conheci no decorrer desta vivência ou ódios e descontentamentos sem fim. Isso abala a gente quando a dor é preocupante.

Se partisse, deixaria para trás o que sou hoje e nem sequer me lembraria das muitas pessoas que amo? Pode ser uma possibilidade, já que ninguém volta para explicar que merda tá rolando! No máximo aquelas aparições rápidas que fazem com que coisas se mexam e flutuem sem sentido!

Será que depois que morremos ficamos bobos? Infantilizados? Perdemos a capacidade de dar um telefonema, uma carta, um e-mail… qualquer sinal civilizado? Será que serei assim também?

Me tornarei uma nova pessoa e terei novos objetivos? Tipo o moleque que entra no colégio e não quer se misturar com a garotada do ginásio?

– Aqueles juniors idiotas que vão queimar meu filme com a minha nova galera? Tô fora… sou Super-Adulto agora… tô em outra!! :p

Ok! Naturalmente já não tenho maturidade para lidar com várias cenas e situações da vida que mereceriam extrema responsabilidade e total seriedade de minha parte, imagina se me dessem a capacidade de dar uns sustos por aí… acho que serei um fantasma bobão, mesmo! :p

Que saco! Tenho tanta coisa séria, legal, divertida, amorosa, amistosa e querida pra fazer por aqui ainda!

Foco na dor, mente na dor e, ao mesmo tempo… disfarça que talvez me errem.

– Mente na dor! Você que dizer, Foco?

– Não! Mente mesmo… porque a mentira é uma viagem, as vezes, faz a coisa horrível melhorar! :p

Pô! Creio que essa viagem toda deva ser fruto do excesso de remédios… apenas… desconsidere!

 

E se…

Como qualquer humano, dono de uma razão comprometida pelos sofrimentos naturais que todos passam, me questionei sobre a vida.

Sentei em meu canto e meditei sobre o assunto e visualizei as possibilidades.

Crer no invisível ou dar de cara com a realidade fria e objetiva? Qual é o caminho?

Então, com a sensatez que a vida nos exige, me propus: E se desejar a realidade?

casinha

Lógico! Por que não?

Diante desta afirmação e esta certeza absoluta, me convenci que toda a fantasia devia ser retirada de minha vida, por isso, passei a seguir os conceitos mais realistas possíveis e persisti apenas naquilo que apresentava como real, que tivesse alguma prova científica e fosse totalmente palpável.

Sendo assim, a primeira coisa que eliminei foi Deus.

Passei a justificar… se não há material suficientemente claro e fisicamente visível, é apenas uma invenção e um delírio coletivo.

Desta maneira, não rezava, não clamava e nem sequer erguia meus olhinhos aos céus em busca de alguma ajuda ou visão reveladora. Apenas a frieza e o vazio de quem está só e ao acaso pelo mundo. Num planeta de terra, água e outros materiais no qual me sustentava – dia após dia – em prol de uma existência sem um sentido claro e objetivo… sobreviver!

Meus ancestrais passaram a ser uma história vazia, de pessoas que por aqui passaram e se foram para sempre. Nem céu e nem inferno, somente vazio, o fim… e ponto.

Toda natureza, o mar e os animais passaram a condição de objetos para o uso indiscriminado e irrelevante. Segundo plano, secundários, material para exploração e usufruto humano.

A espiritualidade deixou de ser uma busca ou um desejo profundo de conexão com algo superior. Me via acreditando apenas no que aqui estava e tudo relacionado a alma já não era importante. As coisas relacionadas neste sentido pareciam infantis demais para serem levadas a sério. Com o rosto cheio de desdém e sarcasmo, afirmava: – Somos matéria e nada mais.

O Amor Incondicional passou a ser uma perda de tempo, assuntos para gente fraca e iludida. Acreditava piamente de que toda expressão de amor era uma bobagem.

Só a força física, agressividade e o sexo podiam justificar minha existência, se tornaram minha palavra de ordem.

Assim, o que é meu é meu e o que é seu… é meu.

Passei a crer, com todas as forças, que a necessidade e a verdade, a partir do momento em que me descobri como uma pessoa material e um sobrevivente – no ponto de vista mais carnal possível –, não me trazia orgulho algum ao me deparar com emoções ou impulsos de defender os valores da alma. Tudo se tornou paixão, desejo e uma corrida maluca rumo as conquistas, como um corredor furioso, consciente de seu prazo de validade e conhecedor da inevitável finitude.

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Por outro lado, se cria no invisível e afirmava esta realidade como o caminho ideal a ser seguido, então, só podia me render ao Amor, a doçura e a fragilidade humana. Sem me prender a nenhum tipo de dor humana, por mais dura e intransponível, mesmo que esta carregasse meu corpo cansado aos castigos mais doloridos, crer nas almas dos seres mais evoluídos e seus maravilhosos propósitos junto a mim, me trazia forças para superar e prosseguir.

Seguia confiante, confiável e desejoso de que a alegria, fartura e a bondade infinita fossem para tudo e todos, sem me importar com acúmulos e montantes para mim mesmo… só desejava seguir em paz com os assuntos da alma.

Não chorei e me torturei pelas indiferenças, arrogâncias e maldades humanas, já que estas, nem sequer eram notadas por mim… jamais! Nunca se tornaram meu foco e nem me desviavam do caminho.

Andava humilde e esperançoso de que esta energia suave e poderosa atingisse as pessoas, revelando e amansando, principalmente, os que nada viam, criam ou confiavam, pois todos estariam, em algum dia, em lugar melhor.

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Todavia, se resolvesse dar as costas e insistir em nada ser, apenas prosseguir e afirmar: – Siga seu caminho e não me comprometa. Ainda assim, estaria por aqui escrevendo, desenhando e seguindo em frente… exatamente como sempre fiz!

Uma alma cheia de dúvidas, erros banais e um cansaço tremendo, mas carregando a vontade sincera de que os dias fossem melhores para todos nós! 🙂

Rudolf e Fanfis.

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– Estou sem paciência, para nada. Não me chamem e nem sequer lembrem de mim. Me esqueçam por um tempo.

Foi o que escreveu em um bilhetinho mal feito, no primeiro papel que encontrou pela frente antes de partir sem rumo.

Rudolf era homem alto, forte que só e rústico feito um animal selvagem. Desses grandes demais para ser enfrentado, por isso, seu bilhete tosco – fincado na bancada de madeira com um punhal que ele mesmo fizera –, fora lido e entendido imediatamente.

Em sua mochila apenas o essencial. Tinha pela frente uma longa caminhada com destino ao local mais afastado possível que poderia ficar de tudo e todos, naquela praia isolada – depois da floresta –, numa cabana que construíra intencionalmente simples, bem afastada da pequena cidade onde vivia. Quando ele estava esgotado e emputecido com o mundo, das milhares de regras e exigências que o cercava, somente a natureza tinha o poder de recuperar suas energias.

Chegou cansado, mas se sentindo feliz e integrado ao refúgio, completamente escondido por árvores e um riozinho discreto que o fazia muito feliz, já que aquilo o bastava.

Olhou animado para a sua cabaninha, a achou bonita e especial, como sempre. Flores, que até então desconhecia, cresciam em abundância e de um colorido especial – entendeu aquilo como uma saudação, um presente da natureza em homenagem à sua chegada e sorriu satisfeito.

Sabia como deveria agir por ali, sendo assim, a primeira coisa que fez antes de qualquer coisa, foi acender sua lareira para garantir uma noite agradável e quentinha, apesar da época não ser as das mais geladas.

Arrumou, ajeitou, limpou e colocou em ordem. Cozinhou e fez seu chá predileto para, finalmente, poder descansar. Desta forma, sua cabana estava ótima para passar mais um tempo e, por fim, sentou em seu canto predileto.

Se sentia calmo e completo naquele isolamento. Era a oportunidade perfeita para colocar a mente no lugar e recompor seu corpo gigantesco da fatigante vida em sociedade.

Estava deitado entre as cobertas em sua cama, feita de penas e madeiras que juntara da natureza, por isso, já estava quase dormindo, quando teve a sensação de ter visto alguma coisa passar na frente da visão de sua porta de entrada que estava aberta. Talvez algum animal, pássaro e, nas últimas das possibilidades, uma pessoa.

Não era comum receber visitas por ali – para não dizer… impossível, graças ao isolamento do lugar–, mas algo passou entre as árvores e se não estivesse ficando maluco, mesmo desacreditando da possibilidade, lhe pareceu ser uma menina.

Ergueu-se rapidamente, arremessando suas cobertas para longe e foi até a porta para averiguar o que estava acontecendo.

Olhou e olhou, com a calma de um caçador e a experiência de quem sabe o que procura entre as árvores, mas nada lhe parecia chamar a atenção.

Tentou crer que, muito provavelmente, tinha pegado no sono e, por isso, sonhara com a tal aparição, mesmo tendo certeza absoluta de que visualizara alguém.

Naquela noite, ao contrário de todas as que já passara por ali, deitou desconfiado, dormiu atento e teve uma péssima sensação de estar sendo vigiado, ou melhor, espiado, sendo assim, acordou irritado e num mal humor de arrepiar, pois seria capaz de jurar que vira a mocinha rondando sua casinha por mais algumas vezes.

A presença fantasmagórica da garota estava tão constante em seu dia a dia que não lhe restava a menor dúvida de que tratava-se de um ser real e presente por ali, mesmo que a visse de relance e por milésimos de segundos, só não era possível afirmar o porquê daquilo.

Mesmo ressabiado,  continuou seus dias com naturalidade e sem nem alterar em nada a rotina que se propusera para si. Levantava cedo, nadava no mar limpo e azul, surfava, pescava, tocava seu violão, recolhia madeira e montava sua fogueira sem se preocupar, mesmo percebendo de relance a garota branca e de enorme cabelo branco que o observava do plano paralelo de onde deveria morar, pois cada vez que ele tentava a enxergar de frente, a moça desaparecia tal qual um fantasma.

Com o passar dos dias percebeu que a menina se aproximava mais dele, tendo a sensação de acordar, muitas vezes, com ela sentada aos seus pés o observando em silêncio, mas logo desaparecia quando tentava entrar em contato direto. Por isso, não raramente, ficava falando sozinho na tentativa frustrada de se comunicar. 

Aquela aparição o deixava muito atrapalhado, já que a via apenas de cantos de olho e muito rapidamente.

Alguns dias naquela situação e começava se adaptar com a situação, tanto que passou a perceber que ela também não o observava completamente de frente, mas o buscava pelos cantos dos olhos e, assim, ao compreenderem melhor como aquilo funcionava, passaram a conviver mais perto um do outro, sem fixarem olhares e, muitas vezes, ficavam horas, lado a lado na praia, sentados e observando o mar… em profundo silêncio, já que ela não pronunciava um som sequer.

Através destas observações de rabo de olho e sem foco, ele pode perceber que ela era uma espécie de projeção, como se fosse uma imagem holográfica, o que justificava a falta de som e a facilidade com que ela chegou por ali, já que a caminhada era bem difícil e concluíra que ela não se encontrava naquele lugar de fato, mas uma imagem de alguma realidade de outro lugar, mundo, plano, ou qualquer coisa no sentido.

Estava ali, naquele final de tarde adaptado, tranquilo e feliz, ao lado de sua “amiga imaginária”, quando resolvera pegar sua velha prancha para curtir as boas e suaves ondas que rolavam maravilhosas por ali.

Não disse nada, apenas ergueu-se da areia, pegou sua prancha e remou calmamente para dentro do mar.

Desta maneira, com algumas braçadas calmas e longas rumo ao fundo, umas ondas para trás e um lindo sol alaranjado pela frente, parou de remar, sentou em sua prancha e olhou em direção a praia, onde esteve toda a tarde sentado com sua mais nova amiga, que tomou o maior susto de sua vida, tanto que naquele momento, completamente desequilibrado de sua prancha, caiu na água apavorado. Logo atrás das árvores mais próximas de sua casinha, onde geralmente deveria haver mais um monte de outras muitas árvores, havia por ali, naquele mesmo lugar, uma enorme cidade futurística com muitas naves voando ao redor.

– Uaaau! Exclamou admirado, trêmulo e de coração disparado.

De alguma maneira, toda aquela região parecia outro lugar e com outro cenário, como se tivesse aberto um portal – ou qualquer coisa do gênero –, para um mundo completamente desconhecido até então.

Estava estupefato, tanto, que depois de alguns minutos deslumbrado com aquela aparição, pode perceber sua amiga em pé na praia, olhando diretamente para ele, pela primeira vez.

Ele ficou mudo e uma estranha sensação de reencontro bateu em seu peito, não sentia medo e nem pavor, mas uma gratidão enorme por estar diante daquela visão inacreditável. Sua amiga, mesmo percebendo que ele parecia estar agindo de forma estranha e muito assustado, abriu um lindo sorriso para ele e acenou feliz.

Ele a observava encantado, uma mulher linda, de estatura mediana, corpo forte e bem distribuído. Vestia roupas muito diferentes das de sua época, bastante coladas no corpo perfeito e um lindo cabelo branco enorme, que voava solto com o balanço do vento… hipnótico!

Ele sorriu de volta e, meio sem graça, acenou animado também.

Subiu mais uma vez em sua prancha, deu umas duas braçadas e voltou deslizando em pé até a areia. Largou sua prancha ali perto e foi até a menina, que na realidade deveria ter aproximadamente uns 30 anos de idade.

A observava impressionado com tamanha beleza e graciosidade.

Não lhe disse nada, apenas caminhou ao redor dela a admirando, pois finalmente podia  ver seu rosto bem de perto, depois de dias, assim… olhos nos olhos e sorriu.

Ela sorriu de volta com seus lindos dentes brancos e lábios rosados, enquanto observava impressionada o gigante – igualmente surpresa –, como se tivesse reencontrado um grande amigo, ou um grande amor.

Ela lhe disse algo, que não fora possível compreender já que era um idioma completamente desconhecido.

Ficaram de frente um para o outro, não havia palavra que combinasse ou fosse compreendida, mas a energia que fluía entre eles era universal e rapidamente aceita. Deram-se as mãos e sorriram felizes… lindo reencontro de almas e sabiam disto.

Suas mãos, ao se encontrarem, liberou uma energia que tremeu em ambos os corpos e como se tivessem saído de dentro da água – ou de uma bolha –, seus ouvidos se sintonizaram com os sons de ambos planos e, pela primeira vez, puderam se ouvir claramente. Eram sons estranhos para os dois e, mesmo com idiomas diferentes, a suas maneiras e jeitos, se cumprimentaram.

Ele, assombrado e estupefato, ainda de mãos dadas com aquela que seria a mulher mais querida que já amara em toda sua vida, observava as naves sobre suas cabeças e as lindas construções que se erguiam muito belas e em plena harmonia com a natureza que os cercavam… majestosa e em perfeito equilíbrio.

Ela tentou lhe dizer algo, mas ao perceber que ainda não falavam a mesma língua, apenas abaixou, pegou um galho de árvore e escreveu na areia: Fanfis, depois apontou para si mesma, dando entender que aquele era o seu nome.

Ele sorriu, repetiu seu nome em voz baixa – como se quisesse decorá-lo para sempre – e depois se apresentou, já dentro de um abraço – Rudolf.

Encontros de almas, sempre tão carregados de emoção e alegrias, mas infelizmente nem por isso eternos.

Conseguiram passear e conhecer um pouquinho da vida um do outro, porém, para a tristeza de ambos, o amor foi crescendo, as descobertas dos mundos aumentando, ao mesmo tempo em que tudo foi deixando de existir, mais uma vez.

Desta maneira, para o desgosto do lindo casal, em poucos dias tudo fora desaparecendo mais uma vez, assim como surgira.

E mais uma vez, Fanfis e toda aquela cidade atrás das árvores à beira mar foi sumindo e sumindo… até se tornar apenas uma leve aparição no canto dos olhos.

Ele, um homem cheio de nostalgia e saudades, que algumas vezes tinha a sensação de ver uma linda mulher de cabelos compridos, muito brancos e que balançavam ao sabor dos ventos, mesmo que por outros ventos e logo ali, próximo a sua humilde cabaninha.

 

 

 

 

 

 

 

 

Sou brasileiro. [Carta ao Seu Boldrin]

Licença Seu Boldrin, homem bom e que encanta pela luta das boas memórias de um tempo em que se batia no peito e afirmava: Sim, sou brasileiro!

Porém, por que não consigo afirmar isto com a mesma alegria e o orgulho que outros povos parecem declarar convictos, ao se dizerem nascidos em seus países de origem?

Ah! Seu Boldrin, o que acontece comigo, ao me sentir fraco, apagado e até um pouco envergonhado de tudo que vejo por aqui? É uma coisa estranha, destas que beiram a tristeza profunda e sombria.

Na real, acredite, é quase uma depressão… e isto me preocupa demais, pois esta situação ruim que nos rodeia, me faz ficar muitas vezes abismado ao ver que outras pessoas também sentem!

Parece que somos um povo que se perdeu, agimos de maneira a fazer acreditar que um pedaço de nossa humanidade foi pro ralo, inclusive, aparentemente, a parte mais inteligente dela. Sendo assim, andamos pela vida de forma deselegante, sem educação e cheios de dores incuráveis, que aborrecem, emburrecem e constrange.

Ser brasileiro, Seu Boldrin, principalmente na atual situação de desencanto em que nos encontramos, não é algo que proporciona muito orgulho e felicidade como, talvez, fora em algum outro momento de nossa história, ou melhor, destas lindas histórias que o senhor nos conta e que me faz tão bem! Pois é, não é não!

Em outras épocas, quem sabe, tivéssemos orgulho do povo alegre, simples, querido que por aqui andava e que se mantinha sempre de cabeça erguida, mesmo que simplesinho de dar dó… pois é, não mais!

Percebo que estamos tentando, Seu Boldrin, e esta pode ser uma boa característica que defina nosso status: “Tentando” – assim, no gerúndio mesmo, para ser mais apropriado e indefinido.

Me choca ao ver esta linda terra, que abriga e abraça feliz as muitas etnias, dos vários povos que por aqui se estabeleceram com suas lutas sem fim – mesmo que, nem sempre boas de se saber, mas superadas de alguma maneira –, acabarmos desta forma… “tentando”.

Somos um povo que está “tentando”, mas já nem sei exatamente o que!!! No lugar deste gerúndio maldito, deveríamos ser declarados maravilhosos e abençoados. Trocaria o “tentando”, pelo “Somos”. Mas, infelizmente, parece que ainda não é a hora.

O senhor mesmo sabe disto e não cansa de nos contar sobre quanta cultura existe por aqui. Pessoas, histórias impressionantes e emocionantes, destas de encher nossos olhos de lágrimas, com paixão autêntica, amorosa, das que envolve, canta, fala e escreve todos os dias nestas muitas cidades sem fim. Orgulho e emoção que enche nosso peito de um bem-querer incontrolável, a cada manhã e em lindos finais de tarde. Por todos, para todos e por tudo que por aqui passa, alastrando, envolvendo e apaixonando declaradamente. Ah!!! Que linda terra, Seu Boldrin.

Olhem, admirem este lindo país e este povo extraordinário, diz o senhor. Pois é, Seu Boldrin! Acredito no senhor e até quero, de verdade, que isto seja uma realidade constante, pois é o que deveríamos ver todos os dias em nossos lares, trabalhos e cidades. Assim que teríamos que ser… bem tratados pelo governo que aí está e termos alegrias sem fim! Sempre!

Sim, nossa terra é um encontro maravilhoso, uma linda mistura de culturas e conhecimentos que o tempo conseguiu juntar.

Olha lá…

Sempre, ou desde que se têm consciência e registro, vemos os índios, um povo que um dia já foi o único dono destas terras e, do seu jeito e regras, viveram – e vivem –, suas lindas tradições.

Me alegro com a maravilhosa e animada presença dos povos africanos no Brasil, pois sem eles este país nunca teria sido o mesmo – com certeza. Negros com suas estruturas físicas impressionantes e poderosas, que nos ofereceram a oportunidade de conhecermos e assimilarmos esta cultura especial. Nos enobreceram com a força de um povo sem igual, de lindas características espirituais, musicais e físicas. Graças por hoje fazerem parte de nosso país e abrilhantarem com uma beleza sem igual.

Com a presença dos povos orientais, temos que ser igualmente agradecidos, pois trouxeram conhecimento especial e muito rico. Nos ensinaram características importantes, tais como a determinação, o esforço e a perseverança, além de nos doar um pouco destas milenares experiências e sabedorias.

Os europeus, com forte presença em muitos momentos de nossa história, pudemos aprender infinitos exemplos, desde os mais básicos aos mais complexos. Organização, artes e técnicas que mudaram e transformaram a cara do Brasil desde o início.

Sou grato, de verdade, por todos os muitos povos que por aqui chegaram e nos ajudaram a nos moldar.

Sei, também, das muitas dores e bobagens que estes mesmos povos carregaram para dentro deste lindo país… tudo bem, acontece. Não quero me ater aos erros e defeitos humanos, já que acredito sermos sujeitos a falhas.

Estou tentando entender o porquê desta nuvem ruim que insiste em pairar sobre nosso país – uma energia desmotivadora e que tem nos trazido tanta dor.

Seria apenas ganância da classe política ou é  uma característica abominável que está em todos nós, como uma doença ou uma herança no DNA? É algo que vêm de dentro ou foi implantado por alguma estratégia vinda de fora do país… ou do mundo? Trazida por algum Et malandro?

Será que existe alguém tão cruel, um líder, um grupo – ou o próprio Deus –, cheio de maldade e arrogância, que aparenta pensar apenas em si mesmo e, com isto, faz questão de despejar violência e terror sobre este país maravilhoso, tal qual um castigo?

Seria inveja, vingança, ou pura imbecilidade?

Penso, Seu Boldrin, que a ganância e o vício são, de fato, tão incontroláveis quanto uma coceira, destas de micose crônica nos dedos do pé, em que, uma vez iniciada, dificilmente será ignorada e não coçada prazerosamente. O problema maior é que, se ninguém desejar parar esta doença, ela jamais terá um fim. Sendo assim, criam-se bolhas, feridas, sangram e destroem as unhas e deformam os dedos e, em casos extremos, tomam todo o corpo.

Sabe, Seu Boldrin, espero que esta fase passe de uma vez e que possamos encontrar paz, alegria, harmonia e consigamos voltar a sorrir aliviados mais uma vez.

O senhor tem razão, nosso povo é bom e tem espírito apaziguador, pacífico e atencioso. Recebe todos de braços abertos, contentes e alegres, tal qual a um irmão.

Minhas preces são bobinhas e sem muita força, pois sou homem simples e de fé fraca, mas, hoje mesmo, coloco meus joelhinhos no chão pra rezar pra Deus, mesmo não sendo muito íntimo, para que, mais uma vez, nos alivie do peso deste momento e que possamos receber todos os povos do mundo, com a velha simpatia, cheios de saúde, mesa farta e o bem-querer de outrora.

Um abraço, Seu Boldrin!

Obs: Quando minhas forças estiverem se acabando, é em um de seus contos que buscarei lembrar que ainda sou brasileiro e dos bons.

Obrigado! 🙂

 

 

 

O estranho mundo dos negócios.

 

Certa vez, ele entrou no escritório com uma máscara de girafa e começou a trabalhar naturalmente, como se nada estivesse acontecendo.

Deixou sua bolsa ao lado de sua mesa lotada de papéis, canetas, clips e o velho computador, como sempre.

Puxou seu celular do bolso e conversou com os clientes com a naturalidade e o carisma que lhe era peculiar.

De início despertou risadas, brincadeiras e estranhezas.

Os mais íntimos até tentaram retirar o apetrecho, mas estava muito bem presa em sua cabeça, além de ser um homem ágil o suficiente para se esquivar das tentativas frustradas.

Pararam quando perceberam que ele realmente estava falando sério. Assim, daquele dia em diante, ele só aparecia no escritório vestido daquela maneira… de cabeça de girafa!

Ao contrário da personalidade anterior,  Sr. Girafa é um homem muito sério e por ter aumentado significantemente as vendas desde então, nenhum diretor e nem ninguém o proibiu de se vestir desta maneira, apenas o declararam exótico.

Hoje, está fazendo um ano que está nestas… confesso, perplexo, que já não me lembro de seu rosto, além de quase não o chamarmos pelo nome que nos fora apresentado.

Estranho? Pois é…

Estava tudo calmo e resolvido sobre isto, acostumamos com este fato e ponto. Porém, de repente, no dia de hoje, ainda pela manhã, a rotina fora quebrada mais uma vez… minha amiga querida, da baia ao lado, apareceu por aqui muito séria, isolada e determinada, estava usando uma cabeça de porco cor-de-rosa!!!

 

 

Ei! Is Winter Coming? Não… já é!

Atropelado-no-inverno

 

Olhou para o relógio e confirmou estar atrasado demais.

Pensou em alguma desculpa razoável o suficiente para justificar o porquê de chegar tarde naquela reunião chata dos cacete, mas não conseguia formular uma boa de verdade.

– Reunião chata da pixorra! Pensou inconformado, gelado e a ponto de mandar tudo às favas. – Impossível! Era compromisso inadiável, valia vida e seu sócio iria comer seu fígado se ele não fosse.

– Porra! Eu sou criação e não o atendimento da empresa… que inferno! Remoía aquela velha ideia em seus pensamentos. Eterna briga destas classes – Será que um dia estes rivais se ajeitam? Dependentes eternos um do outro, mas nunca em paz!!! Que bosta… que sina!

Imaginava que certas coisas deveriam ser dispensáveis. Não queria acreditar que alguém seria capaz de gostar destes encontros comerciais. – Somos um mundo com tantas tecnologias, porque caralhos ainda existe uma reunião presencial? Falava pra si mesmo e bufava mais que vaca velha.

Chamou um Uber a contragosto – Quarenta paus? Tô ferrado com estes caras, espero que fechem negócio ou vou à falência! Falava baixo, enquanto gesticulava mais que italiano nervoso.

Entrou no carro do figura com cara de maluco, mas pela porta detrás, sinalizando sua péssima disposição em socializar.

– Hoje é o primeiro dia de inverno e nestes dias a gente precisa de mais Amor e Sopa Quente… nada mais! Imaginou com cara de poucos amigos.

– Ok! Não estou no barato de dar Amor, mas recebê-lo o máximo possível. Amor destes de mãe mesmo, cobertinha fofa, Tv ligada em um desenho animado bem bobinho, palavras queridas, com biscoito recheado, leite quente e Nescau.  Pô! Isso é pedir muito?

Toda aquela agitação em horário matutino era desanimador e irritante. – Ninguém merece… mesmo.

– Corre, irmão… que eu tô ferrado! Resolvera dispensar o título de cara mais legal do mundo, com suas palavras de cuzão para o jovem Uber. – Ferre-se, sou mesmo um cuzão! Pensou com a carinha de mimadão de bosta. E riu internamente de sua atitude de um babaca completo

Mimadão

Foi a melhor e única frase que conseguiu formatar diante de tanto mal humor e frio insuportável, destes em que as entranhas tremem incontroláveis.

Através do vidro, ligeiramente embaçado, via o mundo passar – Projeção da viagem: Quarenta minutos de monotonia e lentidão? Mais carinhas de mimadão e já que não poderia fazer nada sobre isto, relaxou e acabou dormindo.

– The winter is coming, ouviu o jovem barbudo gritar… era o Jon Snow!!!

Ficou meio sem graça nos primeiros segundos daquele encontro, pois aquilo não fazia o menor sentido, mas sabe como são estes sonhos, não é mesmo? Rapidamente, já era um amigo antigo e completamente envolvido com aquela maluquice toda. Assim, já fazia parte da trama e sabia como a coisa toda funcionava. Estava na muralha cuidando para que os selvagens não invadissem. Porém, por perceber seu corpo de homem que sempre treinara e se preocupara com a boa forma, não poderia aceitar o papel de parceiro gorducho e desajeitado do Samwell Tarly, mas sim o próprio Jon Snow. E foi assim que, envolto de coragem e poses de quem sabia de tudo, fez-se Jon Snow.

Estava em pleno desacordo com sua tropa diante da decisão que tomara em trazer para dentro das muralhas o povo do norte – um bando de selvagens malucos – para que pudessem ajudar, todos unidos, a se protegerem dos Caminhantes Brancos.

A diferença do John Snow do seriado e dele, é que ele já estava ligado em tudo, inclusive que morreria por traição, por isso estava muito puto com aquela parte em que se encontrava do seriado, fora o frio que era de irritar as mais pacíficas das almas . De fato,  mataria, de verdade, qualquer um para ficar um pouquinho mais nas cobertas de sua cama – Odeio este frio da porra!!! Reclamou em voz alta, assustando o motorista do Uber.

Em seus sonhos, tremia feito vara verde, enquanto observava aquele lugar cheio de neve, uivos e sons desagradáveis vindos de todos os lados daquela terra horrorosa. Se sentia oprimido e cercado pelos próprios aliados – pois sabia que iriam desferir ataque traiçoeiro a qualquer momento e retirariam sua vida… fora o maldito frio… mesmo! Estava muito irritado, pois detestava duas coisas na vida… ficar acuado e sentir frio!

Foi quando ouviu uma voz vinda do além:

– Deseja que eu aumente o ar quente?

Confuso com o sonho, com o frio e o mal humor desgraçado, gritou irritado, como se estivesse em campo inimigo, para o pobre motorista:

– É lógico que sim, porra! Aumenta logo esta merda!!!

E acordou cara a cara com o jovem motorista do Uber assustado com sua expressão de doido e rosnando de ódio!

Voltou a si e percebeu o quanto estava ridículo naquela posição de ataque feroz, preso ao colarinho do rapaz e o insultando violentamente.

Se recompôs, ajeitou a camisa do motorista, pediu desculpas – muito envergonhado com a cena toda-,  e voltou para o banco detrás se sentindo muito mal. – Vergonhoso! Shame, shame, shame… foi a única coisa que conseguiu pensar.

Chegou em seu destino em apenas cinco minutos – que lhe pareceram séculos –, pagou a corrida, deixou uma gorjeta considerável, pediu mil desculpas – de novo – e partiu correndo rumo à sua reunião, assim como um Jon Snow arrasado por muitas punhaladas,  do tal seriado, mas ali, naquele momento, seria mais conveniente dizer que era um  Jon Snow atropelado pelo Uber.

Simplesmente atrapalhado com seu papel de idiota, passou a acreditar que chegar na reunião atrasado, como realmente estava, era uma coisa bastante vergonhosa, mas a cena ridícula que se prestara, com certeza, era ainda pior.

– The winter is coming…  e o resto dá-se um jeito! Pensou se sentindo um imbecil, enquanto caminhava acelerando o mais que podia,  com seus passos largos, para a tal da reunião inadiável.

Somos 300

300

 

Sim!!! Agora somos 300!!! 🙂

Então, você me olha do alto dos seus muitos seguidores e diz: Puft! kkk

Pois é, aparentamos poucos [e somos mesmo kkk] por isso, de longe até promovemos risinhos e piadinhas irônicas. Porém, assim como uns caras de Esparta, fazemos um estrago razoável! Pode crer! Arru! Arru! Arru! [Eu sempre penso em ” Toca Raul” nesta hora!!! kkk

O que dizer destes 300 blogueiros – lindos e maravilhosos – que me seguem por aqui?

Só a agradecer e querer bem, com certeza! Muito obrigado!

Aproveito para dizer que #tamujuntos e que, como o “culpado” dos textos da Patriamarga, afirmo que estou me esforçando – fora do horário de trabalho [creia, isso é bem difícil] – para me desenvolver como escritor e, assim, trazer mais e melhores histórias para vocês – por favor, façam força para ler, porque dá um trabalho danado! kkkk

Estou muito feliz pela presença de todos por aqui e estou fazendo o possível [e impossível] para acompanhá-los também, pois a lei da parceria é assim – “uma via de duas mãos” – como manda o ditado!

Mas, o que tem de bom vindo através do Patriamarga?

Pretendo terminar alguns livros, finalizar as revisões, diagramar, criar as respectivas artes e colocá-los à disposição – provavelmente, por algumas destas plataformas online – [ufa!], assim como já disponibilizei alguns capítulos destes livros por aqui, mas desta vez todo o livro e, desta maneira, permitir que vocês apreciem. Sendo eles:

• Linda, Bela e Formosa

• Conflitos – Entre Jack e God

• Recomeçar

• Os Onze Castelos e os Cavaleiros do Reino Maior

• Amor Incondicional

• A máquina da metamorfose

• O colorido mundo da Vovó Lari

• Terra Cruz

Além das historinhas do Gordon Summer! Este, acho que tem data para acabar, porque não tenho muitas tirinhas e [creio] nem tempo para desenhar!!! 😛

É muita coisa, né não? kkk

Enfim, obrigado por estarem aqui, continuem curtindo e dando aquela força, porque faz toda a diferença! Porque, só assim, para empurrar este cara preguiçoso que mora dentro de mim e que adora não fazer nada e enfim… partir para a ação.

Então, você se pergunta… e este cara trabalha tanto assim, sendo um preguiçoso como diz ser? Pois é!!!

Veja aqui um pouco mais da minha vida… linda vida de criador!

Um grande abraço a todos… e vamos escrever para aumentar os números deste meu querido Blog! 🙂

 

M.