Sou brasileiro. [Carta ao Seu Boldrin]

Licença Seu Boldrin, homem bom e que encanta pela luta das boas memórias de um tempo em que se batia no peito e afirmava: Sim, sou brasileiro!

Porém, por que não consigo afirmar isto com a mesma alegria e o orgulho que outros povos parecem declarar convictos, ao se dizerem nascidos em seus países de origem?

Ah! Seu Boldrin, o que acontece comigo, ao me sentir fraco, apagado e até um pouco envergonhado de tudo que vejo por aqui? É uma coisa estranha, destas que beiram a tristeza profunda e sombria.

Na real, acredite, é quase uma depressão… e isto me preocupa demais, pois esta situação ruim que nos rodeia, me faz ficar muitas vezes abismado ao ver que outras pessoas também sentem!

Parece que somos um povo que se perdeu, agimos de maneira a fazer acreditar que um pedaço de nossa humanidade foi pro ralo, inclusive, aparentemente, a parte mais inteligente dela. Sendo assim, andamos pela vida de forma deselegante, sem educação e cheios de dores incuráveis, que aborrecem, emburrecem e constrange.

Ser brasileiro, Seu Boldrin, principalmente na atual situação de desencanto em que nos encontramos, não é algo que proporciona muito orgulho e felicidade como, talvez, fora em algum outro momento de nossa história, ou melhor, destas lindas histórias que o senhor nos conta e que me faz tão bem! Pois é, não é não!

Em outras épocas, quem sabe, tivéssemos orgulho do povo alegre, simples, querido que por aqui andava e que se mantinha sempre de cabeça erguida, mesmo que simplesinho de dar dó… pois é, não mais!

Percebo que estamos tentando, Seu Boldrin, e esta pode ser uma boa característica que defina nosso status: “Tentando” – assim, no gerúndio mesmo, para ser mais apropriado e indefinido.

Me choca ao ver esta linda terra, que abriga e abraça feliz as muitas etnias, dos vários povos que por aqui se estabeleceram com suas lutas sem fim – mesmo que, nem sempre boas de se saber, mas superadas de alguma maneira –, acabarmos desta forma… “tentando”.

Somos um povo que está “tentando”, mas já nem sei exatamente o que!!! No lugar deste gerúndio maldito, deveríamos ser declarados maravilhosos e abençoados. Trocaria o “tentando”, pelo “Somos”. Mas, infelizmente, parece que ainda não é a hora.

O senhor mesmo sabe disto e não cansa de nos contar sobre quanta cultura existe por aqui. Pessoas, histórias impressionantes e emocionantes, destas de encher nossos olhos de lágrimas, com paixão autêntica, amorosa, das que envolve, canta, fala e escreve todos os dias nestas muitas cidades sem fim. Orgulho e emoção que enche nosso peito de um bem-querer incontrolável, a cada manhã e em lindos finais de tarde. Por todos, para todos e por tudo que por aqui passa, alastrando, envolvendo e apaixonando declaradamente. Ah!!! Que linda terra, Seu Boldrin.

Olhem, admirem este lindo país e este povo extraordinário, diz o senhor. Pois é, Seu Boldrin! Acredito no senhor e até quero, de verdade, que isto seja uma realidade constante, pois é o que deveríamos ver todos os dias em nossos lares, trabalhos e cidades. Assim que teríamos que ser… bem tratados pelo governo que aí está e termos alegrias sem fim! Sempre!

Sim, nossa terra é um encontro maravilhoso, uma linda mistura de culturas e conhecimentos que o tempo conseguiu juntar.

Olha lá…

Sempre, ou desde que se têm consciência e registro, vemos os índios, um povo que um dia já foi o único dono destas terras e, do seu jeito e regras, viveram – e vivem –, suas lindas tradições.

Me alegro com a maravilhosa e animada presença dos povos africanos no Brasil, pois sem eles este país nunca teria sido o mesmo – com certeza. Negros com suas estruturas físicas impressionantes e poderosas, que nos ofereceram a oportunidade de conhecermos e assimilarmos esta cultura especial. Nos enobreceram com a força de um povo sem igual, de lindas características espirituais, musicais e físicas. Graças por hoje fazerem parte de nosso país e abrilhantarem com uma beleza sem igual.

Com a presença dos povos orientais, temos que ser igualmente agradecidos, pois trouxeram conhecimento especial e muito rico. Nos ensinaram características importantes, tais como a determinação, o esforço e a perseverança, além de nos doar um pouco destas milenares experiências e sabedorias.

Os europeus, com forte presença em muitos momentos de nossa história, pudemos aprender infinitos exemplos, desde os mais básicos aos mais complexos. Organização, artes e técnicas que mudaram e transformaram a cara do Brasil desde o início.

Sou grato, de verdade, por todos os muitos povos que por aqui chegaram e nos ajudaram a nos moldar.

Sei, também, das muitas dores e bobagens que estes mesmos povos carregaram para dentro deste lindo país… tudo bem, acontece. Não quero me ater aos erros e defeitos humanos, já que acredito sermos sujeitos a falhas.

Estou tentando entender o porquê desta nuvem ruim que insiste em pairar sobre nosso país – uma energia desmotivadora e que tem nos trazido tanta dor.

Seria apenas ganância da classe política ou é  uma característica abominável que está em todos nós, como uma doença ou uma herança no DNA? É algo que vêm de dentro ou foi implantado por alguma estratégia vinda de fora do país… ou do mundo? Trazida por algum Et malandro?

Será que existe alguém tão cruel, um líder, um grupo – ou o próprio Deus –, cheio de maldade e arrogância, que aparenta pensar apenas em si mesmo e, com isto, faz questão de despejar violência e terror sobre este país maravilhoso, tal qual um castigo?

Seria inveja, vingança, ou pura imbecilidade?

Penso, Seu Boldrin, que a ganância e o vício são, de fato, tão incontroláveis quanto uma coceira, destas de micose crônica nos dedos do pé, em que, uma vez iniciada, dificilmente será ignorada e não coçada prazerosamente. O problema maior é que, se ninguém desejar parar esta doença, ela jamais terá um fim. Sendo assim, criam-se bolhas, feridas, sangram e destroem as unhas e deformam os dedos e, em casos extremos, tomam todo o corpo.

Sabe, Seu Boldrin, espero que esta fase passe de uma vez e que possamos encontrar paz, alegria, harmonia e consigamos voltar a sorrir aliviados mais uma vez.

O senhor tem razão, nosso povo é bom e tem espírito apaziguador, pacífico e atencioso. Recebe todos de braços abertos, contentes e alegres, tal qual a um irmão.

Minhas preces são bobinhas e sem muita força, pois sou homem simples e de fé fraca, mas, hoje mesmo, coloco meus joelhinhos no chão pra rezar pra Deus, mesmo não sendo muito íntimo, para que, mais uma vez, nos alivie do peso deste momento e que possamos receber todos os povos do mundo, com a velha simpatia, cheios de saúde, mesa farta e o bem-querer de outrora.

Um abraço, Seu Boldrin!

Obs: Quando minhas forças estiverem se acabando, é em um de seus contos que buscarei lembrar que ainda sou brasileiro e dos bons.

Obrigado! 🙂

 

 

 

O estranho mundo dos negócios.

 

Certa vez, ele entrou no escritório com uma máscara de girafa e começou a trabalhar naturalmente, como se nada estivesse acontecendo.

Deixou sua bolsa ao lado de sua mesa lotada de papéis, canetas, clips e o velho computador, como sempre.

Puxou seu celular do bolso e conversou com os clientes com a naturalidade e o carisma que lhe era peculiar.

De início despertou risadas, brincadeiras e estranhezas.

Os mais íntimos até tentaram retirar o apetrecho, mas estava muito bem presa em sua cabeça, além de ser um homem ágil o suficiente para se esquivar das tentativas frustradas.

Pararam quando perceberam que ele realmente estava falando sério. Assim, daquele dia em diante, ele só aparecia no escritório vestido daquela maneira… de cabeça de girafa!

Ao contrário da personalidade anterior,  Sr. Girafa é um homem muito sério e por ter aumentado significantemente as vendas desde então, nenhum diretor e nem ninguém o proibiu de se vestir desta maneira, apenas o declararam exótico.

Hoje, está fazendo um ano que está nestas… confesso, perplexo, que já não me lembro de seu rosto, além de quase não o chamarmos pelo nome que nos fora apresentado.

Estranho? Pois é…

Estava tudo calmo e resolvido sobre isto, acostumamos com este fato e ponto. Porém, de repente, no dia de hoje, ainda pela manhã, a rotina fora quebrada mais uma vez… minha amiga querida, da baia ao lado, apareceu por aqui muito séria, isolada e determinada, estava usando uma cabeça de porco cor-de-rosa!!!

 

 

Ei! Is Winter Coming? Não… já é!

Atropelado-no-inverno

 

Olhou para o relógio e confirmou estar atrasado demais.

Pensou em alguma desculpa razoável o suficiente para justificar o porquê de chegar tarde naquela reunião chata dos cacete, mas não conseguia formular uma boa de verdade.

– Reunião chata da pixorra! Pensou inconformado, gelado e a ponto de mandar tudo às favas. – Impossível! Era compromisso inadiável, valia vida e seu sócio iria comer seu fígado se ele não fosse.

– Porra! Eu sou criação e não o atendimento da empresa… que inferno! Remoía aquela velha ideia em seus pensamentos. Eterna briga destas classes – Será que um dia estes rivais se ajeitam? Dependentes eternos um do outro, mas nunca em paz!!! Que bosta… que sina!

Imaginava que certas coisas deveriam ser dispensáveis. Não queria acreditar que alguém seria capaz de gostar destes encontros comerciais. – Somos um mundo com tantas tecnologias, porque caralhos ainda existe uma reunião presencial? Falava pra si mesmo e bufava mais que vaca velha.

Chamou um Uber a contragosto – Quarenta paus? Tô ferrado com estes caras, espero que fechem negócio ou vou à falência! Falava baixo, enquanto gesticulava mais que italiano nervoso.

Entrou no carro do figura com cara de maluco, mas pela porta detrás, sinalizando sua péssima disposição em socializar.

– Hoje é o primeiro dia de inverno e nestes dias a gente precisa de mais Amor e Sopa Quente… nada mais! Imaginou com cara de poucos amigos.

– Ok! Não estou no barato de dar Amor, mas recebê-lo o máximo possível. Amor destes de mãe mesmo, cobertinha fofa, Tv ligada em um desenho animado bem bobinho, palavras queridas, com biscoito recheado, leite quente e Nescau.  Pô! Isso é pedir muito?

Toda aquela agitação em horário matutino era desanimador e irritante. – Ninguém merece… mesmo.

– Corre, irmão… que eu tô ferrado! Resolvera dispensar o título de cara mais legal do mundo, com suas palavras de cuzão para o jovem Uber. – Ferre-se, sou mesmo um cuzão! Pensou com a carinha de mimadão de bosta. E riu internamente de sua atitude de um babaca completo

Mimadão

Foi a melhor e única frase que conseguiu formatar diante de tanto mal humor e frio insuportável, destes em que as entranhas tremem incontroláveis.

Através do vidro, ligeiramente embaçado, via o mundo passar – Projeção da viagem: Quarenta minutos de monotonia e lentidão? Mais carinhas de mimadão e já que não poderia fazer nada sobre isto, relaxou e acabou dormindo.

– The winter is coming, ouviu o jovem barbudo gritar… era o John Snow!!!

Ficou meio sem graça nos primeiros segundos daquele encontro, pois aquilo não fazia o menor sentido, mas sabe como são estes sonhos, não é mesmo? Rapidamente, já era um amigo antigo e completamente envolvido com aquela maluquice toda. Assim, já fazia parte da trama e sabia como a coisa toda funcionava. Estava na muralha cuidando para que os selvagens não invadissem. Porém, por perceber seu corpo de homem que sempre treinara e se preocupara com a boa forma, não poderia aceitar o papel de parceiro gorducho e desajeitado do Samwell Tarly, mas sim o próprio John Snow. E foi assim que, envolto de coragem e poses de quem sabia de tudo, fez-se John Snow.

Estava em pleno desacordo com sua tropa diante da decisão que tomara em trazer para dentro das muralhas o povo do norte – um bando de selvagens malucos – para que pudessem ajudar, todos unidos, a se protegerem dos Caminhantes Brancos.

A diferença do John Snow do seriado e dele, é que ele já estava ligado em tudo, inclusive que morreria por traição, por isso estava muito puto com aquela parte em que se encontrava do seriado, fora o frio que era de irritar as mais pacíficas das almas . De fato,  mataria, de verdade, qualquer um para ficar um pouquinho mais nas cobertas de sua cama – Odeio este frio da porra!!! Reclamou em voz alta, assustando o motorista do Uber.

Em seus sonhos, tremia feito vara verde, enquanto observava aquele lugar cheio de neve, uivos e sons desagradáveis vindos de todos os lados daquela terra horrorosa. Se sentia oprimido e cercado pelos próprios aliados – pois sabia que iriam desferir ataque traiçoeiro a qualquer momento e retirariam sua vida… fora o maldito frio… mesmo! Estava muito irritado, pois detestava duas coisas na vida… ficar acuado e sentir frio!

Foi quando ouviu uma voz vinda do além:

– Deseja que eu aumente o ar quente?

Confuso com o sonho, com o frio e o mal humor desgraçado, gritou irritado, como se estivesse em campo inimigo, para o pobre motorista:

– É lógico que sim, porra! Aumenta logo esta merda!!!

E acordou cara a cara com o jovem motorista do Uber assustado com sua expressão de doido e rosnando de ódio!

Voltou a si e percebeu o quanto estava ridículo naquela posição de ataque feroz, preso ao colarinho do rapaz e o insultando violentamente.

Se recompôs, ajeitou a camisa do motorista, pediu desculpas – muito envergonhado com a cena toda-,  e voltou para o banco detrás se sentindo muito mal. – Vergonhoso! Shame, shame, shame… foi a única coisa que conseguiu pensar.

Chegou em seu destino em apenas cinco minutos – que lhe pareceram séculos –, pagou a corrida, deixou uma gorjeta considerável, pediu mil desculpas – de novo – e partiu correndo rumo à sua reunião, assim como um John Snow arrasado por muitas punhaladas,  do tal seriado, mas ali, naquele momento, seria mais conveniente dizer que era um  John Snow atropelado pelo Uber.

Simplesmente atrapalhado com seu papel de idiota, passou a acreditar que chegar na reunião atrasado, como realmente estava, era uma coisa bastante vergonhosa, mas a cena ridícula que se prestara, com certeza, era ainda pior.

– The winter is coming…  e o resto dá-se um jeito! Pensou se sentindo um imbecil, enquanto caminhava acelerando o mais que podia,  com seus passos largos, para a tal da reunião inadiável.

Somos 300

300

 

Sim!!! Agora somos 300!!! 🙂

Então, você me olha do alto dos seus muitos seguidores e diz: Puft! kkk

Pois é, aparentamos poucos [e somos mesmo kkk] por isso, de longe até promovemos risinhos e piadinhas irônicas. Porém, assim como uns caras de Esparta, fazemos um estrago razoável! Pode crer! Arru! Arru! Arru! [Eu sempre penso em ” Toca Raul” nesta hora!!! kkk

O que dizer destes 300 blogueiros – lindos e maravilhosos – que me seguem por aqui?

Só a agradecer e querer bem, com certeza! Muito obrigado!

Aproveito para dizer que #tamujuntos e que, como o “culpado” dos textos da Patriamarga, afirmo que estou me esforçando – fora do horário de trabalho [creia, isso é bem difícil] – para me desenvolver como escritor e, assim, trazer mais e melhores histórias para vocês – por favor, façam força para ler, porque dá um trabalho danado! kkkk

Estou muito feliz pela presença de todos por aqui e estou fazendo o possível [e impossível] para acompanhá-los também, pois a lei da parceria é assim – “uma via de duas mãos” – como manda o ditado!

Mas, o que tem de bom vindo através do Patriamarga?

Pretendo terminar alguns livros, finalizar as revisões, diagramar, criar as respectivas artes e colocá-los à disposição – provavelmente, por algumas destas plataformas online – [ufa!], assim como já disponibilizei alguns capítulos destes livros por aqui, mas desta vez todo o livro e, desta maneira, permitir que vocês apreciem. Sendo eles:

• Linda, Bela e Formosa

• Conflitos – Entre Jack e God

• Recomeçar

• Os Onze Castelos e os Cavaleiros do Reino Maior

• Amor Incondicional

• A máquina da metamorfose

• O colorido mundo da Vovó Lari

• Terra Cruz

Além das historinhas do Gordon Summer! Este, acho que tem data para acabar, porque não tenho muitas tirinhas e [creio] nem tempo para desenhar!!! 😛

É muita coisa, né não? kkk

Enfim, obrigado por estarem aqui, continuem curtindo e dando aquela força, porque faz toda a diferença! Porque, só assim, para empurrar este cara preguiçoso que mora dentro de mim e que adora não fazer nada e enfim… partir para a ação.

Então, você se pergunta… e este cara trabalha tanto assim, sendo um preguiçoso como diz ser? Pois é!!!

Veja aqui um pouco mais da minha vida… linda vida de criador!

Um grande abraço a todos… e vamos escrever para aumentar os números deste meu querido Blog! 🙂

 

M.

 

 

Quando o mundo lhe sorri animado!

Qdo-Sorri-Animado

Final de Domingo, impossível ser feliz! – O momento mais escuro da semana – Pensava depressivo e querendo desaparecer da face da Terra! – Ninguém merece!

Chegara em sua casa bastante desanimado com a vida e com o que aquele momento oferecia para ele. Tudo parecia estar afundando. – Cara, que dia pesado! Lembrava se sentindo a pior pessoa do mundo.

Brigara com sua namorada, arrebentara a traseira do seu carro em um pilar baixo, perdera o celular em algum lugar que não saberia dizer onde, arrumara uma encrenca feia no bar, tomara um murro na cara que lhe quebrara os óculos, uma marca cara que acabara de comprar e estava com um olho roxo. – Que porra é essa? Reclamara em voz alta antes de se aproximar da porta de sua casa, enquanto admirava o estrago no carro.

Levou as mãos ao rosto e tapou os olhos, como se quisesse esquecer aquele dia ruim, apenas imaginando como iria ser o próximo – uma segunda-feira cinza, onde as previsões prometiam frio e chuva durante todo o período. Olhou para o céu, buscando o diretor geral do filme em que ele desejava desesperadamente ser o protagonista, e disse em voz alta:

– Dá uma força aí!!!

Respirou fundo, sacudiu a cabeça tentando se encaixar na vida mais uma vez, depois bateu a mão no bolso e, para seu desagrado, não encontrou as chaves de sua casa.

Bufou irritado, deu chute no pneu que lhe doeu nos dedos do pé, talvez uma leve fratura, e sentiu vontade de chorar, mas apenas lamentou:

– Qualé God?

Quis ser forte, buscou pensamentos elevados e tentou se conformar com aquela coisa toda, como era de seu feitio. Porém, percebendo que não seria possível, deu um soco na pesada porta bem em sua frente. Gritou mais uma vez de dor, graças a sua estrutura frágil de homem caseiro e despreparado para qualquer tipo de conflito, enquanto olhava desanimado o corte em sua mão, além de constatar, sem forças, que sujara sua camisa nova com o sangue que vazou de seu punho.

Quase chorou de ódio, mas diante de tanta coisa ruim e sua incapacidade de lidar com aquilo tudo, já que sempre fora um ser pacífico e controlado, apenas entrou de volta em seu carro e ligou o rádio para desanuviar a mente irritada e tentar achar uma saída racional para o momento cretino em que estava enfiado.

Respirou fundo e tentou dormir, na esperança de que encontraria algo melhor na manhã seguinte e, assim, se manter confiante na possibilidade de sair daquela maré estranha de azar sem sentido.

Olhou para si mesmo – que coisa ruim? Gelado e molhado!!!

Foi neste estado lamentável e sujo – de uma tarde de muita farra e cheias de perturbações –, que ele ouviu de olhos fechados um barulho estranho na maçaneta de seu carro, como se alguém quisesse desesperadamente invadir.

Abriu os olhos e se virou rapidamente para a janela, mas não havia nada.

Pensou ter tido algum pesadelo, deu uma risadinha sem graça do susto, se ajeitou novamente no banco, deu uma breve conferida no retrovisor e novamente mais uma surpresa apavorante, se deparou com a imagem de um enorme gorila azul o encarando.

Deu um grito de horror antes do monstrengo feioso saltar sobre ele.

– AAAAAAAHHHH!

Com a respiração acelerada, olhos arregalados e sem entender nada, acordou gritando e completamente embolado em sua manta azul – a predileta dos dias frios –, quase o sufocando.

Estava em sua cama quentinha e dentro de seu quarto completamente seguro.

Estivera em um pesadelo maluco onde tudo dera errado. Nada acontecera de verdade, era o primeiro dia do feriado prolongado, em uma linda manhã de quinta-feira.

O mundo lhe sorrira mais uma vez!

 

Cap. 2 – Viagem ao Planeta Terra Cruz.

Esta é uma história baseada na carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o descobrimento de um planeta.

Terra-Cruz2

Subimos em uma das naves pequenas, assim como tinham chegado, voltamos para a praia.

Chegamos ali onde já nos esperavam cerca de duzentos homens, todos com aquele mesmo tipo de vestimenta emborrachada, com aqueles arcos e flechas iluminadas nas mãos. Os dois homens da tribo, que nós já havíamos levado em nossa nave – na presença do Capitão-mor –, e agora nos acompanhavam de volta acenaram-lhes que se afastassem e abaixassem os arcos; e eles assim o fizeram, mas não se afastaram muito. Mal pousaram os arcos, os dois homens e Afonso – o exilado –, foi com eles. Ao sair dali, não pararam mais; nem esperavam um pelo outro, mas corriam acelerados, como se estivessem apostando quem entre eles era o mais rápido, o que nos exigiu muito do condicionamento, porque tivemos que, com grande dificuldade, acompanhar aquela correria desenfreada.

Passaram num rio que por ali corre, de água doce e tamanha abundância, que passamos pela cintura, assim como outros muitos que nos acompanhavam de perto.

Todos correndo o tempo inteiro, uns gritavam, riam e falavam entre si em conversa inteligível, pelo rio e entre moitas, que para espanto, nestes muitos caminhos, encontrávamos outros que passavam a nos acompanhar também, sempre numa embalada e empolgada correria.

Tanto corremos que estava exausta, já que carregava uma mochila pesada, até que, ao chegar a um descampado, paramos. Afonso, que imaginava estar correndo bem à frente, na realidade chegou depois, junto com um daqueles homens – um senhor já bem mais velho. Este, logo que havia saído da nave, os trouxera até ali de carona, o agasalhou com a capa que tinha recebido de presente de um dos nossos e se responsabilizou em acompanhá-lo. Depois se voltaram para nós, falando bastante entre eles e infelizmente nada compreendemos. Junto a este grupo – em que estava o exilado –, vieram os outros, aqueles que nós tínhamos recebido na nave do capitão, eles vinham já sem os pertences que tinham recebido de presente do capitão, naquela oportunidade.

Correndo_Rio

Então, começaram a aparecer muitos deles. Chegavam pela beira do mar acompanhando nossas naves, em uma quantidade absurda e incontável; traziam nossos galões de água, tomaram para si alguns barris que nós reservamos, bebiam à vontade e sem cerimônias, depois enchiam novamente de água do rio e levavam até a nave de volta. Não eram todos que invadiam a nave, mas uma quantidade considerável deles. Traziam nossos barris, apontavam objetos e pediam que lhes dessem alguma coisa, quando descobriam algo de interesse, não por maldade ou ambição, mas como crianças espontâneas, curiosas e desejosas de um novo brinquedo. Levava Nicolau Coelho bijuterias e moedas consigo que as distribuía entre eles, para conquistar a simpatia dos grandalhões. Estas peças eram inúteis para seu povo no dia a dia, mas que, por serem diferentes, estendiam suas mãos de dedos enormes e compridos para recebê-las animados, desta maneira, Nicolau quebrava um pouco da desconfiança e timidez dos enormes rapazes.

Receberam seus presentes muito contentes e risonhos, mas jamais trocaram seus arcos, de forma alguma, como se fossem peças sagradas e nem mesmo entre eles via-se o costume de trocas deste objeto, o que despertou grande curiosidade entre a gente, para saber por qual motivo nunca desgrudavam daquelas armas.

Logo após aquele momento descontraído, partiram os dois que ficaram naquela noite conosco na nave e nunca mais foram vistos.

Todos que ali estavam traziam aqueles colares com a pirâmide de ponta cabeça e os arcos consigo, do mesmo modo, usavam aquela roupa interessante e muito grudada em seus corpos e rostos lisos como de um menino. Ali andavam muitos deles, almas tranquilas, animadas, simples e com seus enormes cabelos azuis. Apenas alguns tinham uma pintura nos olhos, como uma máscara igualmente azul, dando uma expressão muito forte, tal qual um guerreiro, além das penas longas e bem coloridas presas em seus cabelos.

Andavam entre eles três ou quatro moças, jovens e bem gentis, de pele muito branca, com longos cabelos muito vermelhos, até o meio de suas costas, enfeitadas de flores diversas com infinitas cores. Lindos corpos esculturais de beleza impressionante, que de tanto observar seus seios e intimidades, já não nos despertava nenhuma vergonha.

Em determinado momento do dia, não houve mais fala ou entendimento com eles, pois pareciam estar desligados daquela realidade e entrado em profunda meditação. Pareciam estar absorvendo algum encantamento da floresta que nos cercava, sentados em silêncio profundo e de olhos fechados, não interagiam entre si, nem com mais nenhum de nós, desta maneira, ninguém conversava e nem ouvia ninguém. Silêncio completo, apenas os sons da natureza. Porém, algo nos chamou bastante atenção, seus arcos pareciam estar vibrando e, ao mesmo tempo, pulsavam as luzes das flechas feita de alguma energia, tal qual um raio, acompanhando as luzes das pirâmide em seus colares.

Em certo momento, eles abriram os braços, como uma dança sincronizada, sem que se olhassem ou combinassem movimentos. Ficamos surpresos, pois as flechas luminosas deslizaram pelo arco, subiram por seus braços, como se tivessem vida própria, passando pelo pescoço e escorregando pelos rostos até o topo da cabeça. Esta energia azul ficou ali por poucos minutos e ao ascender mais forte mais uma vez, ainda como um raio, desceu pela cabeça, através da nuca, e se firmou por toda a coluna. Permanecendo ali, lindamente acesa, por um bom tempo.

Entendemos que aquela megamanifestação era algum ritual, ou coisa parecida, algo que não compreendemos, mas que – mesmo eu estando muito curiosa –, não deveríamos interromper e nem atrapalhar, por isso, saímos dali.

Voltamos no sentido do rio para colaborar com três ou quatro de nossos homens que enchiam não sei quantos barris de água que nos levaram, naquele excesso de alegria, quando nos encontramos por ali, desta maneira, em colaboração, tornamos a repor na nave. Porém, quando estávamos entrando na nave para partir, acenaram que retornássemos. Voltamos até lá e eles mandaram o exilado para gente, dando a entender que não queriam que ele ficasse lá entre eles.

Não quiseram nada do que ele carregava, pois este carregava de volta para a nave uma caneca e os bonés vermelhos. Confessara ter levado como presente, para que, assim como Nicolau Coelho, conquistaria as confianças, coisa que não aconteceu. Aquilo pareceu bem estranho, por não sentirem a mesma convicção em Afonso, da mesma maneira que depositaram nos capitães. Como se tivessem captado qualquer coisa que não os agradassem nele. Porém, Bartolomeu Dias o fez voltar e ordenou que lhes desse o que tinha, pois achou inconveniente não agradar os que ali estavam, trazendo de volta os pertences. Então, Afonso foi até eles e deu os presentes sob nossa atenção.

O que recebeu era quem havia dispensado atenção com o exilado, o coberto com a capa e o tratado com grande respeito na chegada naquela praia.

Este senhor já tinha idade avançada, andava um pouco curvado e de maneiras mais frágeis do que os moços que o acompanhavam. Seu traje era diferente dos demais, não estava com o látex grudado ao corpo, mas um tecido branco mais grosso, botas de tecido resistente com cadarços e um poncho vinho sobre tudo, tal qual uma roupa de gala. Parecia mais imponente e enfeitado, com muitas penas, colares, e com um lindo adorno colorido na cabeça. Tinha muitas pinturas no rosto e braços, eram setas e mais setas, lembrei da imagem de S. Sebastião, que apontavam em direção ao seu coração, onde estava o final de seu colar com a tal da pirâmide, num brilho esverdeado, diferente dos demais e bem interessante de se ver.

O outros usavam um adorno na cabeça também, mas com penas de apenas uma cor, as vezes amarelas, outros vermelhas e alguns com verdes.

As moças estavam ali também, não eram as mesmas de algumas horas atrás, mas outras que ainda não tínhamos visto. Não usavam aquelas roupas de borracha até o pescoço, mas um vestido fino, de tecido muito leve e transparente – podia-se afirmar nuas –, com os rostos pintados com aquelas máscaras nos olhos, só que pretas. Lindas, com seus cabelos vermelhos esvoaçantes, seios grandes, barrigas musculosas e magras, com suas nádegas cheias e bem definidas, coxas fortes e graciosas, que as muitas mulheres da nossa terra, vendo tais feições, ficariam envergonhadas de ficarem lado a lado, por não terem corpos tão bonitos como as que elas apresentavam.

Mulher-Linda

Admiramos tamanho espetáculo e graciosidade, comentamos empolgados sobre aquele encontro, depois voltamos à nave e eles se foram.

Mais tarde sai da nave-mãe juntamente com o Capitão-mor e uma boa tripulação, em uma nave menor e aberta ao vento. Outras naves também saíram em expedição conosco, com os outros capitães e tripulação, para sobrevoar a baia, em frente ao mar. Porém, ninguém saiu em terra, porque o Capitão não quis que ninguém estivesse nela. Somente saímos quando encontramos uma ilha grande – nesta mesma baia –, e que na maré baixa fica bastante vazia. Todavia, é cercada de água por toda parte, de tal maneira que ninguém pode ir até lá, somente com a nave ou a nado. Ali, pudemos relaxar por duas horas.

Alguns colegas, bastante ligeiros, levaram uma rede pequena e trataram de lançar à sorte em busca de algum peixe, o que de fato, obtiveram um certo êxito, já que conseguiram arrastar alguns peixes pequenos e em pouca quantidade.

Naquele canto onde estávamos, ocorre um fato inusitado, de efeitos surreais e de aparência encantadora. Analisado por nossos computadores e estudiosos responsáveis na nave-mãe, nos avisaram que este fenômeno interessantíssimo acontecia logo ali perto – que pudemos ver com nossos próprios olhos –, e que proporciona efeito incrível. Graças a influência da forte gravidade das quatro gigantes e maravilhosas luas presentes no céu, quase alinhadas, a água é atraída para os céus uns 20 metros de altura e pode-se visualizar a beleza surpreendente de um aquário surgir. Águas límpidas e translucidas  sem que houvesse barreiras para segurá-las, por isso, peixes de diversos tamanhos nadam lindos, livres e soltos, saltando das paredes enormes e transparentes, para caírem no mar logo abaixo. Baleias, golfinhos, tartarugas, arraias e outros muitos peixes, que nem mesmo saberia existir, ou se catalogadas na Terra, se exibem lindos naquele mar maravilhoso da Terra Cruz. Cores variadas e formatos diversos, passando a poucos metros de nós. Um show empolgante que, provavelmente, será enviado pelos responsáveis da área de mídia à Vossa Alteza.

Baleia

Então, depois daquela tarde agradável, incrível e muito prazerosa, permanecemos mais um bom tempo em alegre e descontraída conversa. Voltamos às naves, apenas quando já era bem de noite.

*Obs1: Estou testando esta história – posso mudá-la completamente, conforme sentir necessidade.

*Obs2: Segue link da carta de Pero Vaz de Caminha: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/perovazcaminha/carta.htm

 

Cap. 1 – Viagem ao Planeta Terra Cruz.

Esta é uma história baseada na carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o descobrimento de um planeta.

Capa-Terra-Cruz

Senhor,

Mando notícias de nossa aventura, sua escrivã, Kepha Vaz de Caminha, da frota de Pedro Alvares Cabral. Envio este primeiro relatório sobre minhas impressões, com a certeza de que o Capitão-mor da nave em que me encontro, assim como os outros capitães das outras naves que nos acompanham, igualmente mandarão suas mensagens, com destino à Vossa Alteza, sobre a boa notícia do descobrimento do novo planeta, que nesta viagem confirmo, o que também pretendo passar em detalhes sobre este acontecimento à Vossa Alteza – dentro do possível –, já que me considero, entre todos, ser a menos capacitada para tanto.

Peço que aceite minhas limitações ao tentar relatar sobre as coisas que vi e acontecimentos que tive a oportunidade de vivenciar, sendo a mais clara e objetiva possível.

Não darei detalhes técnicos, pois os capitães têm melhor capacidade, mas começo aqui a descrição, à minha maneira, de tamanha experiência:

A partida, de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março de 3001.

Capa-Terra-Cruz2

Sábado, 14 deste mesmo mês, entre 8h e 9h, depois de ver se distanciar rapidamente ao longe um pequeno brilho de um planeta perdido na calma escuridão do universo – nossa querida Terra, entramos em rota sem precedentes rumo ao desconhecido.

Domingo, dia 22 do dito mês, equivalente às 22h de Belém, exatamente, avistamos formações curiosas, que passaram muito rápido e que não pudemos identificar com exatidão, apelidou-se ilha de S. Nicolau, graças ao formato das nuvens, acúmulos gasosos e coloridos, nome dado pelo piloto Pero Escobar, em homenagem à nossa querida ilha.

No dia seguinte, segunda-feira, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nave, sem que houvesse nenhuma atividade extraordinária e nada contrário que tivesse acontecido. Nosso capitão fez varias buscas na tentativa de o achar, por toda parte, mas não apareceu mais!

Seguimos nosso caminho, pelo vasto universo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, dia 21 de Abril, em uma velocidade Warp9 ou seja, aproximadamente de 1.637.280.000.000 km/h, melhor dizendo e para o vosso conhecimento, 1516 vezes a velocidade da luz, e segundo informações dos pilotos, foi quando avistamos sinais de um planeta inesperado.

Um planeta azul e que se não soubesse estar a muitos anos/luz da Terra, diria se tratar dela própria, com exceção da disposição de seus continentes.

Quarta-feira seguinte, pousamos a nave no imenso mar que existe neste planeta de atmosfera agradável, para confirmar, mais uma vez, a incrível semelhança ao nosso planeta. Porém, como em tempos passados, graças à pureza do ar e o excesso de áreas inexploradas, floridas e cobertas de verde, assim como as ervas compridas espalhadas por todo lado e que deram o nome de rabo-de-asno.

Sim, há vida animal, e surpresos, topamos com aves gigantescas e coloridas que chamam de fura-buxos

O Capitão- mor optou por continuarmos nossa viagem pelo mar, tal qual um grande navio, para reconhecer e recolher materiais orgânicos para estudo, sendo assim, neste dia, no final da tarde, avistamos terra! Primeiro um grande monte, muito alto e redondo; ao sul deste, uns montes mais baixos, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão colocou o nome – o Monte Pascoal e ao planeta – Terra Cruz. Graças a formação dos continentes, que ao todo se pareciam uma grande cruz.

Optou-se passarmos a noite por ali mesmo, porém já não em mar, mas pelo céu, próximo a um rio. Na manhã seguinte é que demos conta da presença de humanoides à beira deste rio, em sua praia. Fato este que, já havia sido avisado da existência, pelas naves menores que foram na frente com a intenção de reconhecimento.

Houve uma reunião em nossa nave, com o Capitão-mor, para que se decidisse qual seria o próximo passo. Foi assim que mandaram para terra, em pequena nave aberta, Nicolau Coelho, onde pudemos observar que fora recebido, a princípio por por alguns poucos e que se tornaram em torno de vinte homens conforme se aproximavam e estes surgiam para recepcioná-lo na praia.

Eram homens muito altos e fortes, andavam com roupas de um material fosco, aparentemente emborrachado, as partes de seus corpos que apareciam descobertos, revelavam peles, ora azul e em outras esverdeada. Tinham armas consigo, aparentavam o formato de arcos, mas carregadas com flechas feitas de uma luminescência clara, um laser azul, que mantiveram apontadas para Nicolau durante todo o tempo. Este, homem experiente e equilibrado, com poucos gestos e mímicas, fez com que baixassem a pontaria contra ele.

Não havia fala que se fizesse compreensível, então, Nicolau retirou sua capa vermelha que lhe cobria os ombros, juntamente com sua boina e entregou, como presente, ao homem mais próximo dele. Ato copiado pelos acompanhantes de Nicolau, para presentear com bonés e bijuterias que tinham pelo corpo.

Dali, retornaram à nave onde estávamos, para fazer um levantamento daquele primeiro contato e protegerem-se da noite que se aproximava, mesmo que estivesse clara o suficiente, graças as 4 luas presentes que iluminavam consideravelmente todo o local.

Na noite seguinte, ventou tanto, de sudeste, formando um temporal absurdo, que fez com que não saíssemos das naves, e especialmente os que estavam nas naves-mãe.

Sexta pela manhã, às oito horas – horário da Terra, mais ou menos, mas que por coincidência um horário muito próximo do novo planeta – Terra Cruz, por conselho dos pilotos, o Capitão ordenou que levantássemos voo para irmos ao longo da costa, acompanhados de perto pelas naves menores na direção do norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nos demorássemos, para estocar água e possíveis frutas – não sem antes serem minuciosamente esterilizadas e avaliadas  como comestíveis. E por aqui nos acertarmos.

Quando paramos por ali, estavam já na praia e atentos perto do rio, de sessenta ou setenta daqueles seres humanoides, que se haviam juntado ali de pouco em pouco.

Via-os de longe, quando o Capitão mandou que as naves pequenas seguissem mais próximas à terra e descobrissem pouso seguro para as naves-mães.

Nossa nave deslizou pela costa, uns 48km de onde havíamos partido, até achar a naves menores em uma formação rochosa, um recife com um porto dentro dele, pareceu muito bom, seguro e com uma larga entrada. Sobrevoaram a nave ali e pousaram.

Estando Alfonso Lopes, nosso piloto, em uma daquelas naves pequenas, por mando do Capitão e por ser homem apto e capaz para isso, foi explorar as novas terras. Voltou com dois daqueles homens azuis, altos e de bons corpos, que navegavam em uma canoa. Um deles estava armado com aquele arco luminoso, mas sem aparentar ameaça. Alfonso trouxe-os, já de noite, ao Capitão, e foram bem recebidos com grande alegria e festa.

Eles têm as feições muito belas e serenas, uma pele que parece mudar de cor conforme o local onde se encontram, mais translúcidas, azuis e claras quando se aproximam do mar; e esverdeados, mais densas ao adentrarem os matos – local aonde moram. Expressões calmas, rostos lisos, olhos claros, narizes finos e bem-feitos. Toquei suas vestimentas emborrachadas, tal qual um látex e muito colada nos corpos fortes e bem definidos, como se fosse uma segunda pele, e mais nenhuma cobertura. Diante de suas figuras perfeitas, não tinham do que se envergonharem e, por isso, não se preocupam nem de cobrirem-se ou de mostrarem-se; e nisso têm tanta inocência como mostrar o rosto. Ambos trazem dentes grandes, lindos e retos, como se tivessem esculpido, um tom claro de se admirar, dentes muito brancos e verdadeiros como uma propaganda de pasta de dente. Carregam um colar dourado, de forma aguda na ponta como uma pirâmide de ponta cabeça.

Os cabelos bem azuis, lisos e compridos. Um deles trazia enrolado no braço logo abaixo da axila, de frente para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de uma calda imponente, muito grande, que se estendia para trás de sua cabeça.

O outro, tinha penas semelhantes na cabeça, amarrado aos cabelos, preso de forma caprichosa, confeccionado com um cordão delicado, de um material parecido com uma cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava muito comprida, impressionante e imponente, com estilos de cortes que parecia predominar em todas as cabeças do povo que ali habitava.

O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira grande, bem vestido, com relógio e anéis de ouro muito chamativos, e aos pés um tapete grande e grosso, com desenhos de cores vivas e variadas. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e eu, estávamos sentados em cadeiras do enorme salão claro. A disposição das cadeiras configurava  um “u”, estávamos em silêncio e atentos aos sons de passos que se aproximavam, quando eles entraram.

Não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão e a ninguém. Porém, um deles olhou o colar do Capitão, e começou acenar calmamente com a mão, bastante discreto, para a terra e depois para o relógio, como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para peças de prata e acenou para a terra como se nos informasse de que lá também houvesse prata.

Na sala havia muitos quadros sobre muitos temas, mas apenas um em especial lhes despertaram interesse, a que continha um papagaio. Pelos gestos, pudemos entender que existia uma ave parecida em sua terra, no entanto pareciam tentar explicar que era bem maior do que a que estava ali representada.

Serviram comidas e bebidas à vontade, um belo banquete que misturava frutas, pães e bebidas, coisa que não os agradou, sendo que mal experimentaram e se o fizeram, logo cuspiram de volta ao prato, demonstrando grande desagrado.

Gostaram de alguns objetos que estavam pelo salão, porém, acima de tudo, adoraram as correntes dos que ali estavam. Pegaram, enrolaram em seus braços e, mais uma vez, apontaram para as correntes, para o relógio do capitão e depois para a terra, como dizendo que dariam ouro por aquilo.

Entendemos que sua terra era fértil e rica, pois era isso que queríamos entender, quando apontavam o lindo relógio do capitão e depois a terra de onde vinham. Houve um momento de euforia por parte deles, ao mexer em tudo, puxarem nossas vestes e correntes, que logo cessou, quando alguns membros da tripulação os tranquilizaram com gestos calmos. Todavia, assim que este momento passou, os grandões, sem nenhuma cerimônia, deitaram em um canto qualquer e dormiram por ali mesmo.

Por ordem do Capitão, cobriram as duas figuras exóticas e de grande pureza que, em paz, dormiram sem alarde.

No Sábado pela manhã o Capitão mandou que todas as naves se juntassem onde estávamos. Era um lugar tão grande e espaçoso, que caberia umas 200 naves por ali. Logo que estacionaram, todos os capitães vieram para a nossa nave-mãe, do Capitão-mor. Daqui, foi determinado para que o capitão Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois seres, com seus impressionantes e preocupantes arcos de energia azul de volta para a terra, mas antes que partissem, deu de presente a cada um uma camisa nova, bonés com o logotipo da frota e dois rosários de contas brancas e que eles levaram enrolados e orgulhosos em seus braços. Mandou com eles, para lá ficar, um preso/exilado, que servia a D.João Telo, a quem chamam de Afonso Ribeiro, para que se misturasse entre os nativos e descobrisse os costumes e maneiras. Também me incumbiu de acompanhar Nicolau Coelho.

*Obs1: Estou testando esta história – posso mudá-la completamente, conforme sentir necessidade.

*Obs2: Segue link da carta de Pero Vaz de Caminha: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/perovazcaminha/carta.htm