Quando o mundo lhe sorri animado!

Qdo-Sorri-Animado

Final de Domingo, impossível ser feliz! – O momento mais escuro da semana – Pensava depressivo e querendo desaparecer da face da Terra! – Ninguém merece!

Chegara em sua casa bastante desanimado com a vida e com o que aquele momento oferecia para ele. Tudo parecia estar afundando. – Cara, que dia pesado! Lembrava se sentindo a pior pessoa do mundo.

Brigara com sua namorada, arrebentara a traseira do seu carro em um pilar baixo, perdera o celular em algum lugar que não saberia dizer onde, arrumara uma encrenca feia no bar, tomara um murro na cara que lhe quebrara os óculos, uma marca cara que acabara de comprar e estava com um olho roxo. – Que porra é essa? Reclamara em voz alta antes de se aproximar da porta de sua casa, enquanto admirava o estrago no carro.

Levou as mãos ao rosto e tapou os olhos, como se quisesse esquecer aquele dia ruim, apenas imaginando como iria ser o próximo – uma segunda-feira cinza, onde as previsões prometiam frio e chuva durante todo o período. Olhou para o céu, buscando o diretor geral do filme em que ele desejava desesperadamente ser o protagonista, e disse em voz alta:

– Dá uma força aí!!!

Respirou fundo, sacudiu a cabeça tentando se encaixar na vida mais uma vez, depois bateu a mão no bolso e, para seu desagrado, não encontrou as chaves de sua casa.

Bufou irritado, deu chute no pneu que lhe doeu nos dedos do pé, talvez uma leve fratura, e sentiu vontade de chorar, mas apenas lamentou:

– Qualé God?

Quis ser forte, buscou pensamentos elevados e tentou se conformar com aquela coisa toda, como era de seu feitio. Porém, percebendo que não seria possível, deu um soco na pesada porta bem em sua frente. Gritou mais uma vez de dor, graças a sua estrutura frágil de homem caseiro e despreparado para qualquer tipo de conflito, enquanto olhava desanimado o corte em sua mão, além de constatar, sem forças, que sujara sua camisa nova com o sangue que vazou de seu punho.

Quase chorou de ódio, mas diante de tanta coisa ruim e sua incapacidade de lidar com aquilo tudo, já que sempre fora um ser pacífico e controlado, apenas entrou de volta em seu carro e ligou o rádio para desanuviar a mente irritada e tentar achar uma saída racional para o momento cretino em que estava enfiado.

Respirou fundo e tentou dormir, na esperança de que encontraria algo melhor na manhã seguinte e, assim, se manter confiante na possibilidade de sair daquela maré estranha de azar sem sentido.

Olhou para si mesmo – que coisa ruim? Gelado e molhado!!!

Foi neste estado lamentável e sujo – de uma tarde de muita farra e cheias de perturbações –, que ele ouviu de olhos fechados um barulho estranho na maçaneta de seu carro, como se alguém quisesse desesperadamente invadir.

Abriu os olhos e se virou rapidamente para a janela, mas não havia nada.

Pensou ter tido algum pesadelo, deu uma risadinha sem graça do susto, se ajeitou novamente no banco, deu uma breve conferida no retrovisor e novamente mais uma surpresa apavorante, se deparou com a imagem de um enorme gorila azul o encarando.

Deu um grito de horror antes do monstrengo feioso saltar sobre ele.

– AAAAAAAHHHH!

Com a respiração acelerada, olhos arregalados e sem entender nada, acordou gritando e completamente embolado em sua manta azul – a predileta dos dias frios –, quase o sufocando.

Estava em sua cama quentinha e dentro de seu quarto completamente seguro.

Estivera em um pesadelo maluco onde tudo dera errado. Nada acontecera de verdade, era o primeiro dia do feriado prolongado, em uma linda manhã de quinta-feira.

O mundo lhe sorrira mais uma vez!

 

Cap. 2 – Viagem ao Planeta Terra Cruz.

Esta é uma história baseada na carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o descobrimento de um planeta.

Terra-Cruz2

Subimos em uma das naves pequenas, assim como tinham chegado, voltamos para a praia.

Chegamos ali onde já nos esperavam cerca de duzentos homens, todos com aquele mesmo tipo de vestimenta emborrachada, com aqueles arcos e flechas iluminadas nas mãos. Os dois homens da tribo, que nós já havíamos levado em nossa nave – na presença do Capitão-mor –, e agora nos acompanhavam de volta acenaram-lhes que se afastassem e abaixassem os arcos; e eles assim o fizeram, mas não se afastaram muito. Mal pousaram os arcos, os dois homens e Afonso – o exilado –, foi com eles. Ao sair dali, não pararam mais; nem esperavam um pelo outro, mas corriam acelerados, como se estivessem apostando quem entre eles era o mais rápido, o que nos exigiu muito do condicionamento, porque tivemos que, com grande dificuldade, acompanhar aquela correria desenfreada.

Passaram num rio que por ali corre, de água doce e tamanha abundância, que passamos pela cintura, assim como outros muitos que nos acompanhavam de perto.

Todos correndo o tempo inteiro, uns gritavam, riam e falavam entre si em conversa inteligível, pelo rio e entre moitas, que para espanto, nestes muitos caminhos, encontrávamos outros que passavam a nos acompanhar também, sempre numa embalada e empolgada correria.

Tanto corremos que estava exausta, já que carregava uma mochila pesada, até que, ao chegar a um descampado, paramos. Afonso, que imaginava estar correndo bem à frente, na realidade chegou depois, junto com um daqueles homens – um senhor já bem mais velho. Este, logo que havia saído da nave, os trouxera até ali de carona, o agasalhou com a capa que tinha recebido de presente de um dos nossos e se responsabilizou em acompanhá-lo. Depois se voltaram para nós, falando bastante entre eles e infelizmente nada compreendemos. Junto a este grupo – em que estava o exilado –, vieram os outros, aqueles que nós tínhamos recebido na nave do capitão, eles vinham já sem os pertences que tinham recebido de presente do capitão, naquela oportunidade.

Correndo_Rio

Então, começaram a aparecer muitos deles. Chegavam pela beira do mar acompanhando nossas naves, em uma quantidade absurda e incontável; traziam nossos galões de água, tomaram para si alguns barris que nós reservamos, bebiam à vontade e sem cerimônias, depois enchiam novamente de água do rio e levavam até a nave de volta. Não eram todos que invadiam a nave, mas uma quantidade considerável deles. Traziam nossos barris, apontavam objetos e pediam que lhes dessem alguma coisa, quando descobriam algo de interesse, não por maldade ou ambição, mas como crianças espontâneas, curiosas e desejosas de um novo brinquedo. Levava Nicolau Coelho bijuterias e moedas consigo que as distribuía entre eles, para conquistar a simpatia dos grandalhões. Estas peças eram inúteis para seu povo no dia a dia, mas que, por serem diferentes, estendiam suas mãos de dedos enormes e compridos para recebê-las animados, desta maneira, Nicolau quebrava um pouco da desconfiança e timidez dos enormes rapazes.

Receberam seus presentes muito contentes e risonhos, mas jamais trocaram seus arcos, de forma alguma, como se fossem peças sagradas e nem mesmo entre eles via-se o costume de trocas deste objeto, o que despertou grande curiosidade entre a gente, para saber por qual motivo nunca desgrudavam daquelas armas.

Logo após aquele momento descontraído, partiram os dois que ficaram naquela noite conosco na nave e nunca mais foram vistos.

Todos que ali estavam traziam aqueles colares com a pirâmide de ponta cabeça e os arcos consigo, do mesmo modo, usavam aquela roupa interessante e muito grudada em seus corpos e rostos lisos como de um menino. Ali andavam muitos deles, almas tranquilas, animadas, simples e com seus enormes cabelos azuis. Apenas alguns tinham uma pintura nos olhos, como uma máscara igualmente azul, dando uma expressão muito forte, tal qual um guerreiro, além das penas longas e bem coloridas presas em seus cabelos.

Andavam entre eles três ou quatro moças, jovens e bem gentis, de pele muito branca, com longos cabelos muito vermelhos, até o meio de suas costas, enfeitadas de flores diversas com infinitas cores. Lindos corpos esculturais de beleza impressionante, que de tanto observar seus seios e intimidades, já não nos despertava nenhuma vergonha.

Em determinado momento do dia, não houve mais fala ou entendimento com eles, pois pareciam estar desligados daquela realidade e entrado em profunda meditação. Pareciam estar absorvendo algum encantamento da floresta que nos cercava, sentados em silêncio profundo e de olhos fechados, não interagiam entre si, nem com mais nenhum de nós, desta maneira, ninguém conversava e nem ouvia ninguém. Silêncio completo, apenas os sons da natureza. Porém, algo nos chamou bastante atenção, seus arcos pareciam estar vibrando e, ao mesmo tempo, pulsavam as luzes das flechas feita de alguma energia, tal qual um raio, acompanhando as luzes das pirâmide em seus colares.

Em certo momento, eles abriram os braços, como uma dança sincronizada, sem que se olhassem ou combinassem movimentos. Ficamos surpresos, pois as flechas luminosas deslizaram pelo arco, subiram por seus braços, como se tivessem vida própria, passando pelo pescoço e escorregando pelos rostos até o topo da cabeça. Esta energia azul ficou ali por poucos minutos e ao ascender mais forte mais uma vez, ainda como um raio, desceu pela cabeça, através da nuca, e se firmou por toda a coluna. Permanecendo ali, lindamente acesa, por um bom tempo.

Entendemos que aquela megamanifestação era algum ritual, ou coisa parecida, algo que não compreendemos, mas que – mesmo eu estando muito curiosa –, não deveríamos interromper e nem atrapalhar, por isso, saímos dali.

Voltamos no sentido do rio para colaborar com três ou quatro de nossos homens que enchiam não sei quantos barris de água que nos levaram, naquele excesso de alegria, quando nos encontramos por ali, desta maneira, em colaboração, tornamos a repor na nave. Porém, quando estávamos entrando na nave para partir, acenaram que retornássemos. Voltamos até lá e eles mandaram o exilado para gente, dando a entender que não queriam que ele ficasse lá entre eles.

Não quiseram nada do que ele carregava, pois este carregava de volta para a nave uma caneca e os bonés vermelhos. Confessara ter levado como presente, para que, assim como Nicolau Coelho, conquistaria as confianças, coisa que não aconteceu. Aquilo pareceu bem estranho, por não sentirem a mesma convicção em Afonso, da mesma maneira que depositaram nos capitães. Como se tivessem captado qualquer coisa que não os agradassem nele. Porém, Bartolomeu Dias o fez voltar e ordenou que lhes desse o que tinha, pois achou inconveniente não agradar os que ali estavam, trazendo de volta os pertences. Então, Afonso foi até eles e deu os presentes sob nossa atenção.

O que recebeu era quem havia dispensado atenção com o exilado, o coberto com a capa e o tratado com grande respeito na chegada naquela praia.

Este senhor já tinha idade avançada, andava um pouco curvado e de maneiras mais frágeis do que os moços que o acompanhavam. Seu traje era diferente dos demais, não estava com o látex grudado ao corpo, mas um tecido branco mais grosso, botas de tecido resistente com cadarços e um poncho vinho sobre tudo, tal qual uma roupa de gala. Parecia mais imponente e enfeitado, com muitas penas, colares, e com um lindo adorno colorido na cabeça. Tinha muitas pinturas no rosto e braços, eram setas e mais setas, lembrei da imagem de S. Sebastião, que apontavam em direção ao seu coração, onde estava o final de seu colar com a tal da pirâmide, num brilho esverdeado, diferente dos demais e bem interessante de se ver.

O outros usavam um adorno na cabeça também, mas com penas de apenas uma cor, as vezes amarelas, outros vermelhas e alguns com verdes.

As moças estavam ali também, não eram as mesmas de algumas horas atrás, mas outras que ainda não tínhamos visto. Não usavam aquelas roupas de borracha até o pescoço, mas um vestido fino, de tecido muito leve e transparente – podia-se afirmar nuas –, com os rostos pintados com aquelas máscaras nos olhos, só que pretas. Lindas, com seus cabelos vermelhos esvoaçantes, seios grandes, barrigas musculosas e magras, com suas nádegas cheias e bem definidas, coxas fortes e graciosas, que as muitas mulheres da nossa terra, vendo tais feições, ficariam envergonhadas de ficarem lado a lado, por não terem corpos tão bonitos como as que elas apresentavam.

Mulher-Linda

Admiramos tamanho espetáculo e graciosidade, comentamos empolgados sobre aquele encontro, depois voltamos à nave e eles se foram.

Mais tarde sai da nave-mãe juntamente com o Capitão-mor e uma boa tripulação, em uma nave menor e aberta ao vento. Outras naves também saíram em expedição conosco, com os outros capitães e tripulação, para sobrevoar a baia, em frente ao mar. Porém, ninguém saiu em terra, porque o Capitão não quis que ninguém estivesse nela. Somente saímos quando encontramos uma ilha grande – nesta mesma baia –, e que na maré baixa fica bastante vazia. Todavia, é cercada de água por toda parte, de tal maneira que ninguém pode ir até lá, somente com a nave ou a nado. Ali, pudemos relaxar por duas horas.

Alguns colegas, bastante ligeiros, levaram uma rede pequena e trataram de lançar à sorte em busca de algum peixe, o que de fato, obtiveram um certo êxito, já que conseguiram arrastar alguns peixes pequenos e em pouca quantidade.

Naquele canto onde estávamos, ocorre um fato inusitado, de efeitos surreais e de aparência encantadora. Analisado por nossos computadores e estudiosos responsáveis na nave-mãe, nos avisaram que este fenômeno interessantíssimo acontecia logo ali perto – que pudemos ver com nossos próprios olhos –, e que proporciona efeito incrível. Graças a influência da forte gravidade das quatro gigantes e maravilhosas luas presentes no céu, quase alinhadas, a água é atraída para os céus uns 20 metros de altura e pode-se visualizar a beleza surpreendente de um aquário surgir. Águas límpidas e translucidas  sem que houvesse barreiras para segurá-las, por isso, peixes de diversos tamanhos nadam lindos, livres e soltos, saltando das paredes enormes e transparentes, para caírem no mar logo abaixo. Baleias, golfinhos, tartarugas, arraias e outros muitos peixes, que nem mesmo saberia existir, ou se catalogadas na Terra, se exibem lindos naquele mar maravilhoso da Terra Cruz. Cores variadas e formatos diversos, passando a poucos metros de nós. Um show empolgante que, provavelmente, será enviado pelos responsáveis da área de mídia à Vossa Alteza.

Baleia

Então, depois daquela tarde agradável, incrível e muito prazerosa, permanecemos mais um bom tempo em alegre e descontraída conversa. Voltamos às naves, apenas quando já era bem de noite.

*Obs1: Estou testando esta história – posso mudá-la completamente, conforme sentir necessidade.

*Obs2: Segue link da carta de Pero Vaz de Caminha: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/perovazcaminha/carta.htm

 

Cap. 1 – Viagem ao Planeta Terra Cruz.

Esta é uma história baseada na carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o descobrimento de um planeta.

Capa-Terra-Cruz

Senhor,

Mando notícias de nossa aventura, sua escrivã, Kepha Vaz de Caminha, da frota de Pedro Alvares Cabral. Envio este primeiro relatório sobre minhas impressões, com a certeza de que o Capitão-mor da nave em que me encontro, assim como os outros capitães das outras naves que nos acompanham, igualmente mandarão suas mensagens, com destino à Vossa Alteza, sobre a boa notícia do descobrimento do novo planeta, que nesta viagem confirmo, o que também pretendo passar em detalhes sobre este acontecimento à Vossa Alteza – dentro do possível –, já que me considero, entre todos, ser a menos capacitada para tanto.

Peço que aceite minhas limitações ao tentar relatar sobre as coisas que vi e acontecimentos que tive a oportunidade de vivenciar, sendo a mais clara e objetiva possível.

Não darei detalhes técnicos, pois os capitães têm melhor capacidade, mas começo aqui a descrição, à minha maneira, de tamanha experiência:

A partida, de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março de 3001.

Capa-Terra-Cruz2

Sábado, 14 deste mesmo mês, entre 8h e 9h, depois de ver se distanciar rapidamente ao longe um pequeno brilho de um planeta perdido na calma escuridão do universo – nossa querida Terra, entramos em rota sem precedentes rumo ao desconhecido.

Domingo, dia 22 do dito mês, equivalente às 22h de Belém, exatamente, avistamos formações curiosas, que passaram muito rápido e que não pudemos identificar com exatidão, apelidou-se ilha de S. Nicolau, graças ao formato das nuvens, acúmulos gasosos e coloridos, nome dado pelo piloto Pero Escobar, em homenagem à nossa querida ilha.

No dia seguinte, segunda-feira, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nave, sem que houvesse nenhuma atividade extraordinária e nada contrário que tivesse acontecido. Nosso capitão fez varias buscas na tentativa de o achar, por toda parte, mas não apareceu mais!

Seguimos nosso caminho, pelo vasto universo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, dia 21 de Abril, em uma velocidade Warp9 ou seja, aproximadamente de 1.637.280.000.000 km/h, melhor dizendo e para o vosso conhecimento, 1516 vezes a velocidade da luz, e segundo informações dos pilotos, foi quando avistamos sinais de um planeta inesperado.

Um planeta azul e que se não soubesse estar a muitos anos/luz da Terra, diria se tratar dela própria, com exceção da disposição de seus continentes.

Quarta-feira seguinte, pousamos a nave no imenso mar que existe neste planeta de atmosfera agradável, para confirmar, mais uma vez, a incrível semelhança ao nosso planeta. Porém, como em tempos passados, graças à pureza do ar e o excesso de áreas inexploradas, floridas e cobertas de verde, assim como as ervas compridas espalhadas por todo lado e que deram o nome de rabo-de-asno.

Sim, há vida animal, e surpresos, topamos com aves gigantescas e coloridas que chamam de fura-buxos

O Capitão- mor optou por continuarmos nossa viagem pelo mar, tal qual um grande navio, para reconhecer e recolher materiais orgânicos para estudo, sendo assim, neste dia, no final da tarde, avistamos terra! Primeiro um grande monte, muito alto e redondo; ao sul deste, uns montes mais baixos, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão colocou o nome – o Monte Pascoal e ao planeta – Terra Cruz. Graças a formação dos continentes, que ao todo se pareciam uma grande cruz.

Optou-se passarmos a noite por ali mesmo, porém já não em mar, mas pelo céu, próximo a um rio. Na manhã seguinte é que demos conta da presença de humanoides à beira deste rio, em sua praia. Fato este que, já havia sido avisado da existência, pelas naves menores que foram na frente com a intenção de reconhecimento.

Houve uma reunião em nossa nave, com o Capitão-mor, para que se decidisse qual seria o próximo passo. Foi assim que mandaram para terra, em pequena nave aberta, Nicolau Coelho, onde pudemos observar que fora recebido, a princípio por por alguns poucos e que se tornaram em torno de vinte homens conforme se aproximavam e estes surgiam para recepcioná-lo na praia.

Eram homens muito altos e fortes, andavam com roupas de um material fosco, aparentemente emborrachado, as partes de seus corpos que apareciam descobertos, revelavam peles, ora azul e em outras esverdeada. Tinham armas consigo, aparentavam o formato de arcos, mas carregadas com flechas feitas de uma luminescência clara, um laser azul, que mantiveram apontadas para Nicolau durante todo o tempo. Este, homem experiente e equilibrado, com poucos gestos e mímicas, fez com que baixassem a pontaria contra ele.

Não havia fala que se fizesse compreensível, então, Nicolau retirou sua capa vermelha que lhe cobria os ombros, juntamente com sua boina e entregou, como presente, ao homem mais próximo dele. Ato copiado pelos acompanhantes de Nicolau, para presentear com bonés e bijuterias que tinham pelo corpo.

Dali, retornaram à nave onde estávamos, para fazer um levantamento daquele primeiro contato e protegerem-se da noite que se aproximava, mesmo que estivesse clara o suficiente, graças as 4 luas presentes que iluminavam consideravelmente todo o local.

Na noite seguinte, ventou tanto, de sudeste, formando um temporal absurdo, que fez com que não saíssemos das naves, e especialmente os que estavam nas naves-mãe.

Sexta pela manhã, às oito horas – horário da Terra, mais ou menos, mas que por coincidência um horário muito próximo do novo planeta – Terra Cruz, por conselho dos pilotos, o Capitão ordenou que levantássemos voo para irmos ao longo da costa, acompanhados de perto pelas naves menores na direção do norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nos demorássemos, para estocar água e possíveis frutas – não sem antes serem minuciosamente esterilizadas e avaliadas  como comestíveis. E por aqui nos acertarmos.

Quando paramos por ali, estavam já na praia e atentos perto do rio, de sessenta ou setenta daqueles seres humanoides, que se haviam juntado ali de pouco em pouco.

Via-os de longe, quando o Capitão mandou que as naves pequenas seguissem mais próximas à terra e descobrissem pouso seguro para as naves-mães.

Nossa nave deslizou pela costa, uns 48km de onde havíamos partido, até achar a naves menores em uma formação rochosa, um recife com um porto dentro dele, pareceu muito bom, seguro e com uma larga entrada. Sobrevoaram a nave ali e pousaram.

Estando Alfonso Lopes, nosso piloto, em uma daquelas naves pequenas, por mando do Capitão e por ser homem apto e capaz para isso, foi explorar as novas terras. Voltou com dois daqueles homens azuis, altos e de bons corpos, que navegavam em uma canoa. Um deles estava armado com aquele arco luminoso, mas sem aparentar ameaça. Alfonso trouxe-os, já de noite, ao Capitão, e foram bem recebidos com grande alegria e festa.

Eles têm as feições muito belas e serenas, uma pele que parece mudar de cor conforme o local onde se encontram, mais translúcidas, azuis e claras quando se aproximam do mar; e esverdeados, mais densas ao adentrarem os matos – local aonde moram. Expressões calmas, rostos lisos, olhos claros, narizes finos e bem-feitos. Toquei suas vestimentas emborrachadas, tal qual um látex e muito colada nos corpos fortes e bem definidos, como se fosse uma segunda pele, e mais nenhuma cobertura. Diante de suas figuras perfeitas, não tinham do que se envergonharem e, por isso, não se preocupam nem de cobrirem-se ou de mostrarem-se; e nisso têm tanta inocência como mostrar o rosto. Ambos trazem dentes grandes, lindos e retos, como se tivessem esculpido, um tom claro de se admirar, dentes muito brancos e verdadeiros como uma propaganda de pasta de dente. Carregam um colar dourado, de forma aguda na ponta como uma pirâmide de ponta cabeça.

Os cabelos bem azuis, lisos e compridos. Um deles trazia enrolado no braço logo abaixo da axila, de frente para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de uma calda imponente, muito grande, que se estendia para trás de sua cabeça.

O outro, tinha penas semelhantes na cabeça, amarrado aos cabelos, preso de forma caprichosa, confeccionado com um cordão delicado, de um material parecido com uma cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava muito comprida, impressionante e imponente, com estilos de cortes que parecia predominar em todas as cabeças do povo que ali habitava.

O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira grande, bem vestido, com relógio e anéis de ouro muito chamativos, e aos pés um tapete grande e grosso, com desenhos de cores vivas e variadas. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e eu, estávamos sentados em cadeiras do enorme salão claro. A disposição das cadeiras configurava  um “u”, estávamos em silêncio e atentos aos sons de passos que se aproximavam, quando eles entraram.

Não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão e a ninguém. Porém, um deles olhou o colar do Capitão, e começou acenar calmamente com a mão, bastante discreto, para a terra e depois para o relógio, como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para peças de prata e acenou para a terra como se nos informasse de que lá também houvesse prata.

Na sala havia muitos quadros sobre muitos temas, mas apenas um em especial lhes despertaram interesse, a que continha um papagaio. Pelos gestos, pudemos entender que existia uma ave parecida em sua terra, no entanto pareciam tentar explicar que era bem maior do que a que estava ali representada.

Serviram comidas e bebidas à vontade, um belo banquete que misturava frutas, pães e bebidas, coisa que não os agradou, sendo que mal experimentaram e se o fizeram, logo cuspiram de volta ao prato, demonstrando grande desagrado.

Gostaram de alguns objetos que estavam pelo salão, porém, acima de tudo, adoraram as correntes dos que ali estavam. Pegaram, enrolaram em seus braços e, mais uma vez, apontaram para as correntes, para o relógio do capitão e depois para a terra, como dizendo que dariam ouro por aquilo.

Entendemos que sua terra era fértil e rica, pois era isso que queríamos entender, quando apontavam o lindo relógio do capitão e depois a terra de onde vinham. Houve um momento de euforia por parte deles, ao mexer em tudo, puxarem nossas vestes e correntes, que logo cessou, quando alguns membros da tripulação os tranquilizaram com gestos calmos. Todavia, assim que este momento passou, os grandões, sem nenhuma cerimônia, deitaram em um canto qualquer e dormiram por ali mesmo.

Por ordem do Capitão, cobriram as duas figuras exóticas e de grande pureza que, em paz, dormiram sem alarde.

No Sábado pela manhã o Capitão mandou que todas as naves se juntassem onde estávamos. Era um lugar tão grande e espaçoso, que caberia umas 200 naves por ali. Logo que estacionaram, todos os capitães vieram para a nossa nave-mãe, do Capitão-mor. Daqui, foi determinado para que o capitão Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois seres, com seus impressionantes e preocupantes arcos de energia azul de volta para a terra, mas antes que partissem, deu de presente a cada um uma camisa nova, bonés com o logotipo da frota e dois rosários de contas brancas e que eles levaram enrolados e orgulhosos em seus braços. Mandou com eles, para lá ficar, um preso/exilado, que servia a D.João Telo, a quem chamam de Afonso Ribeiro, para que se misturasse entre os nativos e descobrisse os costumes e maneiras. Também me incumbiu de acompanhar Nicolau Coelho.

*Obs1: Estou testando esta história – posso mudá-la completamente, conforme sentir necessidade.

*Obs2: Segue link da carta de Pero Vaz de Caminha: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/perovazcaminha/carta.htm

 

Mystery Blogger Award

O que é o Mystery Blogger Award?

O ‘Mystery Blogger Award’ é um prêmio para blogueiros incríveis com postagens engenhosas. Seu blog não só cativa; Ele inspira e motiva. Eles são um dos melhores lá fora e eles merecem todo reconhecimento que eles conseguem. Este prêmio também é para blogueiros que acham diversão e inspiração em blogs e fazem isso com tanto amor e paixão. ~ Okoto Enigma.

 

É óbvio que fiquei muito honrado ao ser lembrado com esta premiação. Sempre é bom ser lembrado, não é mesmo? Porém, [com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”- Homem Aranha] também vem a cobrança interna de que devo ficar cada vez melhor nisto, afinal, existem pessoas que gostam do que escrevo e, por isso, merecem o respeito de minha parte, ser mais cuidadoso e caprichoso! Acreditem, tento jogar os textos com o mínimo de erros, mas a correria aqui está maluca demais e me falta energia suficiente para corrigir e rever textos! Desculpem por isso, amiguinhos! :p

Tive duas indicações, que imaginava serem três, mas a outra indicação [da Dulce] pelo que entendi, é outro prêmio! Super legal! Adorei todas!!! 🙂

Meu ego, naturalmente inflado, agora está insuportável! kkk

As indicações destes prêmios vieram do Jauch – figuraça muito gente boa que escreve textos excelentes e muito criativos e da Juju, uma destas muitas almas queridas que surgem em nossa vida! Tudo o que eu disser se torna suspeito, porque acho o Blog dela o maior barato! Obrigado Juju! 🙂

Editei este texto para colocar as perguntas e agradecer a Mãe do Ludo e Vico

Como ele funciona?

  • Coloque o logo / imagem do prêmio no seu blog
  • Listar as regras
  • Agradecer a quem o nomeou e forneça um link para seu blog
  • Mencionar o criador do prêmio
  • Conte a seus leitores 3 coisas sobre você
  • Nomeie até 10 pessoas
  • Notificar os seus indicados comentando no seu blog
  • Peça a seus candidatos cinco questões de sua escolha; Com uma pergunta estranha ou engraçada
  • Compartilhe um link para suas melhores postagens

Mystery Blogger Award Badge 2

Criadora do Prêmio: Okoto Enigma.

Contar 3 coisas sobre mim:

  1. Apesar de falar mais do que a boca e rir de tudo, sou um cara introspectivo! E isso, meus queridos, é bem complicado de viver! 😛
  2. Lutei judô muito tempo, nadei pra caramba, surfei, andei de skate o suficiente e vivia em cima de uma bicicleta, aí você me pergunta: E daí? Ok, isso não evitou que eu fosse gordo a vida inteira – as vezes menos e em outras muuuuito mais! Tenho 1,74m de altura e já cheguei a 140Kg, em outra fase estive com 73Kg!!!!! Hoje tenho 96,5Kg e acredito que, por enquanto, é isso mesmo! kkkk
  3. Sou designer e tenho uma empresa com mais dois malucos, onde trabalho de manhã até às 0h. De segunda à sexta e estou ficando doido! Cansado pra caramba!

Respostas para o Jauch:

• Quando, onde e o que sentiste da última vez que olhaste para um céu estrelado?

Isso aconteceu ainda hoje, junto com minha família, ao sair da casa da Vó!

O céu estava lindo, todo estrelado e uma enorme Lua Cheia! Foi bem legal e me fez sentir saudade da praia, de quando surfávamos todos os Domingos, fazendo sol ou chuva! Tempos mágicos! 🙂

• Já abraçaste uma árvore?

Já abracei uma árvore por amor, por tristeza, por gratidão e por estar muito bêbado!kkk

• Com quantos paus se faz uma canoa?

Aqui em São Paulo [Um Estado do Brasil, onde eu moro], nas padarias [inclusive a grande maioria dos proprietários são portugueses] se você pedir uma canoa, você será servido de um pão sem miolo. E uma canoa com graxa é um pão, sem miolo e com manteiga! Creio que o pau da história só acontecerá se você não pagar a conta! kkk

• Se um duende irlandês bêbado tentar comer seus cadarços, o que você faz?

Suspendo a medicação imediatamente! :p

• Considerando a conjuntura mundial e os eventos mais recentes no Brasil, para que país você já pensou em fugir?

Minha irmã, que já morou em Portugal muitos anos, me disse das belezas desta terra linda e confesso ter ficado bastante interessado. Porém, adoraria acordar uns tempos no Hawaii! Creio que esta segunda opção é um delírio juvenil que permeia o meu imaginário até hoje! kkk

Obrigado, Jauch pelas perguntas e o prêmio. Foi uma bela experiência! 🙂

Respostas para a Juju:

Obs: Estou tentando ser rapidinho Juju! kkk

• Qual é a sua palavra preferida em Português?

Existem muitas e todas elas são importantes, com certeza! Mas, atualmente, a minha predileta é: Família! Esta é uma bem linda, né?

• Supondo que vc, pão de queijo e batata frita fiquem presos num barco que só tem lugar para vc e mais um dos dois. Quem vc jogaria no mar?

Se estas outras duas figuras fossem humanos, eu diria que a “treta” ia ser boa – não há a menor dúvida. Porém, se estes nomes se referem àquelas guloseimas, creio que alguém iria acabar na minha pança, porque sujar o mar é sem chances! kkkk

• Vc lava as mãos toda vez que sai do banheiro?

Impreterivelmente – sempre! “Sou pobre , mas sou limpinho”. Inventaram esta frase pensando em mim! kkk

• Qual a sua idade mental, seja sincero

Depende muito do momento! Com algumas sou mais velho que Matusalém em final de carreira, mas em outros – tenho que confessar –, sou um abestado de no máximo 14 anos!!! kkk

• Há vida mais inteligente em outros planetas?

Bom, os caras [Ets] até se esforçaram para me explicar isto, mas não entendi nada! kkkk

Valeu, Juju! 🙂

Respostas da Mãe do Ludo e Vico:

• Qual é a sua sobremesa favorita?

Quindim, mas também pode ser um maravilhoso Bolo de Fubá Cremoso!!! Viu? Você não está sozinha nesta! kkk

• Qual é o seu cheiro favorito?

Nossa… tem tantos cheiros que me agradam: Do mar, de mato, perfumes… mas o de café!!! Este é especial! 😛

• Descreva a pior roubada para a qual teve que ir para agradar alguém?

Vou ser sincero, já me meti em muitos lugares e situações que não queria estar: brigas, ficar com a irmã feia da namorada do amigo, gente não muito confiável… e muito mais!kkk

Por quanto tempo consegue guardar um segredo?

Para o resto da vida! Minha memória é horrível! kkk

Para quem ou o quê você pede ajuda quando se desespera?

Se a coisa é desesperadora, uma rezinha sempre cai bem. Porém, a família é tudo nesta vida! 🙂

Obrigado, minha amiga! Valeu as perguntas e adorei respondê-las! 🙂

Colocar um link para um dos meus textos que mais gosto

Isso é bem horrível, já que tem a ver com o gosto pessoal e não reverenciar os muitos outros textos que acredito terem ficado bem legais também, mas… regras são regras, não é mesmo?! Vamos lá! 🙂

Este texto é o preferido do meu filho, que em sua inocência, ri das palavras estranhas e da brabeza do Cabra da Peste:

Seu Agenô

Obs1: Os termos e palavras estão assim, estranhos e escritos errados, porque estão adaptados ao linguajar do personagem – ou uma tentativa. Aos estrangeiros que me acompanham… desculpem, mas não tem tradução!  :p

Obs2: Esta banda no vídeo são conhecidos e chegados, pode ouvir que o treco é bão! kkk

Indicar os 10 blogueiros que curto demais:

Aí lascou-se tudo!!! Tem um montão de gente boa e que merece a minha indicação. Desculpem aos que ficaram fora! :p

  1. Claudia: https://claudiaisadora.wordpress.com/
  2. Lucia: https://dolordegarganta.wordpress.com/
  3. Dani: https://adanibella.wordpress.com/
  4.  João Pedro: https://dentroeforadeaspas.wordpress.com/
  5. Triccia: https://passarosesilencios.wordpress.com/

  6. Juliane: https://juorosco.blog/
  7. Pedro: https://pratiqueobemhoje.com/
  8. Gabriela: https://febreinterna.wordpress.com/
  9. Manolo: https://manologo.wordpress.com/
  10. Dearrot: https://vomitosapaixonados.wordpress.com/

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Minhas 5 perguntas para os indicados acima:

  1. Você pretende escrever um livro, ou já tem escrito? Se sim, está publicado?
  2. Mar ou montanha?
  3. Nescau ou Toddy? :p
  4. Se  você tivesse que reivindicar algo… Abaixo o que?
  5. Se você ganhasse sozinho a Megasena de final de ano… O que você faria com este dinheiro todo? 😛

É isto, amiguinhos! Espero que curtam a indicação deste prêmio e a viagem toda que ela proporciona!

Um abraço a todos! 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foco!

Acordou disposto, mas foi para o banheiro cambaleando fazer sua higiene pessoal.

Olhou para o espelho e se orgulhou de sua barba.

— Que homem, hein? E riu de suas palavras, já que a frase era mais uma bobagem do que uma opinião formada.

Foco1

Ter uma opinião forte e verdadeira era algo que importava muito para ele, pois considerava que poucos tinham a oferecer neste quesito, por isso, poucos mereciam sua atenção.

– É muita arrogância? É… e daí?! E fez cara de poucos amigos ao reflexo do espelho.

Pensava que, inclusive ele mesmo, andava pela vida sem uma boa dose de bom senso ao emitir as suas verdades pela vida afora.

Em grande parte do dia apenas dizia algumas bobagens e palavras vazias – em nome da convivência agradável e o espírito da boa vizinhança.

Tomava seu banho em pleno devaneio, sem muita pressa, ao mesmo tempo em que recordava de seus colegas com um sorrisão no rosto, percebia o quanto isso era bem comum em seu trabalho.

— Como é rara esse tal de “ter uma boa opinião”, hein?

Imaginava o Sr. Carlos – o gerente geral do emprego que mantinha com unhas e dentes –, e gargalhou.

— Alguém precisa avisá-lo de que ladainha é diferente de opinião! Ficar rodeando um assunto igual mosca de padaria, não o tornava um formador de opinião.

— Mais foco, Sr. Carlos! Imaginava-se conversando abertamente com o seu gerente, ainda diante do espelho, e riu ao lembrar dos muitos discursos sem propósitos, enquanto seu melhor amigo fingia pegar no sono, ou fazia caretas, obviamente pelas costas do velho sabichão.

Foco2.1

O melhor era ver o amigo cumprimentar, todo empolgado e falsamente, o coitado do Sr. Carlos pelas ótimas palavras, lá nos finalmentes da reunião.

— Esse mundo corporativo é maluco e tem uns momentos muito infantis. Pode crer!

Com certeza, a parte dos egos eram as melhores, lembrava animado de várias situações que lhe pareciam bem vexatórias e em alguns momentos sem sentido – com alto teor de vergonha alheia –, e muito corriqueiras.

—A famosa guerra dos egos! Quem pode com isso? Disse isso em voz alta, enquanto abria um pouco mais o chuveiro, para curtir a forte e prazerosa pressão da água aumentar contra seu corpo.

Os almoços forçados com os superiores eram de doer na alma – e no saco.

— Baita situação constrangedora! Os caras sabem que nossos salários são bem menores e marcam estas “confraternizações” uma ou duas vezes por mês. E ainda por cima, em restaurantes que são completamente fora do nosso poder aquisitivo? Bando de babacas e bunda moles! Isso sim é o que são. Disse dando socos no ar, como estivesse brigando com um inimigo imaginário, tal qual o Sylvester Stalonne, em um de seus filmes do Rock Balboa, com seus treinos exaustivos de boxe.

De repente parou e perdeu o sorriso fácil ao constatar que aqueles encontros seriam bem mais proveitosos se fossem com a Laura, a secretaria do Sr. Carlos!!!

—Ah! A Laura!

E assim, seu banho já sem foco, durou mais alguns minutos além do imaginado.

Gratidão!

 

Quem me conhece de perto sabe que sou um cara muito comum, destes que vive o agora e não se entrega facilmente a emoções.

Não tenho em mim o habito de sair agradecendo a toda hora, para não dizer nunca, as pessoas e atitudes que tiveram comigo.

Então, você deve pensar, “baita cara ingrato e ignorante”. Ok! Aceito se isto te fizer melhor!kkk

Sempre tive uma teoria que carrego em silêncio, mas acho que é um bom momento de falar sobre isso – creio!

Nunca agradeci e acho muito errado, porque acredito que se eu o fizer, o universo retirará seus méritos. Ou seja, se eu agradeço, você acaba de perder a chance de sentir o gostinho de um retorno muito maior. Seu benefício acaba em mim, exatamente no ponto em que agradeço a ajuda.

Este é um ponto, mas existe um outro que imagino, também.

Se te ajudo, não quero agradecimentos – está tudo certo e vai ser feliz! Por isso, imagino que as pessoas não têm que esperar recompensas ao fazer algo legal. Apenas faça e cai fora. Isto passa a ser entre você e Deus.

Vivi isto por muito tempo e sabe de uma coisa?! Esquece esta teoria!

Agradeça, deixe a pessoa feliz e acabou ali. Nada mais! kkkk

– Pai, obrigado por ficar comigo esta noite!

Fiquei feliz por ver que meu filho era uma pessoa grata e querida.

Dei um beijo de boa noite e fui devagar para meu quarto, enquanto o via voltar a dormir profundamente.

– Obrigado e boa noite. Respondi baixinho para o mundo invisível que nos protege.

Palavras, quem disse que não mudam o mundo?

Meu filho está certo… lutarei para demonstrar mais gratidão.