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Link: Canal da Patriamarga no Youtube

 

 

Pois é! Senti a necessidade de criar um Canal no Youtube e colocar alguns pensamentos para fora.

Este primeiro vídeo intitula-se “Apresentação” e lá dou os meus primeiros passos neste Canal.

Não sou um poço de beleza e elegância e nem super interessante, é verdade, mas creio que ter um Canal nos aproxime mais e algumas ideias são mais bem explicadas.

Nos próximos, creio que falarei sobre alguns textos e opiniões pessoais sobre o Universo! kkk

Ei! Vai lá, se inscreva e ajuda aí! kkk

Obrigado pelo carinho de todos vocês!

Até!!! 🙂

 

 

 

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Gratidão

Por um segundo e diante de uma análise detalhada de minhas expressões faciais e corporais, muito provavelmente diriam se tratar de tristeza.

Creia… não é bem isto.

Calma lá, rapaz! Sem conclusões precipitadas.

É óbvio que diante de alguns problemas aqui e ali, a gente fica um pouco abalado… normal. Creio.

Porém, algo em mim está diferente.

Penso na palavra Gratidão!

Nunca foi algo muito fácil para mim expressar este sentimento, até o momento presente.

Ei! Não pense que tive alguma revelação, bônus, extras e que talvez tenha sido premiado com alguma grana inesperada… nada disto.

Para falar a verdade, se penso nisto, confesso que está bem corrido, sofrido e com aquela carinha apertada de soco no estômago. Todavia, não me sinto horrorizado e pessimista, mas um pouco anestesiado… de boa!

Hoje, ao pensar um pouco sobre tudo e entender que faço parte desta coisa toda, desta história que rola por aqui, me veio em mente a palavra Gratidão!

Lembrei de muita gente querida, familiares, amigos – físicos e virtuais –, e muita gente que passou em minha vida… então, sorri! 🙂

Tudo isto passa. O bem e o mal.

Tudo passa, mesmo! Tudo bem!

Por isso, se você é alguém próximo, querido, apenas um leitor de passagem, ou um grande Amor da minha vida… Obrigado!

 

 

Blá blá blá


Cabreiro, cara fechada e quase incompreensível

Pois é, já fui destes… calado e mal encarado

Ei! Isto parece horrível?

Era sem ninguém ao meu lado!

Então, olha pra frente e caminha.

Aí, desconfiado?!

Quem faz não desanima, se aproxima, tá ligado?

Sei dos dias ruins, de não estar a fim e no barato.

Fugir, sair daqui e ir pro mato.

Qualquer coisa que eleve e faça contato.

Quem sabe um Et num disco, uma nave?

Uma alma mais avançada e suave.

Destas que conhece meu cansaço e fadiga

Anybody there? Grito, tal qual um Rap, uma cantiga

Por alguém que me ajude a ser mais equilibrado.

Repito em prece constante, ato mais cabido.

Para ter mais fé. Sabe como é, meu amigo?

Lembro saudoso por já ter crido

Num tempo de esperança e aguerrido

Hoje, um tanto cabisbaixo e aborrecido.

Desequilibrado como o velho que grita:

Quero cafééééééé!

Atrapalhado, confuso e Gagá

Não por ódio, mas por desejar ser mais querido.

Talvez, tenha que deixar de questionar

E coisas do tipo.

Seguir sem conflito e nem atrito.

Arrumar o que está esquisito

Ser mais corado e elegante

Tipo herói: – Para o alto e avante.

E desde já peço a Deus, que oxalá

Proteja o caminho e meu blá blá blá.

 

Nota

Amor ao mar… para sempre

Se pudesse falar de felicidade com plenitude e propriedade, poucas coisas nesta vida serviriam como referência concreta como aquele dia no mar.

Esta paixão exagerada é quase um feitiço, daquele que apaixona violentamente e não quer ir embora nunca mais… e nem se quer! E, por favor, não vá, mesmo que esteja assim, envelhecido e sem forças de te encarar de frente como tantas vezes no passado! Apenas, não se vá de mim!

Eu, o mar, alguns amigos, meus pensamentos, risos e um amor sem fim! Meu Amor.

O próprio nome Feitiço tem um sabor especial diante do mar, suas ondas grandes, gordas, suaves e generosas!!! Feitiço de Amor que não sai de mim e me bate uma saudade danada toda vez que não te vejo… que se distancia demais.!

Quero mergulhar, flutuar nestas ondas… pra sempre!!!

Amor ou vício? Quem sabe?! Quem quer saber?!

Seu som, sua malha poderosa e constante, indo e vindo, num eterno movimento.

A minha fonte de energia, a cura para a minha alma e o descanso de meu corpo

À primeira vista, sempre da mesma forma, aparentemente do mesmo jeito, único e, aos que realmente frequentam, nunca igual, muito diferente… pra sempre! Eterno!

Se pudesse falar com quem cria as realidades diárias, apenas pediria que trouxesse este amor a todos e a tudo. Para que todos pudessem amar a natureza, o próximo, as famílias e tudo que há, com a mesma intensidade dos que amam o mar.

Amam, respeitam, temem e não vivem sem.

Saudades!

Paralelo

Tudo era tão fácil e sem complicações naquela cidade! Tentar era realizar, sem grandes burocracias e impedimentos, no caso, me refiro ao dinheiro, cultura, conhecimento e disponibilidade.

Sem empecilhos e dificuldades, estas coisas que por aqui parecem ser uma regra, ali não existia, assim, as coisas fluíam e as pessoas se realizavam em quaisquer que fossem suas profissões e escolhas.

Vi crianças se tornando mestres nas artes, música e esportes com uma facilidade surpreendente, graças a um sistema educacional envolvente, dinâmico e espontâneo.

Pessoas realizadas e satisfeitas de uma maneira em que nem imaginamos conceber.

Acesso, portas abertas, confiança e investimentos sérios por parte dos que governavam.

Adquirir, conhecer, criar e, acima de tudo, obter satisfação plena, desta maneira, o povo não se privava de nada e todos se beneficiavam.

Não sei se foi um sonho, uma visão, um salto, uma lembrança… ou pura loucura! Porém, só de lembrar a alegria que corria solta naquele lugar, me emociono! A palavra que melhor consegue descrever aquele momento é “Liberdade”!

As pessoas eram facilitadoras umas das outras e, com esta consciência, o dinheiro, que parecia ser uma energia sagrada e respeitada por todos, não era contido e represado por poucos, mas fluía entre as pessoas honestamente e sem ganância.

Saber do próximo era saber de si mesmo e, na oportunidade em que ali estive, me disseram ainda que tudo é energia e deve ser utilizado para o bem coletivo!

Aprendi que uma das soluções para tantos males da humanidade era saber elevar o próximo, como benefício próprio.

O seu bem-estar garante a evolução de todos.

Tenhamos fé! 🙂

Mente na dor | viagem

E ao me deparar com uma dor sem fim, provinda de uma possível picada de aranha que inflamou, se tornou uma bela ferida dolorida e inchou minha perna, me preocupei com a tal da finitude… mais uma vez!

Uma mistura de tristeza, incerteza e perda se misturaram em minha cabeça e… chorei!

Porém, não um choro de medo por perceber que estava fragilizado, mas por tudo aquilo que nunca fui e nem serei. Quem sabe por me entender um cara limitado?

Talvez tenha faltado aquela aula de catecismo, meditação, ou somente ter tocado uns tambores por aí… né não?

Imaginava as muitas coisas que poderia ter feito, realizado e trazido para a minha família, mas que, talvez, nunca iriam se realizar.

A dúvida crescente por não ter ideia de qual o caminho a seguir, se em débito com alguém, se deixaria saudades nos corações das pessoas que conheci no decorrer desta vivência ou ódios e descontentamentos sem fim. Isso abala a gente quando a dor é preocupante.

Se partisse, deixaria para trás o que sou hoje e nem sequer me lembraria das muitas pessoas que amo? Pode ser uma possibilidade, já que ninguém volta para explicar que merda tá rolando! No máximo aquelas aparições rápidas que fazem com que coisas se mexam e flutuem sem sentido!

Será que depois que morremos ficamos bobos? Infantilizados? Perdemos a capacidade de dar um telefonema, uma carta, um e-mail… qualquer sinal civilizado? Será que serei assim também?

Me tornarei uma nova pessoa e terei novos objetivos? Tipo o moleque que entra no colégio e não quer se misturar com a garotada do ginásio?

– Aqueles juniors idiotas que vão queimar meu filme com a minha nova galera? Tô fora… sou Super-Adulto agora… tô em outra!! :p

Ok! Naturalmente já não tenho maturidade para lidar com várias cenas e situações da vida que mereceriam extrema responsabilidade e total seriedade de minha parte, imagina se me dessem a capacidade de dar uns sustos por aí… acho que serei um fantasma bobão, mesmo! :p

Que saco! Tenho tanta coisa séria, legal, divertida, amorosa, amistosa e querida pra fazer por aqui ainda!

Foco na dor, mente na dor e, ao mesmo tempo… disfarça que talvez me errem.

– Mente na dor! Você que dizer, Foco?

– Não! Mente mesmo… porque a mentira é uma viagem, as vezes, faz a coisa horrível melhorar! :p

Pô! Creio que essa viagem toda deva ser fruto do excesso de remédios… apenas… desconsidere!

 

E se…

Como qualquer humano, dono de uma razão comprometida pelos sofrimentos naturais que todos passam, me questionei sobre a vida.

Sentei em meu canto e meditei sobre o assunto e visualizei as possibilidades.

Crer no invisível ou dar de cara com a realidade fria e objetiva? Qual é o caminho?

Então, com a sensatez que a vida nos exige, me propus: E se desejar a realidade?

casinha

Lógico! Por que não?

Diante desta afirmação e esta certeza absoluta, me convenci que toda a fantasia devia ser retirada de minha vida, por isso, passei a seguir os conceitos mais realistas possíveis e persisti apenas naquilo que apresentava como real, que tivesse alguma prova científica e fosse totalmente palpável.

Sendo assim, a primeira coisa que eliminei foi Deus.

Passei a justificar… se não há material suficientemente claro e fisicamente visível, é apenas uma invenção e um delírio coletivo.

Desta maneira, não rezava, não clamava e nem sequer erguia meus olhinhos aos céus em busca de alguma ajuda ou visão reveladora. Apenas a frieza e o vazio de quem está só e ao acaso pelo mundo. Num planeta de terra, água e outros materiais no qual me sustentava – dia após dia – em prol de uma existência sem um sentido claro e objetivo… sobreviver!

Meus ancestrais passaram a ser uma história vazia, de pessoas que por aqui passaram e se foram para sempre. Nem céu e nem inferno, somente vazio, o fim… e ponto.

Toda natureza, o mar e os animais passaram a condição de objetos para o uso indiscriminado e irrelevante. Segundo plano, secundários, material para exploração e usufruto humano.

A espiritualidade deixou de ser uma busca ou um desejo profundo de conexão com algo superior. Me via acreditando apenas no que aqui estava e tudo relacionado a alma já não era importante. As coisas relacionadas neste sentido pareciam infantis demais para serem levadas a sério. Com o rosto cheio de desdém e sarcasmo, afirmava: – Somos matéria e nada mais.

O Amor Incondicional passou a ser uma perda de tempo, assuntos para gente fraca e iludida. Acreditava piamente de que toda expressão de amor era uma bobagem.

Só a força física, agressividade e o sexo podiam justificar minha existência, se tornaram minha palavra de ordem.

Assim, o que é meu é meu e o que é seu… é meu.

Passei a crer, com todas as forças, que a necessidade e a verdade, a partir do momento em que me descobri como uma pessoa material e um sobrevivente – no ponto de vista mais carnal possível –, não me trazia orgulho algum ao me deparar com emoções ou impulsos de defender os valores da alma. Tudo se tornou paixão, desejo e uma corrida maluca rumo as conquistas, como um corredor furioso, consciente de seu prazo de validade e conhecedor da inevitável finitude.

angel

Por outro lado, se cria no invisível e afirmava esta realidade como o caminho ideal a ser seguido, então, só podia me render ao Amor, a doçura e a fragilidade humana. Sem me prender a nenhum tipo de dor humana, por mais dura e intransponível, mesmo que esta carregasse meu corpo cansado aos castigos mais doloridos, crer nas almas dos seres mais evoluídos e seus maravilhosos propósitos junto a mim, me trazia forças para superar e prosseguir.

Seguia confiante, confiável e desejoso de que a alegria, fartura e a bondade infinita fossem para tudo e todos, sem me importar com acúmulos e montantes para mim mesmo… só desejava seguir em paz com os assuntos da alma.

Não chorei e me torturei pelas indiferenças, arrogâncias e maldades humanas, já que estas, nem sequer eram notadas por mim… jamais! Nunca se tornaram meu foco e nem me desviavam do caminho.

Andava humilde e esperançoso de que esta energia suave e poderosa atingisse as pessoas, revelando e amansando, principalmente, os que nada viam, criam ou confiavam, pois todos estariam, em algum dia, em lugar melhor.

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Todavia, se resolvesse dar as costas e insistir em nada ser, apenas prosseguir e afirmar: – Siga seu caminho e não me comprometa. Ainda assim, estaria por aqui escrevendo, desenhando e seguindo em frente… exatamente como sempre fiz!

Uma alma cheia de dúvidas, erros banais e um cansaço tremendo, mas carregando a vontade sincera de que os dias fossem melhores para todos nós! 🙂

Rudolf e Fanfis.

Rudolf-e-Fanfis

– Estou sem paciência, para nada. Não me chamem e nem sequer lembrem de mim. Me esqueçam por um tempo.

Foi o que escreveu em um bilhetinho mal feito, no primeiro papel que encontrou pela frente antes de partir sem rumo.

Rudolf era homem alto, forte que só e rústico feito um animal selvagem. Desses grandes demais para ser enfrentado, por isso, seu bilhete tosco – fincado na bancada de madeira com um punhal que ele mesmo fizera –, fora lido e entendido imediatamente.

Em sua mochila apenas o essencial. Tinha pela frente uma longa caminhada com destino ao local mais afastado possível que poderia ficar de tudo e todos, naquela praia isolada – depois da floresta –, numa cabana que construíra intencionalmente simples, bem afastada da pequena cidade onde vivia. Quando ele estava esgotado e emputecido com o mundo, das milhares de regras e exigências que o cercava, somente a natureza tinha o poder de recuperar suas energias.

Chegou cansado, mas se sentindo feliz e integrado ao refúgio, completamente escondido por árvores e um riozinho discreto que o fazia muito feliz, já que aquilo o bastava.

Olhou animado para a sua cabaninha, a achou bonita e especial, como sempre. Flores, que até então desconhecia, cresciam em abundância e de um colorido especial – entendeu aquilo como uma saudação, um presente da natureza em homenagem à sua chegada e sorriu satisfeito.

Sabia como deveria agir por ali, sendo assim, a primeira coisa que fez antes de qualquer coisa, foi acender sua lareira para garantir uma noite agradável e quentinha, apesar da época não ser as das mais geladas.

Arrumou, ajeitou, limpou e colocou em ordem. Cozinhou e fez seu chá predileto para, finalmente, poder descansar. Desta forma, sua cabana estava ótima para passar mais um tempo e, por fim, sentou em seu canto predileto.

Se sentia calmo e completo naquele isolamento. Era a oportunidade perfeita para colocar a mente no lugar e recompor seu corpo gigantesco da fatigante vida em sociedade.

Estava deitado entre as cobertas em sua cama, feita de penas e madeiras que juntara da natureza, por isso, já estava quase dormindo, quando teve a sensação de ter visto alguma coisa passar na frente da visão de sua porta de entrada que estava aberta. Talvez algum animal, pássaro e, nas últimas das possibilidades, uma pessoa.

Não era comum receber visitas por ali – para não dizer… impossível, graças ao isolamento do lugar–, mas algo passou entre as árvores e se não estivesse ficando maluco, mesmo desacreditando da possibilidade, lhe pareceu ser uma menina.

Ergueu-se rapidamente, arremessando suas cobertas para longe e foi até a porta para averiguar o que estava acontecendo.

Olhou e olhou, com a calma de um caçador e a experiência de quem sabe o que procura entre as árvores, mas nada lhe parecia chamar a atenção.

Tentou crer que, muito provavelmente, tinha pegado no sono e, por isso, sonhara com a tal aparição, mesmo tendo certeza absoluta de que visualizara alguém.

Naquela noite, ao contrário de todas as que já passara por ali, deitou desconfiado, dormiu atento e teve uma péssima sensação de estar sendo vigiado, ou melhor, espiado, sendo assim, acordou irritado e num mal humor de arrepiar, pois seria capaz de jurar que vira a mocinha rondando sua casinha por mais algumas vezes.

A presença fantasmagórica da garota estava tão constante em seu dia a dia que não lhe restava a menor dúvida de que tratava-se de um ser real e presente por ali, mesmo que a visse de relance e por milésimos de segundos, só não era possível afirmar o porquê daquilo.

Mesmo ressabiado,  continuou seus dias com naturalidade e sem nem alterar em nada a rotina que se propusera para si. Levantava cedo, nadava no mar limpo e azul, surfava, pescava, tocava seu violão, recolhia madeira e montava sua fogueira sem se preocupar, mesmo percebendo de relance a garota branca e de enorme cabelo branco que o observava do plano paralelo de onde deveria morar, pois cada vez que ele tentava a enxergar de frente, a moça desaparecia tal qual um fantasma.

Com o passar dos dias percebeu que a menina se aproximava mais dele, tendo a sensação de acordar, muitas vezes, com ela sentada aos seus pés o observando em silêncio, mas logo desaparecia quando tentava entrar em contato direto. Por isso, não raramente, ficava falando sozinho na tentativa frustrada de se comunicar. 

Aquela aparição o deixava muito atrapalhado, já que a via apenas de cantos de olho e muito rapidamente.

Alguns dias naquela situação e começava se adaptar com a situação, tanto que passou a perceber que ela também não o observava completamente de frente, mas o buscava pelos cantos dos olhos e, assim, ao compreenderem melhor como aquilo funcionava, passaram a conviver mais perto um do outro, sem fixarem olhares e, muitas vezes, ficavam horas, lado a lado na praia, sentados e observando o mar… em profundo silêncio, já que ela não pronunciava um som sequer.

Através destas observações de rabo de olho e sem foco, ele pode perceber que ela era uma espécie de projeção, como se fosse uma imagem holográfica, o que justificava a falta de som e a facilidade com que ela chegou por ali, já que a caminhada era bem difícil e concluíra que ela não se encontrava naquele lugar de fato, mas uma imagem de alguma realidade de outro lugar, mundo, plano, ou qualquer coisa no sentido.

Estava ali, naquele final de tarde adaptado, tranquilo e feliz, ao lado de sua “amiga imaginária”, quando resolvera pegar sua velha prancha para curtir as boas e suaves ondas que rolavam maravilhosas por ali.

Não disse nada, apenas ergueu-se da areia, pegou sua prancha e remou calmamente para dentro do mar.

Desta maneira, com algumas braçadas calmas e longas rumo ao fundo, umas ondas para trás e um lindo sol alaranjado pela frente, parou de remar, sentou em sua prancha e olhou em direção a praia, onde esteve toda a tarde sentado com sua mais nova amiga, que tomou o maior susto de sua vida, tanto que naquele momento, completamente desequilibrado de sua prancha, caiu na água apavorado. Logo atrás das árvores mais próximas de sua casinha, onde geralmente deveria haver mais um monte de outras muitas árvores, havia por ali, naquele mesmo lugar, uma enorme cidade futurística com muitas naves voando ao redor.

– Uaaau! Exclamou admirado, trêmulo e de coração disparado.

De alguma maneira, toda aquela região parecia outro lugar e com outro cenário, como se tivesse aberto um portal – ou qualquer coisa do gênero –, para um mundo completamente desconhecido até então.

Estava estupefato, tanto, que depois de alguns minutos deslumbrado com aquela aparição, pode perceber sua amiga em pé na praia, olhando diretamente para ele, pela primeira vez.

Ele ficou mudo e uma estranha sensação de reencontro bateu em seu peito, não sentia medo e nem pavor, mas uma gratidão enorme por estar diante daquela visão inacreditável. Sua amiga, mesmo percebendo que ele parecia estar agindo de forma estranha e muito assustado, abriu um lindo sorriso para ele e acenou feliz.

Ele a observava encantado, uma mulher linda, de estatura mediana, corpo forte e bem distribuído. Vestia roupas muito diferentes das de sua época, bastante coladas no corpo perfeito e um lindo cabelo branco enorme, que voava solto com o balanço do vento… hipnótico!

Ele sorriu de volta e, meio sem graça, acenou animado também.

Subiu mais uma vez em sua prancha, deu umas duas braçadas e voltou deslizando em pé até a areia. Largou sua prancha ali perto e foi até a menina, que na realidade deveria ter aproximadamente uns 30 anos de idade.

A observava impressionado com tamanha beleza e graciosidade.

Não lhe disse nada, apenas caminhou ao redor dela a admirando, pois finalmente podia  ver seu rosto bem de perto, depois de dias, assim… olhos nos olhos e sorriu.

Ela sorriu de volta com seus lindos dentes brancos e lábios rosados, enquanto observava impressionada o gigante – igualmente surpresa –, como se tivesse reencontrado um grande amigo, ou um grande amor.

Ela lhe disse algo, que não fora possível compreender já que era um idioma completamente desconhecido.

Ficaram de frente um para o outro, não havia palavra que combinasse ou fosse compreendida, mas a energia que fluía entre eles era universal e rapidamente aceita. Deram-se as mãos e sorriram felizes… lindo reencontro de almas e sabiam disto.

Suas mãos, ao se encontrarem, liberou uma energia que tremeu em ambos os corpos e como se tivessem saído de dentro da água – ou de uma bolha –, seus ouvidos se sintonizaram com os sons de ambos planos e, pela primeira vez, puderam se ouvir claramente. Eram sons estranhos para os dois e, mesmo com idiomas diferentes, a suas maneiras e jeitos, se cumprimentaram.

Ele, assombrado e estupefato, ainda de mãos dadas com aquela que seria a mulher mais querida que já amara em toda sua vida, observava as naves sobre suas cabeças e as lindas construções que se erguiam muito belas e em plena harmonia com a natureza que os cercavam… majestosa e em perfeito equilíbrio.

Ela tentou lhe dizer algo, mas ao perceber que ainda não falavam a mesma língua, apenas abaixou, pegou um galho de árvore e escreveu na areia: Fanfis, depois apontou para si mesma, dando entender que aquele era o seu nome.

Ele sorriu, repetiu seu nome em voz baixa – como se quisesse decorá-lo para sempre – e depois se apresentou, já dentro de um abraço – Rudolf.

Encontros de almas, sempre tão carregados de emoção e alegrias, mas infelizmente nem por isso eternos.

Conseguiram passear e conhecer um pouquinho da vida um do outro, porém, para a tristeza de ambos, o amor foi crescendo, as descobertas dos mundos aumentando, ao mesmo tempo em que tudo foi deixando de existir, mais uma vez.

Desta maneira, para o desgosto do lindo casal, em poucos dias tudo fora desaparecendo mais uma vez, assim como surgira.

E mais uma vez, Fanfis e toda aquela cidade atrás das árvores à beira mar foi sumindo e sumindo… até se tornar apenas uma leve aparição no canto dos olhos.

Ele, um homem cheio de nostalgia e saudades, que algumas vezes tinha a sensação de ver uma linda mulher de cabelos compridos, muito brancos e que balançavam ao sabor dos ventos, mesmo que por outros ventos e logo ali, próximo a sua humilde cabaninha.