– Troca-se lâmpadas velhas por lâmpadas novas… – Troca-se lâmpadas velhas por lâmpadas novas…

Ouvi o velho gritar lá na rua com cara de safadão.

Confesso que não fez o menor sentido para mim, mas ele parecia bem determinado e cheio de fé nesta frase.

Ok, ele não era o único, pois a mulher do meu vizinho, o Alladin, também pareceu entender a solicitação do estranho carroceiro e, aparentemente, fez uma troca.

A mulher do meu vizinho não percebeu, mas o velho, assim que pegou a “lâmpada [?]” abandonou sua carroça e saiu correndo felicíssimo.

Sei lá! Vai entender estas maluquices? Que troca estranha foi aquela que o deixou tão satisfeito?

Tudo é uma troca, nada segura ninguém se não houver um mínimo de interesse em saber do outro.

Nada é por nada… nem que seja por ódio.

Até os cães, estes amáveis “serumaninhos” não se interessam pelo ser “humanão” se este não tiver algo a oferecer.

Somos uma eterna troca de informações, dinheiro, energia, amor, ódio, calor e benefícios sem fim.

E assim, seguimos por aí… trocando interesses.

O mendigo por trocados, o cão por comida e abrigo, o casal por amor, o gigolô por grana, o Roger – do Ultraje –, por mulheres, o médium por espírito, o religioso por Deus, Deus pela existência, o Capeta por domínio [?].

Somos uma poderosa fonte de energia de trocas e, creia, quem não tem… não é nada!

Eu também, tampouco, estou aqui sem motivos. Não mesmo!

Preciso colocar por aqui os meus textos para que um leitor me leia, me entenda e saiba de mim. Lógico! Creio que você também seja assim. Normal!

Porém, tenho em mente de que, se um dia esta energia que nos rodeia terminar, já não há mais motivos para continuar. Creio que isto signifique o Fim!

Não ter o que oferecer, seja lá o que for, é se autoproclamar eliminado, inútil… descartável.

Então, eu me pergunto, qual é momento certo de sair deste ciclo?  Talvez, esta seja uma percepção humana, ou melhor, bem humana mesmo, daquelas nada divinas, mas, desculpe-me, caro leitor, não poderia ser diferente, afinal, a divindade não me parece uma das minhas melhores características.

Talvez, esta energia que conecta por aqui, não seja a mesma que une os seres mais evoluídos, não é mesmo? Quem sabe?

Pode ser também que neste exato momento, esta figura que entendo como um Deus, esteja sorrindo e pensando… que humano bobinho! Tanta energia desperdiçada e nada para trocar… ainda! :p

Viajando nos pensamentos, os mais doidos possíveis, noto que tenho muito que aprender e tanto para trocar, mesmo que inocentemente, assim como uma criança que imagina ter em mãos as figurinhas brilhantes e mais raras do mundo, daqueles álbuns de campeonatos mundiais e crê, piamente, que tal exclusividade seja um tesouro de imenso valor, por isso, possivelmente, deva despertar no adulto algum interesse relevante, desta maneira, objeto de uma possível troca, sem perceber que o homem, bastante cansado, apenas sorri por amor e o imenso carinho que tem pela alma ingênua logo a sua frente… nada mais. Vivido, experiente e cansado, carrega em si os mistérios que a infância não compreende, como a insegurança da responsabilidade que ela ainda não pode sentir e o desejo sincero de trocar tudo o que tem, apenas por uma cama confortável!

E você, o que tem para trocar comigo? Será que nossa relação termina aqui?

🙂