Da primeira vez que a vi só tive impressões bem ruins… sorriso fraco, sem expressão e acompanhado de uma tosse catarrenta.

Imaginei que provavelmente fosse excesso de fumo em um passado não tão distante, ou talvez fosse por fraqueza mesmo.

A princípio uma mulher distante e sem vontade de grandes diálogos, apenas resumindo a comunicação em sons secos, respostas monossilábicas e nada mais.

Sua fisionomia transmitia e exalava uma figura de extrema fragilidade, algo assustador e contaminado por uma áurea sombria.

De longe, antes de se aprofundar em suas ideias e pensamentos mais íntimos, dava a impressão de se tratar alguém com algum tipo de desequilíbrio mental… dessas demências discretas que não transmite medo, mas também não se confia totalmente.

Nunca imaginei que um dia estaríamos sentados juntos em uma mesa de uma padaria elegante, tomando um café caprichado, entre conversas francas e confidências sinceras. Não mesmo e nem pensar!

Me chamem de preconceituoso, imbecil e aquelas coisas todas que costumam esculhambar um homem, mas confesso que sua fisionomia me causava um sentimento estranho… creio que fosse vergonha!!! Sim e desculpem por isto, mas era meio constrangedor como as pessoas nos encaravam quando circulávamos por aí, entre as charmosas pessoas daquele bairro nobre onde ela morava.

Ela é uma mulher muito rica e herdeira de uma grande fortuna, por isso, é desconhecedora da vida que levo. Onde enfrento com unhas e dentes um dia a dia pesado e cheio de restrições, inclusive na minha alimentação, apesar de aparentar um homem de corpo bem formado e desenvolvido, onde poucos podem crer as dificuldades que encaro.

Nossa relação sempre foi comercial e sabíamos disto, por isso, costumávamos nos tratar com um certa distância e fingimento… ou foi assim durante um bom período.

Tinha em mente de que deveria chegar no horário marcado, executar meu trabalho, para o qual fui contratado, e partir… sem apegos!

Cheguei até aqui aos trancos e barrancos, nem me pergunte como, por isso, só Deus pode me julgar! Foda demais!

Nossos encontros foram arranjados por uma amiga dela, uma antiga cliente destas noites da vida.

– Já tive que encarar cada parada cabulosa! Esta não iria me travar… não mesmo! Pensava.

Cheguei por aqui cheio da banca e todo me achando. Eu sei da minha beleza e capacidade, mas não contava que iria me apegar… me envolver!

– Pois é!

Sempre fui mesquinho, interesseiro, materialista e tudo o que fosse favorável para o meu umbigo. Isto era o que importava… até agora, neste momento! Estou diante de uma possível separação.

Recordava emocionado de que dela recebi um ser humano que jamais havia encontrado em minha batalha sem fim! Amor, carinho, interesse, bom papo e atenção.

– Que merda! Não esperava por isso!

Criei uma dependência que sempre evitara.

– Sou profissional, nada de envolvimento. Tento me controlar, mas não é o que está rolando aqui dentro da minha cabeça.

Cheguei com a fama de bonito e distante. Ela era a feia, a fraca… porém, isso já não é mais uma realidade.

Só tem um feio aqui e a gente sabe que não é ela.

Sinto que ela está mais distante, estou mudado e dependente também.

Hoje sabemos quem é o fraco da relação e já não posso mais com esta dor!

Era minha última chance antes de nos separarmos para sempre.

Preciso dela…

– Maldita fraqueza!