– Estão querendo se exibir, é óbvio que esta risada alta e esta desenvoltura toda é coisa de quem quer ser reparada. Sei como é isso! Pensei comigo mesmo, sem mostrar que as percebi, por isso, passei na minha e sem dar muita atenção.

Elas eram novas, gatas, gostosas e vestiam roupas leves de verão.

Eu estava no meu auge, me sentia forte, vivo e transmitia segurança, dessas que assusta os caras e atrai as garotas.

Tinha uns 18 anos, cabelo comprido até a cintura, um skate no pé e um sorriso fácil.

Nada me faltava naqueles tempos. Tinha o que precisava e curtia o que tinha conquistado. Só alegrias, uma vida boa e sabia daquilo tudo que me rodeava.

Na época, saia com 4 meninas ao mesmo tempo. Ok, você deve pensar que me achava grande coisa… sei lá! Acho que não!  Porque sabia que cada uma delas também tinha seus muitos outros amantes.

Uma delas, inclusive, transava com uma outra garota, sabia daquilo porque tinha sido apresentado para a menina e pude curtir uma noite de muitos beijos a três. Só não rolou sexo. Ok, pense que amarelei, normal! Porém, isso não ficou muito claro, apenas disfarcei e fechei minha noite com a que sempre ficava – Melhor assim –, imaginei na época.

Obviamente você pode estar concluindo que provavelmente desisti porque não iria dar conta. Pois é, não foi por causa disto.

Quando estávamos em um certo momento daquele encontro apareceu um namoradinho desta segunda e, por falta de intimidade com este rapaz e por desejar a noite com a que sempre fiquei, – e por realmente não querer ver homem pelado –, dei um jeito de sairmos de fininho e curtimos nosso romance sem ter que passar por isso!

Ok! Fui jogado a “pó de bosta” depois pela menina que não ficou conosco… mas isso é outra história!

O que lembrei nada tem a ver com o fato de ficar com estas amiguinhas, – mesmo que me faça pensar no milagre de não ter morrido de Aids… e nem ninguém que eu conheça daquela época… creio.

Apenas penso no quanto estava todo imponente em não dar conversa para as duas meninas que se exibiam escandalosamente para chamar a minha atenção.

Quis ser o gostosão intocável e inatingível, mas o destino tinha outros planos para mim, pois meu skate travou em uma pedrinha minúscula no asfalto, o que travou de imediato as rodas e me lançou a uns 5 metros pro alto, fazendo com que eu finalizasse a queda de cara no fusca vermelho estacionado logo ali, do outro lado da rua.

Nem olhei para trás, ergui-me rapidamente constrangido sob os risos descontrolados das, até então,  minhas fãs e continuei meu caminho… humilhado!

Talvez, porque toda a situação foi muito marcante para mim, a partir daquele dia comecei a reparar nelas com um pouco mais de atenção.

Nunca nem sequer nos falamos em momento algum, mas as reconhecia em lanchonetes, escola, baladas e em qualquer canto que fosse e sempre as percebia acompanhadas de alguém.

Uma das últimas vezes que as vi, estavam acompanhas de uns conhecidos meus. Estes, me disseram dias antes, estavam preocupados por terem participado de uma bagunça com umas meninas que diziam estarem infectadas com algum vírus sexualmente transmissível.

Não sei se referiam as minhas ex-fãs ou se eram outras garotas. Porém, com certeza – e desculpem a sinceridade –, me senti aliviado pra caramba por terem se afastado de mim!

Poderia ter morrido de forma bem sofrida em algum leito detonado da periferia.

Não sei se rolou uma interferência divina… mas confesso que, na época, ao deitar no travesseiro… dormi como um bebê! 🙂