Depois de tantos anos… te reencontrei!

Assim, de bobeira e do nada.

Caraca! Que susto imenso… como se tivesse vendo um fantasma, alguém que pensei estar morto.

Susto, surpresa e ao mesmo tempo uma grande alegria… um velho amigo querido!

Um encontro inesperado em um lugar inusitado, distante de tudo aquilo e daquela época.

Veio em mente muitos momentos malucos, pessoas complicadas e dias estranhos!

Tantos se foram, morreram e se perderam completamente… e você… está vivo?!

Ninguém nunca me disse isto… ninguém!

Achei que você fosse mais um daqueles. Porém, em uma curva dessas, num lugar completamente diferente de onde viemos, em que fomos criados, surge você… vivo?!

Os tiros, a dor, a correria! Caralho… que merda!

Amizade é uma coisa estranha, quando é forte e de verdade, mesmo depois de tantos anos parece que tudo ainda está ali. Nada mudou!

O estranho é pensar que você tinha morrido…assim como os outros que viveram aquela época! Que estranho!

Te dei um abraço de surpresa, me faltaram as palavras e percebi que você também ficou chocado.

Vi que está tudo bem e que a luta continua.

Sei que você também achou estranho pra caramba, por termos corrido, fugido daquilo tudo e nunca mais termos falado um com o outro.

Agora somos velhos, meio sem graça e sem palavras.

Que reencontro maluco!

Lembrei daqueles tempos e do terror que correu solto.

Do tempo que carreguei esta dor e o remorso de não ter ajudado… apenas corri. Todos correram.

Antes de partir você me disse que foi mal e que teve que fugir.

Balancei a cabeça e fechei os olhos, de quem está fugindo até hoje.

Foi bom, desta vez nos despedimos direito.

Fiquei um pouco aliviado, todavia não marcamos um reencontro.

Você se virou para partir e apenas murmurei:

– Desculpa!