Como qualquer humano, dono de uma razão comprometida pelos sofrimentos naturais que todos passam, me questionei sobre a vida.

Sentei em meu canto e meditei sobre o assunto e visualizei as possibilidades.

Crer no invisível ou dar de cara com a realidade fria e objetiva? Qual é o caminho?

Então, com a sensatez que a vida nos exige, me propus: E se desejar a realidade?

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Lógico! Por que não?

Diante desta afirmação e esta certeza absoluta, me convenci que toda a fantasia devia ser retirada de minha vida, por isso, passei a seguir os conceitos mais realistas possíveis e persisti apenas naquilo que apresentava como real, que tivesse alguma prova científica e fosse totalmente palpável.

Sendo assim, a primeira coisa que eliminei foi Deus.

Passei a justificar… se não há material suficientemente claro e fisicamente visível, é apenas uma invenção e um delírio coletivo.

Desta maneira, não rezava, não clamava e nem sequer erguia meus olhinhos aos céus em busca de alguma ajuda ou visão reveladora. Apenas a frieza e o vazio de quem está só e ao acaso pelo mundo. Num planeta de terra, água e outros materiais no qual me sustentava – dia após dia – em prol de uma existência sem um sentido claro e objetivo… sobreviver!

Meus ancestrais passaram a ser uma história vazia, de pessoas que por aqui passaram e se foram para sempre. Nem céu e nem inferno, somente vazio, o fim… e ponto.

Toda natureza, o mar e os animais passaram a condição de objetos para o uso indiscriminado e irrelevante. Segundo plano, secundários, material para exploração e usufruto humano.

A espiritualidade deixou de ser uma busca ou um desejo profundo de conexão com algo superior. Me via acreditando apenas no que aqui estava e tudo relacionado a alma já não era importante. As coisas relacionadas neste sentido pareciam infantis demais para serem levadas a sério. Com o rosto cheio de desdém e sarcasmo, afirmava: – Somos matéria e nada mais.

O Amor Incondicional passou a ser uma perda de tempo, assuntos para gente fraca e iludida. Acreditava piamente de que toda expressão de amor era uma bobagem.

Só a força física, agressividade e o sexo podiam justificar minha existência, se tornaram minha palavra de ordem.

Assim, o que é meu é meu e o que é seu… é meu.

Passei a crer, com todas as forças, que a necessidade e a verdade, a partir do momento em que me descobri como uma pessoa material e um sobrevivente – no ponto de vista mais carnal possível –, não me trazia orgulho algum ao me deparar com emoções ou impulsos de defender os valores da alma. Tudo se tornou paixão, desejo e uma corrida maluca rumo as conquistas, como um corredor furioso, consciente de seu prazo de validade e conhecedor da inevitável finitude.

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Por outro lado, se cria no invisível e afirmava esta realidade como o caminho ideal a ser seguido, então, só podia me render ao Amor, a doçura e a fragilidade humana. Sem me prender a nenhum tipo de dor humana, por mais dura e intransponível, mesmo que esta carregasse meu corpo cansado aos castigos mais doloridos, crer nas almas dos seres mais evoluídos e seus maravilhosos propósitos junto a mim, me trazia forças para superar e prosseguir.

Seguia confiante, confiável e desejoso de que a alegria, fartura e a bondade infinita fossem para tudo e todos, sem me importar com acúmulos e montantes para mim mesmo… só desejava seguir em paz com os assuntos da alma.

Não chorei e me torturei pelas indiferenças, arrogâncias e maldades humanas, já que estas, nem sequer eram notadas por mim… jamais! Nunca se tornaram meu foco e nem me desviavam do caminho.

Andava humilde e esperançoso de que esta energia suave e poderosa atingisse as pessoas, revelando e amansando, principalmente, os que nada viam, criam ou confiavam, pois todos estariam, em algum dia, em lugar melhor.

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Todavia, se resolvesse dar as costas e insistir em nada ser, apenas prosseguir e afirmar: – Siga seu caminho e não me comprometa. Ainda assim, estaria por aqui escrevendo, desenhando e seguindo em frente… exatamente como sempre fiz!

Uma alma cheia de dúvidas, erros banais e um cansaço tremendo, mas carregando a vontade sincera de que os dias fossem melhores para todos nós! 🙂

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