Qdo-Sorri-Animado

Final de Domingo, impossível ser feliz! – O momento mais escuro da semana – Pensava depressivo e querendo desaparecer da face da Terra! – Ninguém merece!

Chegara em sua casa bastante desanimado com a vida e com o que aquele momento oferecia para ele. Tudo parecia estar afundando. – Cara, que dia pesado! Lembrava se sentindo a pior pessoa do mundo.

Brigara com sua namorada, arrebentara a traseira do seu carro em um pilar baixo, perdera o celular em algum lugar que não saberia dizer onde, arrumara uma encrenca feia no bar, tomara um murro na cara que lhe quebrara os óculos, uma marca cara que acabara de comprar e estava com um olho roxo. – Que porra é essa? Reclamara em voz alta antes de se aproximar da porta de sua casa, enquanto admirava o estrago no carro.

Levou as mãos ao rosto e tapou os olhos, como se quisesse esquecer aquele dia ruim, apenas imaginando como iria ser o próximo – uma segunda-feira cinza, onde as previsões prometiam frio e chuva durante todo o período. Olhou para o céu, buscando o diretor geral do filme em que ele desejava desesperadamente ser o protagonista, e disse em voz alta:

– Dá uma força aí!!!

Respirou fundo, sacudiu a cabeça tentando se encaixar na vida mais uma vez, depois bateu a mão no bolso e, para seu desagrado, não encontrou as chaves de sua casa.

Bufou irritado, deu chute no pneu que lhe doeu nos dedos do pé, talvez uma leve fratura, e sentiu vontade de chorar, mas apenas lamentou:

– Qualé God?

Quis ser forte, buscou pensamentos elevados e tentou se conformar com aquela coisa toda, como era de seu feitio. Porém, percebendo que não seria possível, deu um soco na pesada porta bem em sua frente. Gritou mais uma vez de dor, graças a sua estrutura frágil de homem caseiro e despreparado para qualquer tipo de conflito, enquanto olhava desanimado o corte em sua mão, além de constatar, sem forças, que sujara sua camisa nova com o sangue que vazou de seu punho.

Quase chorou de ódio, mas diante de tanta coisa ruim e sua incapacidade de lidar com aquilo tudo, já que sempre fora um ser pacífico e controlado, apenas entrou de volta em seu carro e ligou o rádio para desanuviar a mente irritada e tentar achar uma saída racional para o momento cretino em que estava enfiado.

Respirou fundo e tentou dormir, na esperança de que encontraria algo melhor na manhã seguinte e, assim, se manter confiante na possibilidade de sair daquela maré estranha de azar sem sentido.

Olhou para si mesmo – que coisa ruim? Gelado e molhado!!!

Foi neste estado lamentável e sujo – de uma tarde de muita farra e cheias de perturbações –, que ele ouviu de olhos fechados um barulho estranho na maçaneta de seu carro, como se alguém quisesse desesperadamente invadir.

Abriu os olhos e se virou rapidamente para a janela, mas não havia nada.

Pensou ter tido algum pesadelo, deu uma risadinha sem graça do susto, se ajeitou novamente no banco, deu uma breve conferida no retrovisor e novamente mais uma surpresa apavorante, se deparou com a imagem de um enorme gorila azul o encarando.

Deu um grito de horror antes do monstrengo feioso saltar sobre ele.

– AAAAAAAHHHH!

Com a respiração acelerada, olhos arregalados e sem entender nada, acordou gritando e completamente embolado em sua manta azul – a predileta dos dias frios –, quase o sufocando.

Estava em sua cama quentinha e dentro de seu quarto completamente seguro.

Estivera em um pesadelo maluco onde tudo dera errado. Nada acontecera de verdade, era o primeiro dia do feriado prolongado, em uma linda manhã de quinta-feira.

O mundo lhe sorrira mais uma vez!

 

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