Esta é uma história baseada na carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o descobrimento de um planeta.

Capa-Terra-Cruz

Senhor,

Mando notícias de nossa aventura, sua escrivã, Kepha Vaz de Caminha, da frota de Pedro Alvares Cabral. Envio este primeiro relatório sobre minhas impressões, com a certeza de que o Capitão-mor da nave em que me encontro, assim como os outros capitães das outras naves que nos acompanham, igualmente mandarão suas mensagens, com destino à Vossa Alteza, sobre a boa notícia do descobrimento do novo planeta, que nesta viagem confirmo, o que também pretendo passar em detalhes sobre este acontecimento à Vossa Alteza – dentro do possível –, já que me considero, entre todos, ser a menos capacitada para tanto.

Peço que aceite minhas limitações ao tentar relatar sobre as coisas que vi e acontecimentos que tive a oportunidade de vivenciar, sendo a mais clara e objetiva possível.

Não darei detalhes técnicos, pois os capitães têm melhor capacidade, mas começo aqui a descrição, à minha maneira, de tamanha experiência:

A partida, de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março de 3001.

Capa-Terra-Cruz2

Sábado, 14 deste mesmo mês, entre 8h e 9h, depois de ver se distanciar rapidamente ao longe um pequeno brilho de um planeta perdido na calma escuridão do universo – nossa querida Terra, entramos em rota sem precedentes rumo ao desconhecido.

Domingo, dia 22 do dito mês, equivalente às 22h de Belém, exatamente, avistamos formações curiosas, que passaram muito rápido e que não pudemos identificar com exatidão, apelidou-se ilha de S. Nicolau, graças ao formato das nuvens, acúmulos gasosos e coloridos, nome dado pelo piloto Pero Escobar, em homenagem à nossa querida ilha.

No dia seguinte, segunda-feira, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nave, sem que houvesse nenhuma atividade extraordinária e nada contrário que tivesse acontecido. Nosso capitão fez varias buscas na tentativa de o achar, por toda parte, mas não apareceu mais!

Seguimos nosso caminho, pelo vasto universo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, dia 21 de Abril, em uma velocidade Warp9 ou seja, aproximadamente de 1.637.280.000.000 km/h, melhor dizendo e para o vosso conhecimento, 1516 vezes a velocidade da luz, e segundo informações dos pilotos, foi quando avistamos sinais de um planeta inesperado.

Um planeta azul e que se não soubesse estar a muitos anos/luz da Terra, diria se tratar dela própria, com exceção da disposição de seus continentes.

Quarta-feira seguinte, pousamos a nave no imenso mar que existe neste planeta de atmosfera agradável, para confirmar, mais uma vez, a incrível semelhança ao nosso planeta. Porém, como em tempos passados, graças à pureza do ar e o excesso de áreas inexploradas, floridas e cobertas de verde, assim como as ervas compridas espalhadas por todo lado e que deram o nome de rabo-de-asno.

Sim, há vida animal, e surpresos, topamos com aves gigantescas e coloridas que chamam de fura-buxos

O Capitão- mor optou por continuarmos nossa viagem pelo mar, tal qual um grande navio, para reconhecer e recolher materiais orgânicos para estudo, sendo assim, neste dia, no final da tarde, avistamos terra! Primeiro um grande monte, muito alto e redondo; ao sul deste, uns montes mais baixos, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão colocou o nome – o Monte Pascoal e ao planeta – Terra Cruz. Graças a formação dos continentes, que ao todo se pareciam uma grande cruz.

Optou-se passarmos a noite por ali mesmo, porém já não em mar, mas pelo céu, próximo a um rio. Na manhã seguinte é que demos conta da presença de humanoides à beira deste rio, em sua praia. Fato este que, já havia sido avisado da existência, pelas naves menores que foram na frente com a intenção de reconhecimento.

Houve uma reunião em nossa nave, com o Capitão-mor, para que se decidisse qual seria o próximo passo. Foi assim que mandaram para terra, em pequena nave aberta, Nicolau Coelho, onde pudemos observar que fora recebido, a princípio por por alguns poucos e que se tornaram em torno de vinte homens conforme se aproximavam e estes surgiam para recepcioná-lo na praia.

Eram homens muito altos e fortes, andavam com roupas de um material fosco, aparentemente emborrachado, as partes de seus corpos que apareciam descobertos, revelavam peles, ora azul e em outras esverdeada. Tinham armas consigo, aparentavam o formato de arcos, mas carregadas com flechas feitas de uma luminescência clara, um laser azul, que mantiveram apontadas para Nicolau durante todo o tempo. Este, homem experiente e equilibrado, com poucos gestos e mímicas, fez com que baixassem a pontaria contra ele.

Não havia fala que se fizesse compreensível, então, Nicolau retirou sua capa vermelha que lhe cobria os ombros, juntamente com sua boina e entregou, como presente, ao homem mais próximo dele. Ato copiado pelos acompanhantes de Nicolau, para presentear com bonés e bijuterias que tinham pelo corpo.

Dali, retornaram à nave onde estávamos, para fazer um levantamento daquele primeiro contato e protegerem-se da noite que se aproximava, mesmo que estivesse clara o suficiente, graças as 4 luas presentes que iluminavam consideravelmente todo o local.

Na noite seguinte, ventou tanto, de sudeste, formando um temporal absurdo, que fez com que não saíssemos das naves, e especialmente os que estavam nas naves-mãe.

Sexta pela manhã, às oito horas – horário da Terra, mais ou menos, mas que por coincidência um horário muito próximo do novo planeta – Terra Cruz, por conselho dos pilotos, o Capitão ordenou que levantássemos voo para irmos ao longo da costa, acompanhados de perto pelas naves menores na direção do norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nos demorássemos, para estocar água e possíveis frutas – não sem antes serem minuciosamente esterilizadas e avaliadas  como comestíveis. E por aqui nos acertarmos.

Quando paramos por ali, estavam já na praia e atentos perto do rio, de sessenta ou setenta daqueles seres humanoides, que se haviam juntado ali de pouco em pouco.

Via-os de longe, quando o Capitão mandou que as naves pequenas seguissem mais próximas à terra e descobrissem pouso seguro para as naves-mães.

Nossa nave deslizou pela costa, uns 48km de onde havíamos partido, até achar a naves menores em uma formação rochosa, um recife com um porto dentro dele, pareceu muito bom, seguro e com uma larga entrada. Sobrevoaram a nave ali e pousaram.

Estando Alfonso Lopes, nosso piloto, em uma daquelas naves pequenas, por mando do Capitão e por ser homem apto e capaz para isso, foi explorar as novas terras. Voltou com dois daqueles homens azuis, altos e de bons corpos, que navegavam em uma canoa. Um deles estava armado com aquele arco luminoso, mas sem aparentar ameaça. Alfonso trouxe-os, já de noite, ao Capitão, e foram bem recebidos com grande alegria e festa.

Eles têm as feições muito belas e serenas, uma pele que parece mudar de cor conforme o local onde se encontram, mais translúcidas, azuis e claras quando se aproximam do mar; e esverdeados, mais densas ao adentrarem os matos – local aonde moram. Expressões calmas, rostos lisos, olhos claros, narizes finos e bem-feitos. Toquei suas vestimentas emborrachadas, tal qual um látex e muito colada nos corpos fortes e bem definidos, como se fosse uma segunda pele, e mais nenhuma cobertura. Diante de suas figuras perfeitas, não tinham do que se envergonharem e, por isso, não se preocupam nem de cobrirem-se ou de mostrarem-se; e nisso têm tanta inocência como mostrar o rosto. Ambos trazem dentes grandes, lindos e retos, como se tivessem esculpido, um tom claro de se admirar, dentes muito brancos e verdadeiros como uma propaganda de pasta de dente. Carregam um colar dourado, de forma aguda na ponta como uma pirâmide de ponta cabeça.

Os cabelos bem azuis, lisos e compridos. Um deles trazia enrolado no braço logo abaixo da axila, de frente para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de uma calda imponente, muito grande, que se estendia para trás de sua cabeça.

O outro, tinha penas semelhantes na cabeça, amarrado aos cabelos, preso de forma caprichosa, confeccionado com um cordão delicado, de um material parecido com uma cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava muito comprida, impressionante e imponente, com estilos de cortes que parecia predominar em todas as cabeças do povo que ali habitava.

O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira grande, bem vestido, com relógio e anéis de ouro muito chamativos, e aos pés um tapete grande e grosso, com desenhos de cores vivas e variadas. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e eu, estávamos sentados em cadeiras do enorme salão claro. A disposição das cadeiras configurava  um “u”, estávamos em silêncio e atentos aos sons de passos que se aproximavam, quando eles entraram.

Não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão e a ninguém. Porém, um deles olhou o colar do Capitão, e começou acenar calmamente com a mão, bastante discreto, para a terra e depois para o relógio, como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para peças de prata e acenou para a terra como se nos informasse de que lá também houvesse prata.

Na sala havia muitos quadros sobre muitos temas, mas apenas um em especial lhes despertaram interesse, a que continha um papagaio. Pelos gestos, pudemos entender que existia uma ave parecida em sua terra, no entanto pareciam tentar explicar que era bem maior do que a que estava ali representada.

Serviram comidas e bebidas à vontade, um belo banquete que misturava frutas, pães e bebidas, coisa que não os agradou, sendo que mal experimentaram e se o fizeram, logo cuspiram de volta ao prato, demonstrando grande desagrado.

Gostaram de alguns objetos que estavam pelo salão, porém, acima de tudo, adoraram as correntes dos que ali estavam. Pegaram, enrolaram em seus braços e, mais uma vez, apontaram para as correntes, para o relógio do capitão e depois para a terra, como dizendo que dariam ouro por aquilo.

Entendemos que sua terra era fértil e rica, pois era isso que queríamos entender, quando apontavam o lindo relógio do capitão e depois a terra de onde vinham. Houve um momento de euforia por parte deles, ao mexer em tudo, puxarem nossas vestes e correntes, que logo cessou, quando alguns membros da tripulação os tranquilizaram com gestos calmos. Todavia, assim que este momento passou, os grandões, sem nenhuma cerimônia, deitaram em um canto qualquer e dormiram por ali mesmo.

Por ordem do Capitão, cobriram as duas figuras exóticas e de grande pureza que, em paz, dormiram sem alarde.

No Sábado pela manhã o Capitão mandou que todas as naves se juntassem onde estávamos. Era um lugar tão grande e espaçoso, que caberia umas 200 naves por ali. Logo que estacionaram, todos os capitães vieram para a nossa nave-mãe, do Capitão-mor. Daqui, foi determinado para que o capitão Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois seres, com seus impressionantes e preocupantes arcos de energia azul de volta para a terra, mas antes que partissem, deu de presente a cada um uma camisa nova, bonés com o logotipo da frota e dois rosários de contas brancas e que eles levaram enrolados e orgulhosos em seus braços. Mandou com eles, para lá ficar, um preso/exilado, que servia a D.João Telo, a quem chamam de Afonso Ribeiro, para que se misturasse entre os nativos e descobrisse os costumes e maneiras. Também me incumbiu de acompanhar Nicolau Coelho.

*Obs1: Estou testando esta história – posso mudá-la completamente, conforme sentir necessidade.

*Obs2: Segue link da carta de Pero Vaz de Caminha: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/perovazcaminha/carta.htm

 

Anúncios