Andava de bicicleta pelas lindas ruas do meu bairro, enquanto curtia uma música suave e descontraída vinda de meu fone. Canções detalhadamente escolhidas por mim, para desfrutar aquela bela manhã de Domingo.

Sem rumo, sem pressa e nem conclusões precipitadas, apenas seguia em frente com a certeza de ser feliz. Mais nenhuma obrigação, um homem sozinho e sem grandes necessidades inadiáveis para que precisasse voltar rápido para algum lugar.
Bom, de fato, sempre há o que fazer, uma louça para lavar, um quarto para limpar e outras muitas obrigações do dia-a-dia, mas diante de minha solidão… quem se importava?
Estava assim, sentindo o sol ameno daquela manhã pacífica, com ventos leves, num dia perfeito e desejável.
Tinha em mente o privilégio do momento e estava contente por estar ali.
Observava ao longe as pessoas igualmente tranquilas que passeavam pela praça, quando a agradável musica provinda de meu celular foi interrompida subitamente, para que em seu lugar um indesejável – pelo menos para o momento – som de uma nova notificação, dessas muitas mídias sociais, disparasse em meus ouvidos. Puxei o celular do bolso da minha bermuda – e ainda tive tempo de notar, contrariado, que o aparelho estava ligeiramente molhado com o suor da minha perna e se estas coisas não fossem extremamente caras, até poderia ter formulado frases motivacionais a respeito do quanto era ótimo saber que aquele suor era o fruto de um intenso trabalho físico que, religiosamente, vinha desenvolvendo muito bem, mas ao invés disto, apenas exclamei: – Merda! E o enxuguei rapidamente.
Era uma amiga me chamando para sair.
Conversei, fiz algumas piadinhas costumeiras e aceitei o convite. Imediatamente fiquei pensativo ao imaginar mil coisas, como de costume.
As intenções eram claras como aquele dia… sexo! Óbvio… quem nunca?
Ok! tudo bem e normal. O jogo é esse mesmo e confesso ser muito cúmplice desta coisa toda, mas o problema não era esse, notara um tanto preocupado que aquele encontro seria o segundo com a mesma menina naquele mês… e pensei: Estaríamos  construindo uma relação?
Relacionamento, algo bom de se ter. Um alguém com quem dividir ideias, sentimentos e momentos… fofo! Sim, por que não?
Minha mente fervilhava rumo a outros caminhos, talvez, muito mais preocupado em mim e as muitas coisas que iria revelar, tais como: minha personalidade estranha, preconceitos bobos, inconformidades e manias esquisitas. Coisas que não saberia responder se gostaria de dividir com alguém.
Ela seria a mesma depois de alguns anos? Tudo o que é novo é maravilhoso, flui com suavidade e alegria mas, até mesmo quando os dias ruins chegarem? Qual seria a personalidade dela e a reação ao me descobrir cansado, confuso, velho e irritado?
Como ela reagiria ao perceber que não gosto de milhares de coisas? Ou que curto muito mais o silêncio e o distanciamento quando desejo  pensar na vida e entender alguns pontos que não estão em seu pleno funcionamento?
E por falar nisso… e quando eu também não estiver funcionando bem? O que nos restará de bom? O que faremos juntos? Será que desejarei estar com ela e ela comigo, ou antes sós do que mal acompanhados?
A vida é um enigma! Um risco… um jogo.
Se errar nas escolhas, posso ter enterrado minha felicidade para sempre! Abandonar minha individualidade, sufocar os lindos finais de tarde despreocupados e contentes, as manhãs calmas, mornas, lerdas e longe destas pressões num destes Domingos da paz?!
Pensava seriamente nesta coisa de compromisso, quando recebi um recado:
– Não se atrase!
Olhei para um casal de velhos que passavam por mim, um homem aparentando seus quase cinquenta anos e uma mulher de aproximadamente quarenta, que discutiam coisas banais. Talvez filhos, falta de grana, compromissos e coisas do gênero.
Andavam um ao lado do outro, de expressões carregadas e em clara inconformidade.
Pensei… será que eram felizes para sempre?
Discretamente os acompanhei de perto, para ouvir a conversa que tinham.
Apenas captei algumas poucas palavras, aparentemente discutiam sobre a vida e as muitas dificuldades que estavam passando. Pareciam cansados de tudo! Desmotivados!
Me afastei deles preocupado com o meu futuro e esta coisa toda que o tal do relacionamento proporciona… e tremi!
Medo de arrastar uma dor, um karma e a insanidade dos muitos compromissos.
Não saberia dizer se queria aquilo para mim, mas na dúvida não hesitei, mandei um recado:
– Olá! Não poderei ir hoje. Fica pra próxima… até! 🙂
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