Não quero convencer ninguém a nada, creia nisto. Porém, tenho que confessar que esta história mexeu comigo e meu imaginário desde o momento em que soube dela, ainda muito criança.

Esta é uma história real que aconteceu há muitos anos atrás e ao sabê-la, já na década de 70, tive grandes dificuldades em passar por ali de noite, sem que não desse umas olhadinhas ao redor, umas conferidas rápidas nas sombras, sempre muito desconfiado e arisco para sair correndo.

O local era ainda pouco habitado, em uma área, na época, bem rural. Hoje, apenas uma periferia das mais perigosas, que em nada lembra aqueles anos distantes e tranquilos.

Da residência daquele casal simples e simpático, ainda podia-se ver a estação de trem, coisa que já não acontece mais, graças as muitas construções que lá existem. Na época, o trem era a famigerada Maria Fumaça, que apesar de romântico, tinha alguns contras bem desfavoráveis, como por exemplo, um transporte público lento e que jogava muitas fuligens em seus passageiros, revelara a meiga senhora, no caso, a mulher que vivera aquela história arrepiante.

Ele, um trabalhador incansável de sol a sol e ela, uma dona de casa dedicada, responsável pela criação e educação de seus filhos.

Espero conseguir contar com detalhes aqueles momentos de horror que o casal vivera, sem perder a emoção do momento vivido.

Era uma terça-feira morna, de céu claro e lua crescente e apesar da noite não estar muito clara, graças a ausência de iluminação pública, podia-se ver claramente o caminho a seguir, assim como as poucas casas que ali existiam.

O homem, com seus vinte e poucos anos de vida, viril e dono de sua razão, não era figura pacata e nem acovardada. Enérgico e determinado, raras vezes se amedrontava ou se deixava se impressionar pelas histórias e desafios que viessem lhe testar.

Ele era bem conhecido na região, assim como sua mulher, um dos primeiros casais moradores da região.

Voltavam de uma visita da casa da mãe da mulher, muito cansados e desejosos em chegarem rápido ao lar.

Ele, apesar de não confessar, não demonstrava nenhum receio em estar na rua naquela hora da noite e nem em nada, um cara frio. Ela, disse-me certa vez em voz baixa, tal qual uma confissão secreta, tinha muito medo de fantasmas, já que naquele tempo de poucas pessoas e maldades, as aparições eram os piores assombros e preocupações.

Rua larga, deserta, noite silenciosa e parada, um caminho a seguir… lar, doce lar!

Eis que, inexplicavelmente, diante deles, uma figura monstruosa e assustadora surge do nada! Puft!

Imediatamente, graças ao susto terrível da aparição horrorosa que viera lhes apavorar, a mulher desmaia e fica completamente imóvel no chão, como se tivera grudado no solo.

O homem, completamente arrepiado e descrente da visão temerosa, tenta, sem sucesso, erguer sua mulher e, ao mesmo tempo, se defender da visão tenebrosa e ameaçadora.

O monstro terrível, ao ver o desespero do casal assombrado, não some e nem ataca, apenas os observa inerte e em silêncio.

Diante de cena trágica, o homem não se intimida, não foge, mas também não parte para uma luta corporal, pois desconhece completamente o poder e as intenções estranhas do ser feioso, logo ali.

Ao ver que sua esposa não reage e, ao mesmo tempo, aquele ser feioso nada faz, se enche de grande ódio, olha para aquela visão horrorosa e declara com convicção e certeza:

– Se não é para ajudar, desapareça!

O bicho solta um som semelhante a uma gargalhada e… desaparece no ar, para sempre!

Imediatamente a mulher recobra a consciência e é erguida por seu preocupado e zeloso parceiro.

Os dois, sem perder muito tempo, voltam rapidamente para a casa a poucos metros, acelerados.

Sem maiores explicações, com grande medo e estranheza, apenas tiveram algumas  péssimas noites durante um bom período, até que o assunto, por fim, se tornou apenas uma história passada, incrível e sem respostas.

Um monstro? Um extraterrestre? Uma alucinação?

Não sei, ninguém sabe… e é isso!

 

 

 

 

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