Ratátátá!

Escutei do sofá,

Susto e imagens.

Pode parar!

Ratátátá!

Repetido som seco.

Estampido ruim! Despertando meu medo.

Esperei bem calado mais um sinal.

O que tá pegando? Algo vai mal!

Me joguei pelo chão querendo escapar.

Da memória, lembranças, silêncio e atenção.

Tempo distante, aumentando a tensão.

Ratátátá!

Moleques legais estão na escola.

Ratátátá!

Moleques safados, estão jogando bola.

Pularam o muro e são livres

Raposas, dragões, leões e tigres

Ratátátá!

Os meninos certinhos são como gatinhos,

Roupa lavada, lanche e carinho,

Sapato brilhando, cabelo escovado,

Comida na mesa e todo folgado.

Ratátátá!

Ouviram o barulho.

Pros que são do rolê e vivem de monte

Sabem na hora qualé do bagulho!

Som dos maluco agitando a noite.

Gigantes barulhentos, tipo Mastodonte!

Pra quem tem casa, protegido do frio.

Apenas, foguetes e agito comum.

Já pros largados e sem proteção.

Correria, zum-zum-zum e confusão.

Tá lá, tiozão de boa na casa de condomínio.

No passado, moleque safado e sem alívio.

Hoje, educado, crítico e astuto,

Esqueceu do passado sofrido e sem um puto.

Encerro aqui, do jeito que dá.

Sem querer mudar o mundo.

Silencio também este blá-blá-blá,

Quietinho, quietinho, Velho Raymundo!

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