Já me senti desafiado milhões de vezes nesta vida, mas jamais pensei em ceder, abaixar a guarda e me deixar vencer… até agora!

Experiente e ousado, quem já me viu no passado sabe que nunca me entregaria fácil assim, mas desta vez senti um desânimo mortal, destes de não reagir e, assim, não atirei.

Senti o impacto em meu peito, um baque seco que atravessou meu corpo e me paralisou imediatamente. Triste assim.

Queria que aquele cara rápido e sempre a fim e no barato de viver e superar os obstáculos ainda estivesse aqui comigo, comandando as fortes batidas de meu coração corajoso e animado.

Será que isto é envelhecer?

Não ter forças nem mesmo para desejar reagir?

Vi minha mão fraquejar, os dedos se abrirem vagarosamente e a arma cair ainda carregada. Nem ao menos um tiro foi disparado. Um fracasso? Um erro ou a solução para tudo?

Acordei pensativo diante do pesadelo desanimador. Triste fracasso!

Aos problemas já não dito grandes regras e soluções, sou apenas monossilábico.

Pensei, ainda suado, sobre o sonh0 assustador e o quanto me surpreende o ânimo que rola, a vontade que surge à beira do precipício, mesmo que em algumas vezes o final não seja o esperado, ainda assim, vale a tentativa?

Esqueço os motivos, me atenho ao momento e me surpreendo com a luta pela sobrevivência, a batalha heroica diante de um fim, a força do desespero, do pulo além do limite, do grito sem ar.

Mal comparando minha suave brisa de vida, sobrevoo os atos heroicos da história, mesmo sem um porquê justificável, onde eu provavelmente falharia acuado em minha total covardia, outros, todavia, encararam otimistas, esperançosos, valentes, de espírito nobre aos problemas realmente tenebrosos e de desafio tamanho, que a única esperança era apenas a certeza de uma derrota fulminante, seguida da morte como o prêmio final e, talvez, o mais aguardado.

Ao carregar os fracos e medrosos, eles caíram como mártires anônimos nos campos de concentração, na África sem o que comer e beber, nas ruínas dos terremotos e inundações, entre outras muitas situações tão além da minha capacidade, que nem consigo imaginar onde buscaria ânimo para continuar, se lá estivesse.

Sentado aqui, na cadeira confortável e macia diante do computador, saboreando um belo suco de laranja natural, saúdo aos verdadeiros heróis da história humana:

– Aos bravos desconhecidos!

Sem eles, fracos como eu, que se desesperam e apenas reclamam ao menor dos problemas, o fim, seja ele qual for, só aparenta uma derrota vergonhosa.

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