Um passo e… fim?

Deitado em minha cama, admirando minhas assombrações de rotina, cubos e pirâmides que sobrevoam meu quarto livremente, penso e relembro toda a trajetória de minha vida, porém sem grandes conclusões.

Talvez alucinações provocadas pelas visões bastante realistas e convincentes logo ali, girantes, brilhantes e eternamente constantes em minha vida.

Em cada lado dos cubos flutuantes uma lembrança de minha vida, como um álbum de fotos, um registro preciso de cada momento, como se um paparazzo invisível e fanático tivesse me acompanhado insistente e apaixonado por toda a minha vida.

Lembranças antigas foram sendo despertadas das profundezas de minhas memórias.

Eu no berço assustado com as minhas primeiras visões malucas, um palhaço na janela que sorria para mim. Sorri ao lembrar que deveria ter deixado aquela aparição bem chateada com meu choro, além de deixar minha mãe bem assustada quando declarei, com dificuldades graças à pouca idade, o motivo de meu medo.

Me vi naquele mundo antigo, da casa de meu pai, assistindo, através das grades do portão, meu irmão mais velho jogando bola na rua de terra do rodão.

Brincando com irmãos, tomando o café da manhã com minha mãe, na piscina do clube, vomitando no ônibus (como quase sempre fazia), jogando bolinha de gude, fazendo bolha de sabão com canudo feito de alguma planta, sendo o goleiro do “time mirim” da rua, indo pela primeira vez na escola, deixando de comer carne pra sempre, aprendendo a andar de bicicleta, brigando na rua por bobagens, solidão, adolescência maluca, amigos e mais amigos, namoradinhas, rock, muitos erros e acertos. Uma vida!

Senti solidão!

Somos sós e isto é inevitável! Uma solidão interna e implacável!

Somos mero acaso? Corpos e mentes caminhando para um fim certeiro?

A juventude que passa num piscar de olhos dando lugar a um cara velho, cansado e esquecido em um quarto escuro, cercado por aparições e iluminadas pela luz que provém da rua por uma pequena fresta da janela. Uma mínima luz que atravessa o quarto.

Escuridão acompanhada de uma imensa solidão.

Solidão movimentada por objetos que flutuam!

Coisas que flutuam e que nunca existiram de verdade.

Seria estranho, se fosse com você?! Pois é, por aqui não.

Cubos! Você acredita em cubos?!

Creia.

 

 

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