– Mai que diacho di disgraça da moléstia é essa, que as coisa parece tá querendo me dirrubá?! Gritou lá de longe Seu Agenô. Homem bravo que só a porra.

E o povo que ali morava, que de bobo nunca teve nada, logo se enfiavam e se escondiam em qualquer lugarzinho que fosse, pra não ter que encarar o peste dos inferno de frente.

Ô Homem ruim que só! Já chegava reclamando da canseira, das friera e da má feira que fizera.

A desculpa eram os preços que estavam pela hora da morte, mas o que todos sabiam, e ele se negava a concordar, era a velhice que vinha chegando à galope e com as dores, o cansaço, os trabalhos diminuindo e o pouco dinheiro, a fome sempre vinha mais ligeiro.

Seu Agenô, matador, assassino… ô coisa ruim.

E ele era do tipo tinhoso que ordenava a todos que o chamassem de Senhor Agenor, pois isso de “Seu” era coisa de vagabundo e trabalhador braçal. Ô homem metido!

Estava ficando velho demais pra profissão. Dizem que é por medo de morrer com tanto pecado nas carcunda e ter que se portar ao Nosso Senhor assim, tão cheio de dívida.

– Nozinho, moleque da peste?! Cadê u de cumê, mizeravi?

Gritava sua santa mãezinha dos fundo do quarto escuro, de onde só saia se fosse pro banheiro ou pra comer alguma coisinha.

Véia feia como o cão e “ai” de quem concordasse com sua feiura diante de Seu Agenô.

Ninguém sabe se Seu Agenô se irritava com Dona Maria, com seus xingamentos constantes e ofensas sem rumo, mas ele, dentro de sua casa, nunca demonstrava descontentamento com a véia. Muito pelo contrário, sempre respeitoso e de orelhas murchas, quando a Dona Maria lhe dirigia a palavra.

Há quem diga que, graças a estas ofensas sem fim e seu jeito manso com a mãe e de tanto tolerar, se tornou o cabra macho e arretado que nem o cão. Ô povo sem vergonha e linguarudo, danou-se a falar que ele era daquele jeito graças ao ódio que carregava da mãe, de tanto ser mal tratado.

Se sim, ou se não, ninguém sabe, porque Seu Agenô jamais falou sobre isso e nem sequer deu brecha pra estas intimidares.

Naquele dia, Dona Maria lascou o verbo no filho sem valor, já que não lhe trouxera nada que prestasse para comer e Seu Agenô, virado no capeta com a filharada e a esposa oprimida, acompanhou sua santa mãezinha num jantar chinfrim e abaixo de pó de bosta, de tanto ouvir Dona Maria reclamar da janta sem grandes relevâncias.

Tem gente da vizinhança que sente pena de Seu Agenô, pois entende que ele é só um pobre diabo maltratado pela  mãe sem coração. Algo que se tornou um costume, já que a véia sempre o tratara daquelas maneiras. Ô mulher desalmada!

Seu Agenô tem planos – Vou pegá trabaio dus bão, ainda este ano e vou fazê minha santa mãezinha feliz que só! – revelava com uma alegria de criança e um sorriso estragado de dar nojo. Ô homem feio como o capeta!

Ele alimentava os melhores de seus sonhos com a chegada das eleições. Ano bom de ameaçar, encurralar, bater e matar gente. Fora as casas que ele queimava, quebrava e apavorava. Ô homem desgraçado!

Todo mundo tem vontade de eleger outras pessoas, mudar os rumos da cidade e suas políticas sem vergonhas, mas, pelo visto, Seu Agenô não iria colaborar de novo. Toca a gente ir em enterro da mocidade revolucionária mais uma vez.

Pois é! Seu Agenô… homem filho de uma égua!

Nada vai mudar, de novo!

Ô homem que “astravanca o pogressio!” :p

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