vovozinha

Fez a baliza muito mal feita.

Bateu no carro da frente, amassou o carro de traz.

Deixou ele morrer umas três vezes antes de desistir e deixar o carro quase que no meio da rua.
Aquele dia eu estava de bicicleta, só de bobeira… e como passava por aquela rua quase todos os dias, mas nunca tinha visto aquela velhinha, resolvi dar atenção para a cena.

Ela desceu do carro com dificuldades, porque era muito pequena e encurvada, depois deu a volta para buscar alguma coisa do lado do passageiro.

Ainda curioso com a vovozinha, esperei para ver do que se travava.

Para a minha surpresa, ela foi buscar uma outra vovozinha, ainda mais velhinha e menor.

Achei graça da situação, não por serem velhinhas e pequenas, mas por pensar que um dia eu poderia ser assim também, um velhinho, um vovozinho todo encolhido, engraçado e disposto. Uma figurinha ativa e cheia de vida, mesmo com a idade tão avançada.

Elas eram independentes e engraçadas, com seus passinhos curtos e determinados rumo ao mercado.

Não saberia dizer quem carregava quem, mas seguiam em franca conversa e ânimo.

Aí, deu um estalo e a dúvida pairou no ar… será que chego lá?

Isto aconteceu há mais de 30 anos, mas a dúvida ainda está lá… será?

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