Fechei meus olhos e em estado profundo de meditação pude ver.

Um frio enorme e em um ponto qualquer deste universo eu a captei. Sim!

La estava ela, isolada, triste e encolhida.

A menina entristecida procurava de alguma forma respostas para a suas muitas questões.

Uma menina, mas ao mesmo tempo muito madura e dona de uma revolta própria de pessoas vividas e experientes.

Com sua voz rouca começou a falar ao vento, mas me deu a estranha impressão de que sabia de minha presença ali, até então, apenas uma alma observadora.

– Quanto tempo levaria para perceberem que sumi, se começasse a andar sem rumo à partir de agora? Onde chegaria? Daria voltas no mundo?

Parecia irritada com algo ou alguém, enquanto continuava falando:

– Estou caminhando em frente, sempre em frente. Desculpe se não sou grata! Eu sou um grande problema, eu sei! Sempre fui e, por isso, continuo em frente com meus problemas.

Uma lágrima surgiu em seu rosto delicado e de um branco impressionante.

– Estou em um ponto muito distante, terrivelmente distante demais e não tem volta. Não sei o caminho e nem sei se desejo isso.

Ela transmitia uma solidão impressionante e parecia estar muito revoltada com as coisas que aconteciam em sua vida.

Parecia ser o ponto mais alto, sombrio, desolado e longe de tudo e todos que ela conseguira chegar.

Escutava o som do vento, um zumbido grave e entristecido. Talvez fosse o ambiente desolado ou poderia ser o som de sua alma perturbada, que de tão só, apenas conseguia transmitir aquele som apavorante daquele coro temeroso.

– O que é este teste? Perguntava ao infinito, ou seria para mim?

Minha mente apenas absorvia a negatividade daquele momento.

Pedi pela paz. A paz que eleva e torna tudo colorido e leve novamente.

– Onde está a paz? Disse ela ao ar, como se soubesse de meus pensamentos por ela.

– Serei sempre um problema? Exclamou apontando para mim, mas com olhos perdidos no ar, para o infinito.

– Nem sempre – respondi entristecido, querendo profundamente que aquele momento complicado tivesse um fim!

– Estou aqui, de olhos fechados, sumindo e nada bem. Disse em uníssono com a pequena revoltada. Como um jogral bem ensaiado. Talvez por compartilharmos momentos parecidos ou por estarmos diante do mesmo dilema e procura.

– Creio que haverão momentos melhores em algum instante. Disse para ela, antes de ser retirado daquele lugar, arrancado das sombras profundas e cada vez mais poderosas.

Agora, apenas uma tristeza enorme.

 

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