Voo leve e colorido!
Discreta, pousou em meu monitor.
Parecia cansada, inocente e muito linda!
Pensei que ela não sabia de mim e que eu a observava.

Ela não imaginava as minhas dores, dificuldades e da minha grande felicidade em recebê-la, naquele momento.

Por impulso estiquei minha mão em sua direção, exatamente como costumava fazer quando menino.

Feliz, quis acreditar que ela me aceitou, assim que subiu em minha mão.

Relembrei daquele menino, naquele jardim, com aquelas pessoas queridas, um passado feliz!
E assim, cúmplices, ficamos nos observando.
Eu um menino de olhos grandes e brilhantes, ela… a Paz.
O bruto, arrogante, velho, corajoso e desafiador, deu espaço à pureza, inocência e ao bobinho!

Ali, o gigante doce e a pequena silenciosa.
Não me falou de Amor, não revelou um Protetor Supremo e nem de uma Luz Especial.
Não disse sobre o quanto estava feliz em me conhecer, mas sua visita discreta me deixou grato pela beleza gratuita.

Gratidão que disfarço, porque sempre acreditei que todos somos feitos para isto, sermos usados e servirmos de impulso na vida do próximo. Nada de exageros. Ajuda natural, assim como respirar, comer, dormir e sonhar.

Hoje, me estico em direção as pessoas e peço ajuda, amanhã minha mão esticará novamente, mas para puxar para cima os que estão precisando.

Um pelo outro, sempre.

Ali, naquele momento, tive a sensação que, de alguma maneira, servi de apoio para aquela visitante inesperada. Porém, o resgatado foi eu.

Saí da minha armadura e finalmente me desarmei, depois de anos!!!

Feliz e encantado, observei calmamente seu voo de volta para o jardim e, muito provavelmente, para sempre…

Obrigado!

Adeus!

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