Ela andava carente e sozinha demais, talvez, por este motivo, ao entrar em uma loja, comprou um porta retrato que já vinha com uma foto muito antiga de um homem qualquer que, estranhamente, mexeu com ela.

A menina do balcão, até achou engraçado quando ameaçou retirar aquela foto ilustrativa e ela pediu discretamente, mas um pouco afoita e sem maiores detalhes, para que a deixasse ali mesmo.

Ela não sabia explicar aquela atitude, afinal, se considerava uma mulher madura e equilibrada. Não saberia dizer, porém, assim que seus olhos passaram rapidamente por aquela imagem simples de um homem de terno, posando para um possível clique de um fotógrafo, o porquê dela ter se sentido fisgada.

Parecia ser um momento descontraído para o homem da figura, até mesmo corriqueiro para alguns, mas não para ela, definitivamente!

Dizem que estas coisas acontecem com qualquer um em momentos de carência e solidão.

Uma foto de um homem comum em um momento feliz.

Para ele, era um dos mais felizes que já vivera, mas que ela não poderia saber e nem imaginar, já que nunca o vira em sua vida!

Uma foto como qualquer outra, mas que a atraíra completamente, ao ponto de amá-lo intensamente!

Ela queria se envolver, estar com ele e, assim, sonhou. Se viu ao lado dele, o apoiando e acariciando. Sendo dele!

Uma imagem simples: ele distraído, com o olhar distante aparentando tranquilidade e felicidade!

Talvez, sonhando com alguém que o amasse e fizesse daquele momento feliz, algo ainda mais especial.

Alguém como ela? Para sempre, lado a lado!
Ela ali, o desejando e ele lá, a rascunhando em sua mente.
Ele apenas uma foto em suas mãos e ela, apenas um sonho distante!

Abstratos, intocáveis, imaginários para sempre, possíveis amantes e eternos estranhos.

Ela, observando a alegria dele, como se soubesse dela.

Ele, a captando no ar, no vento e na brisa do mar!

Um amor imaginário e verdadeiro, que nunca aconteceu, mas que por si só, já é.

 

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