É interessante como as pessoas veem filmes de guerras, e me incluo nisto também, principalmente as batalhas antigas e bem sangrentas, cheias de cortes, decapitações e mutilações e se concentram na ação da cena, mas raramente percebem a violência do ato! 

Não quero aparentar um puritano, assustado com a decadência do mundo e a banalização da violência ao ser humano. Não é este o intuito deste post. Na realidade, só quero contar mais uma história e este é apenas um ponto de vista dentro de muitos outros.

 

 

 

 

Depois daquela gritaria sem fim, em uma forte preparação psicológica para a violência, eles se alinham para iniciar a terrível selvajaria proporcionada por agressiva pancadaria.

O foco desta história não é exatamente o momento da luta, mas o que poucos sabem e veem acontecer  logo na sequencia: o silêncio, a dor e a sensação de que nada valeu muito a pena.

O bravo e bestial guerreiro desperta lentamente, sentindo uma forte dor em sua cabeça. Limpa os olhos da grossa camada de sangue que cobre seu rosto, sem saber ao certo se é seu, ou dos outros muitos homens caídos ao seu redor.

Ergue-se vagarosamente e ainda meio tonto com o baque que recebera, tenta, com dificuldade, visualizar e reconhecer o local onde está.

Diante de um cenário inimaginável, onde pessoas agonizam e outras tantas jazem caídas umas sobre as outras, ele se apoia com dificuldade em sua espada ensanguentada, em um campo esfumaçado e destruído pela luta tenebrosa que acabara de enfrentar, para se erguer com dificuldades. Então, constata, porém sem muita certeza porque tudo ainda lhe parece confuso, que aquela batalha chegara ao fim.

Dores no corpo , graças aos cortes profundos, batidas, porradas, alguns outros cortes mais leves, mal-estar e agonia, estes são os sentimentos do momento.

Tudo ali é o resultado de uma luta terrível, em muitos momentos assustadora, sem sentido e nem piedade. Tanto pelo lado do inimigo, quanto pelo ponto de vista de seus aliados.

Ele respira com uma certa dificuldade, leva sua mão até a barriga e verifica que seu oponente batera com vontade antes de desabar sem vida.

Ninguém teve complacência e nem titubeios, a luta fora mortal e pra valer.

Seus olhos, ainda encobertos de sangue, sente dificuldade de identificar seus amigos caídos ao redor. Mesmo antes de se certificar, já sabe que caíram para sempre e estão todos mortos.

O silêncio é, vez ou outra, interrompido por alguém que geme de dor. Sofrimento que conhece de cór, já vira muitas vezes aquela cena, são sinais de que a vida estava prestes a chegar ao fim.

Vencera ! Assim como outros poucos aliados que também resistira ao fim.

Nada para se vangloriar diante de tantos mortos e feridos gravemente.

A verdade é que a guerra fora horrível e sem piedade. Nada do que se vira por ali, valeu a pena.

Triste vitória ensanguentada e sem sentido, carregada de morte por onde quer que se olhe ou vá. Amigos e Inimigos.

Ele olha para o céu, a noite se aproximava rapidamente e aquele cenário de terror começava a desaparecer na escuridão.

Envolto por tremenda tristeza, ódio, desespero insano e revolta, apenas gritou violentamente, cheio de raiva:

– AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHhhhhhhh!

Choro sentido, dolorido e solitário que ecoou por todo o campo.

Eis que a batalha finda! Indesejada e estúpida como sempre.

Sem sentido e decepcionado mais uma vez com os líderes daquele grupo quase exterminado.

– Com menos arrogância, tudo poderia ser diferente!

Terrível dor de quem, em vitória, perdeu!

 

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