Parte de um capítulo de um livro aí que escrevi. Aproveitem, acho que nunca será publicado! :p

 

Do circo guardo bons momentos e não apenas deste último, onde ri e me diverti demais.

O circo me lembra a infância, a inocência, o olhar distraído e descontraído de quem se permite apenas repousar no acento duro de um banco grande e sem luxo, para admirar os artistas com suas ousadas acrobacias e os palhaços de humor duvidoso.

Não sei se a vida de quem vive da arte circense é difícil ou não, mas uma coisa é certa, pouco me importa! Não tenho a resposta para os sofrimentos humanos e nem solução para as pendengas deste meu país injusto, caro e de honestidade muito aquém do ideal, para que possa me orgulhar.

Somos criados e amestrados para sermos estes escravos que sempre fomos, isto não tem jeito. É assim e acabou!

Ri muito naquele dia, acho que entrei no circo com vontade de rir e por isso me entreguei completamente, talvez tenha até exagerado, pois me diverti de verdade.

Ri do palhaço e de suas maluquices, admirei o mágico, como se nunca tivera visto um em minha vida, fiquei de boca aberta com os malabaristas e tremi diante da corda bamba ao vê-los se arriscar corajosamente no que chamaram de: desafiador caminho inseguro.  Arrebentaram neste número onde atravessaram de um lado ao outro do circo, cheio de momentos tensos e dramáticos, mas com a segurança e a determinação de quem anda no chão.

Havia um palhaço, engraçadíssimo, que com suas danças desengonçadas, brincava e se divertia com a plateia. Em certo momento, ele se aproximou e chamou uma pessoa do público para participar de um de seus números. Até estiquei minha mão para que me escolhesse, porém, acabou pegando uma moça ao meu lado, o que, de fato, logo depois que vi ao que ela teve que se submeter, fiquei aliviado em não ter sido o escolhido. Palhaços nunca são muito confiáveis, não mesmo, e ali a lição foi aprendida. Ele a colocou sobre um cavalo e fez um lindo número de equilibrismo, mas com muitos escorregões e tripulias, como é do feitio dos palhaços, o que a fez participar de situações bastantes vexatórias, mas que no contexto geral foram mesmo bastante divertidas. Imaginei que para meu tamanho e peso, talvez seriam ainda muito mais ridículas. Esta minha mania de me entregar de coração a certas situações, ainda acaba por me complicar de vez!

É o que sempre digo para mim mesmo: Controle é tudo!

O fato é que, me diverti demais, comi pipoca, ri e me emocionei pra caramba. Saí do circo com a sensação de ter investido meu dinheiro em um momento de prazer válido e não simplesmente tê-lo gasto por gastar. Não mesmo!

Já foi em um circo bom?

Pois então vá! J

 

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