Você já teve uma história estranha pra contar? Pois eu tenho!
Um tempo atrás, fui pro parque numa destas tentativas empolgadas de praticar uma caminhada ou até mesmo uma corrida na pista.

Não sou muito frequentador destes ambientes saudáveis, mas sempre tem aquela época em que você quer e precisa tomar uma atitude, não é? Foi assim que acabei no parque cheio de coragem.
Comecei devagar, discreto e sem muita determinação, graças aos meus limites, minhas dores e o meu peso. Era lógico que não poderia exagerar, porque estava no início das férias e não queria ter alguma lesão, contusão, ou seja lá qual for o nome disto, logo no começo do meu descanso.
Devagar e sempre, pensava comigo mesmo, por isso, andava num ritmo rápido e no intervalo de quatro minutos dava uma corridinha.

Foi mais ou menos nesta corridinha gorducha que as esquisitices começaram.

Estava orgulhoso do meu desempenho, por permanecer quase vinte minutos na pista, quando um rapaz, destes atléticos e aproximadamente da minha idade, passou por mim como um foguete.

– Também, magrão e em boa forma física, até eu! Reclamei comigo mesmo, justificando meu fraco desempenho, para não dizer medíocre, em relação ao dele!
Foi aí que aconteceu algo inusitado!

Uma estranha luz, tal qual um raio, explodiu na pista de corrida e sem saber ao certo o que acontecera, parei de correr e fiquei procurando de onde teria vindo aquela assombrosa luminosidade.

Olhei para mim mesmo e indignado, lá estava a surpresa inesperada: – Aaaaahhh! – Não era mais o meu corpo gorducho por natureza, mas aquele rapaz que voava baixo na pista! Em vez de procurar uma explicação razoável para o inexplicável, e tentar desvendar o mistério, apenas compreendi que havia trocado de lugar com o atleta.

Poderia ter me desesperado, reclamado da vida, procurado ajuda, mas, ao invés disto, aproveitei aquela oportunidade única para sair correndo de verdade!

O que foi?! O que você faria no meu lugar?!

Agora eu era leve, rápido e a passos largos.

Queria aproveitar a oportunidade e correr feito um maluco, sem ter que carregar o monstrinho de sempre… e foi o que fiz!

Sabe de uma coisa? Acredite se quiser, mas estava tão audacioso que ri quando passei pelo gordinho desajeitado, que assustado, procurava entender o que acontecia. Tive ainda a ousadia de pensar: Corre agora gordo, quero ver! Rindo da minha própria piada.
Me sentia feliz e rápido, quando ouvi uma voz dizer: – Tem poucos meses para usufruir desta situação, aproveite e aprenda!
Foram os meses mais malucos da minha vida, pois as pessoas não estranharam ao me ver totalmente modificado. Agiam normalmente, como se eu sempre tivesse sido daquele jeito.

Não sentia dores no ombro, não tinha fraquezas nas pernas, nem pesos excessivos, sem complexos, falta de ar e nada! Apenas passei a curtir a leveza do meu novo corpo.
Na primeira semana, daquela experiência maluca, fui algumas vezes no parque para correr na pista, mas sem muito foco e, por isso, me distraia com facilidade já que me sentia ótimo e sem necessidade de exercícios.

Ei! Com um corpo daquele, para que me esforçar tanto?

Só lembrava que tinha que correr quando passava por mim o gordinho bufando, com sua corridinha desajeitada, que eu entendia perfeitamente.
Empolgado com aquele corpo em forma, queria curtir a vida. Fui para lugares que muitas vezes me escondia: clubes, baladas para beber com os amigos, experimentar comidas em restaurantes e descansar na praia comendo alguns peixinhos fritos, bebidas açucaradas e lanches gordurosos que, até então, me eram proibidos.
Passaram-se alguns meses e passei a me sentir culpado por apenas aproveitar um corpo malhado que não conquistara, mas tomara de alguém.

Enfim, depois de tanta bagunça, voltei ao parque e de novo na pista me surpreendi mais uma vez, mesmo ainda sendo magro e forte, já não tinha tanto fôlego, nem a leveza de quando havia recebido aquele presente.

Com a culpa de quem carregava meses de luxúrias, orgias e extravagâncias, diminui meu ritmo e controlava a respiração pesada com dificuldade.

Foi aí que, para minha surpresa, passou por mim como um raio o gordinho.

Percebi que já não era tão gordo assim.

A passos largos, acompanhava o pelotão de elite do parque em suas corridas invejáveis.
De novo, tomei um susto com aquela luminosidade, vinda sabe-se lá de onde, a mesma que ocorrera quando recebi aquele corpo sarado. Porém, desta vez para me tornar o gorducho de sempre.
Olhei para trás e vi o rapaz de quem havia pegado o corpo emprestado se aproximar de mim, correndo rapidamente.

Diminuiu a velocidade ao passar por mim, me olhou sem mágoas, me deu um sorriso amigável e disse: – Acredita!
Olhei para o meu corpo, agora novamente o gordo de sempre, mas muito mais enxuto e disposto, graças a dedicação e o empenho do atleta, e pensei: Acredito!
Moral da história1: Você é o que você acredita!

Moral da história2: Tem um cara me sabotando e agora eu sei de quem se trata! 🙂

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