Não sei nada de você, por isso, falo de mim e por mim.

Esta coisa em que nos metemos diariamente me parece algo completamente maluco e sem sentido! Pois é!

Me refiro a tal da vida. Como pode isto e este monte de acontecimento que surge constantemente?

Chego, as vezes, desacreditar que tudo isto seja possível, real e até aguardo uns segundinhos para ter certeza que não estou sonhando ou tendo visões. Talvez sejam, vai saber?

Hoje me peguei na cozinha, com um copo de café com leite na mão enquanto olhava, quase em estado hipnótico, o cão de uma amiga que veio nos visitar. Ele, igualmente me observava atentamente.

Ao prestar atenção no cachorrinho, me dei conta que aquela cena era muito esquisita, de verdade.

Olha lá que interessante, eu ali, de café na mão, ainda pela manhã, em uma casa enorme, num bairro em que jamais pensei viver e amar, de corpo e alma envelhecidos, cansado pra caramba e vendo diante de mim um cachorro me acompanhando com seu olhar pidão.

Nada daquilo fora pensado e nem planejado por mim. Eram todos estranhos. Do Labrador sorridente, passando pela casa de cozinha gigantesca, num canto desconhecido da cidade, até chegar ao homem envelhecido, desmotivado e amante de café… eu!

Como havia chegado até ali?!

Minha vida em nada se parecia com a do garoto cheio de irmãos, ou do adolescente solitário, feliz e maloqueiro. Ali, naquele momento, eu me encontrava como apenas um jovem senhor cheio de dores e tristezas.

Nenhum dos muitos momentos desta minha vida se parecia. Semelhança zero. Nem em costumes, nem em crenças ou pessoas próximas. Nada!

E me perguntava: Como isso aconteceu?!

Ei! Não me entenda mal, jamais desejaria voltar um passo atrás, só penso daqui para frente, mas que é bem estranho, isto é!

Como estas pessoas, que agora eram a minha família, acabaram sendo muito mais importantes e insubstituíveis do que as que eram presentes naquela época passada?!

Engraçado. Mesmo!

Não desejo mal a nenhum daqueles que se foram, longe disto, mas atualmente quase não significam nada. Parece até que tudo aquilo foi um sonho! Algo que talvez nem tenha acontecido de fato.

Uma ilusão ou quem sabe fruto da minha imaginação fértil e borbulhante?

Só sei que agora tenho pensado demais e percebi que já fiz muita coisa nesta vida. O pior é perceber que algumas destas, que ainda faço, já deu no saco! Pode crer!

Não sei se estou totalmente no barato, como costumava ser.

Olha lá, que coisa?

Creio que na média geral, até que fui boa pessoa… acho.

E nestas de ser uma pessoa que honestamente desejava o bem ao mundo, fiz coisas pra caramba. Muitas delas sem julgar ninguém, até defendi, aconselhei e animei.

Pra que? Sei lá! Achava que era isso que as pessoas faziam por aí. Ou costumava pensar assim, até este momento, ou melhor, até bem pouco tempo atrás.

Então as coisas foram piorando, a fé na humanidade foi acabando e cá estamos, num momento de merda em que políticos e um povo de bosta conseguiu transformar este país em um desastre! Incompetência?! Não creio! Egoísmo, malandragem e safadeza.

O mau predominou e fim.

Aí… desanimei de vez. Todas as minhas certezas foram pro saco!

Parei esta tarde, num dia gelado e ao mesmo tempo com um belo sol se pondo no horizonte alaranjado, e lembrei de mim, de toda esta trajetória: plantei árvores aos montes, parei de comer carne aos 8 anos em prol dos bichinhos e eliminação da maldade na Terra, escrevi uns livros por aí, desenhei vários, li outros muitos, casei, tive filhos, ganhei e perdi dinheiro pra cacete. Fiz umas bobagens aqui e ali, sendo que poucas destas me trazem arrependimentos e outras me causam constrangimento absurdo. Conheci gente à rodo. Pessoas de iluminadas e encantadoras intenções, por outro lado, também andei com outras de uma escuridão arrepiante. Sei que amo e sou amado por umas pessoas, mas tenho consciência de que deixei uns desafetos arretados pelo caminho (foi mal). Enfim, tudo isto para chegar à conclusão de que, talvez, já deu! É hora de parar. Não sei se vale a pena. Em benefício do que?

Ah! Se não fosse a família querida, que se lasquem todos e… fui!

Me peguei rindo de coisas, situações e momentos de extrema felicidade e fiquei com lágrimas nos olhos por tantos enganos e erros. Me emputeci pelo momento político e por ter que saber de meus filhos crescendo nesta droga de país de gente meia boca.

Impostos demais, canalhas em excesso, ladrões, povo com cabeça de pica! Que merda!

Meu celular vibrou e eram notificações do Facebook. Amigos defendendo a Presidenta como se fossem intimas dela, como se tivessem certeza absoluta de sua pureza e ares de injustiçada. Por outro lado, outros defendendo o novo Presidento Capeto que chega na cena com cara de Salvador da Pátria, mesmo que sua ficha já venha mais suja do que a bosta de cachorro que pisei pelo caminho, distraído com notícias que sempre leva à lugar algum.

Se alguma coisa divina atendesse o meu pedido e eu realmente subisse, fizesse a passagem, fosse pras cucuia, sairia arrasado deste mundo… Trouxa, otário e cuzão! Triste assim!

Porém, (graças à Deus?) O Divino nada fez. Sempre na discreta e sem sinais.

Tá fácil ser Deus assim, hein?! Ô Timidão do Universo, bora trabalhar?

Religiões, suas crendices, cretinices e certezas absolutas. Prometem céus e infernos na maior euforia. E, assim, toda aquela inocência, ingenuidade, simplicidade, pureza e boa vontade vão pro buraco. Só sobra um ser cheio de regras a seguir. Tô fora! O capeta é mais democrático e ousado do que estas bobagens. Relaxa! Não sou satanista… só não acredito em nenhuma destas bobagens que me oferecem sempre. O Menu dos apóstolos, se é que existiram. Você sabe de quem eu falo, aquele bando de pescadores ignorantes que dizem ter seguido Jesus. Duvido que sabiam escrever! Isso são historinhas pra boi dormir que os padres inventaram pra colocar ordem nesta porra toda. Papo furado grave.

Um carro passou tocando Funk em alto e bom som. Volume no talo.

A letra dizia algo sobre órgãos sexuais que pulavam, esfregavam e se encontravam violentamente.

Uma aula de anatomia para quem não tinha certeza de como deveria funcionar as coisas na hora H. Explicações de garotos de como serve a piroca, onde se encaixa e como as mulheres devem ser vadias diante deste órgão masculino. Baita vergonha alheia.

Não passou rápido e nem demonstrou carinho e o único sem graça pelo som, era apenas eu mesmo.

A velhinha que varria não disse nada, o malucão no volante não parecia constrangido e Deus não se manifestou, de novo. Tô ligado em você, hein God?! Tô só reparando a sua ausência constante.

Estava tudo bem! O único errado ali, era eu!

Tudo o que acreditei e defendi severamente, o quanto falei para a minha filha sobre o poder das mulheres, que deveriam ser respeitadas, que o machismo era uma bosta, que o invisível era por nós. Sei não, deve estar tudo errado!

O tempo insiste em me mostrar isto: Errei!

Pois é! Devo estar em um sonho maluco e, por algum motivo inexplicável, tá uma zona da pixorra!

Seja lá quem estiver no comando, não parece muito preocupado com estas questões e valores: Decência, honestidade, bondade, fraternidade, empatia e Amor.

Não mesmo! Se é que existe algum comando. Você pode estar andando na sorte por aí. Fica esperto!

Acho que vacilei e estas regras todas que inventei para mim mesmo, de boa convivência e a favor da humanidade, são uma grande bobagem.

– É hora de dizer tchau?

Errei, tudo foi mesmo fruto da minha imaginação?

Se liga God, bora trabalhar. Se mexe, cara!

 

Anúncios