Disse Carlota, com seu típico olhar enojado:

– Tenho fé de que tudo vai ficar bem. Só não sei exatamente o que significa este adjetivo pra você: Bem?! Zoinho pra cima como de costume, quando se referia ao próximo.

Tanto tempo na estrada, lutando, tendo fé e batalhando pelo melhor e agora, aquilo?! Bah!

Apenas respondi em tom inconformado, mas desejoso de pular em seu pescoço:

– Quem sabe um bem sem igual, de andar feliz, cabeça erguida e mente despreocupada? Bem e tranquilo, apenas isto. Lindo assim!

Muito bem e tranquilo, sua peste! Pensei irritado com a mulher audaciosa. Coisa que ela nunca conseguirá ser, já que a predisposição pela maldade e a língua solta sempre fora arma afiada.

Torço que estejamos do lado oposto desta batalha e que se houver um alguém invisível por  mim, que me mantenha longe de lugar quente e suado ou gelado e escondido demais. Paz! Deve haver em algum lugar e em abundancia, com certeza. Ou deveria dizer… Tomara? Sei lá, apenas um homem irritado demais, mas fraco para brigas e ofensas. Só pensava em me livrar de tudo e partir para este tal Sonho Feliz que ela mesma pregava por aí, em sua sabedoria superior. Coisas de pessoas que “sabem um pouco mais da vida”.

Liberdade na mente e corpo disposto. Porque pra mim já basta, mesmo! Chega desta guerra. Não mais! Basta!

Arre, égua velha! Afasta e corre longe.

Se algo é por mim, permita-me ser livre dos desafios temerosos, dos feios de alma e daqueles que nos encurralam. Me tira do desespero, do canto perigoso, do abismo sombrio da montanha mais alta dos meus sonhos perturbados, que sempre surge desafiador e, lá de cima onde só Deus sobrevive, vejo os que vem debaixo, ao meu encalço.

Por outro lado, ainda hoje, vejam que engraçado, me peguei cantando.

Penso que, se canto, sou feliz de fato, por isso digo:

– Calma lá Seu Bento não atrapalhe o meu cantar. Pedi educadamente.

A vontade era a de gritar: – Seu Bento, bigodudo sem vergonha, deixe de ser jumento e vá ficando quietinho.

Dona Carlota, Dona Maldosa, não faça isso, não atice a burrice do bigode.

Chega disto, mulher de presença indesejável, fubanga intragável e acalme sua boca nervosa.

Somente o Seu Bento pra aguentar tamanha joça.

Só ele pra dar ouvidos aos porcos de palavras enraivecidas , de pensamentos atrapalhados e lotados de certezas errôneas.

Coisa ruim, escarrada no mundo pra deixar escorregar suas prosas ardilosas.

Me afaste desta e peço que vá soprar suas bobagens a quem tem tempo.

Penso que errado é errado, ponto contrário ao certo.

Estes não se cruzam, como imaginam a convivência da Luz com a Escuridão.

Não há meio tom, sempre serão os extremos da mesma lenga-lenga.

Se afasta de mim coisa errada e vá buscar outro cabra pra se deixar enganar.

Não sou meio termo, já que certo é certo e errado não me interessa.

Acaba aqui esta conversa e vá se lascar bem depressa pros lados do Pé Preto.

Esconda-se em sua própria sombra, mulher feia e desonesta.

Sigo tortinho no correto, não me queira lindão pro incerto, isto não vai acontecer.

Se me chama de apologizado, que venha por intermédio de outras pessoas, não de você. Seus elogios são veneno para os desatentos.

Não vendo a minha mente tranquila pra corno nenhum nesta vida.

Que mesmo sofrida e atrapalhada, é por mim e a meu favor.

Já dizia minha vó: – Sossego imediato compra uma eternidade de arrependimento.

Seu Bento que engula esta, que de incerteza em incerteza, corre desta para outras vidas a se desculpar.

Certo, ainda é certo e errado… que seja só pra você e o Seu Bento.

Sai fora!

Sai de retro.

E errado é errado, mesmo que pareça certo!

 

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