– Quem inventou estas histórias cheias de tortura, sofrimento e amargura?!

Me disse um rapaz que se prestara a ler uns livros que encontrara no porão de sua avó.

Ele, um jovem inocente que acabara de chegar de um país distante, por acaso, desconhecia completamente os costumes e culturas deste nosso mundo ocidental, por isso, tudo lhe pareceu estranho e confuso.

Aos poucos, revelou, descobrira algumas leituras que lhe causara estranheza.

Tá lá, se achar válido, leia os quatro posts que contarei sobre como se deu tudo isto em sua mente.

Aqui reescrevo fielmente as quatro cartas enviadas para mim que conta, através de seu olhar, a história de quatro figuras que chocaram sua percepção simples do mundo: Maria, José, Judas e Jesus.

A carta para Maria, foi assim:

“Parece que tudo o que se vê de ruim, apenas tem se arrastado por aí, pelos tempos.

A história que li é de comover qualquer coração nesta terra sem fim!

Um conto absurdo de uma família “mágica” que acumulou tristezas no decorrer de sua existência há mais de 2.000 anos.

Ela, tudo indica, era uma menina simples e inexperiente que engravidou sem sexo, assim… sem mais nem menos.

Uma bela noite, um ser vindo de lugar nenhum, invasivo e sem convites, materializou-se em seu quarto e decretou a gravidez da pobre menina.

Ela, uma garota comum, de pele morena, de beleza igual a qualquer outra, pura e apaixonada por seu noivo, guardava em seu coraçãozinho as expectativas e sonhos típicos de sua idade.

Um dia, simplesmente se viu diante de uma imposição, quiçá divina, de carregar um filho que só lhe daria sofrimento e angústia em tempos de maldade, crueldade e ódios terríveis, tal qual os dias atuais.

Coitadinha, diante daqueles momentos difíceis, cercada por um povo rústico, em grande parte tosco, se viu desamparada e submetida ao pavor de vivenciar sina terrível, destas coisas que não se deseja para ninguém, porque a dor é sem igual.

Ah, menina! Se pudesse lhe ajudaria e pediria para que fugisse daquele anjo apavorante, mensageiro de um arquiteto astuto, arrogante, todo divino e cheio de planos egoístas.

Lá está ela, garotinha cheia de medo e desespero lutando contra o impossível e improvável, sendo forte como podia diante de tamanho susto, desprezo e terror.

Nesta história emaranhada de controvérsias e improváveis acontecimentos, a menininha transmite resignação, resiliência e se concentra ao máximo em si mesma. Agarra-se em alguma crença, fé extraordinária e luta com todas as suas forças para que sua cria venha a vida, pois o divino, este danado, cruel e indiferente aos seus lamentos e choros sem fim, já tinha tudo sob “controle”.

Vejo os que se dizem orgulhosos e confiantes sobre os planos superiores, observo calado e intrigado aos que se alteram ao defender o filho da mulher, mas se esquecem da pobre menininha assustada e em nenhum momento lembram que sua importância e caminhada entristecida, jamais fora suave. Apenas dor, fugas, medos e pavores sem fim.

O que é uma vida diante da eternidade?! Porém, quem garante esta tal de eternidade? Afinal, os seguidores deste filho de um deus único, sabedores de todas as coisas, simplesmente esquecem de serem mais próximos e queridos com aquela que, naquele momento, em seu dia-a-dia de criança assustada e grávida de sabe-se lá o que, ainda corria o risco de ser apedrejada pelos “honrados religiosos” homens de deus de sua época!

Imagino o pavor ao pensar no que nasceria de dentro de seu ventre! Um Deus ou um Demônio?! Quem garantiria a saúde dela e de seu bebê?

A tristeza ao imaginar que poderia perder a pessoa amada, por uma traição que nunca acontecera.

Morrer era uma das ótimas escolhas para tudo aquilo. Situação péssima!

Uma provável história trágica, criada por homens machistas e ruins, sobre uma mulher incrível”.

 

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