Aquele dia era um dia especial, o dia de voltar para casa!
Hoje ele é um cara mais velho e lento, mas ainda de grande coração!
Saiu de sua casa sem grandes pretensões, na intenção de ajudar um amigo caminhoneiro com uma carga que não podia atrasar. Rumo a um país vizinho, quando ainda era muito jovem!
Foi de bom coração, logo depois que seu amigo reclamara da falta de ajuda, pois seu auxiliar havia adoecido. Foi assim que ele se ofereceu a ajudá-lo.
O caminhoneiro ficou muito feliz com a boa vontade dele e o rapaz, com seu jeito tranquilo e com um bom sorriso no rosto, disse estar mesmo sem um trocado para passar os dias que viriam e que, daquela maneira, um ajudaria o outro. Desta forma, colocou uma justificativa menos valorosa em sua atitude, o que não condizia com a verdade. Ele só entrou nessa, graças ao seu bom coração, pois apenas queria ajudar e nem sequer pensou em dinheiro. Boa vontade por impulso, ato gratuito… como sempre!
O jovem rapaz não reclamou do serviço puxado, nem da falta de conforto do trabalho e nem da viagem cansativa, como o verdadeiro dono daquele cargo costumava fazer, conforme deixou claro seu amigo, o caminhoneiro.
O Jota, apelido do rapaz desde sempre, estava empolgado e feliz em poder viajar por tantos lugares diferentes e conhecer várias pessoas novas.
Ele, além de ser, mesmo, uma boa pessoa, fez o trabalho com tamanha alegria, dedicação e empenho, que o caminhoneiro, ao contrario do que vinha acontecendo nos últimos meses, chegou adiantado em seu destino.

Aquele fato raro, de adiantar a entrega, deixou igualmente feliz o contratante, que ofereceu uma recompensa em dinheiro ao caminhoneiro como gratificação, que também resolveu fazer o mesmo pelo seu jovem e valoroso amigo, o Jota.
Ao saber da boa vontade do rapaz, da sua prestatividade e carisma, o contratante do caminhoneiro, um bem sucedido empresário, depois de poucas palavras com o Jota, percebeu sua Luz especial e, por isso, o convidou para se juntar a equipe dele, porque um de seus funcionários havia pedido demissão. Disse que o ex-funcionário não gostava de seu gerente, um senhor muito sério e competente, mas de poucas gentilezas, acabaram se estranhando e por fim, brigando.

O Jota, que estava sem grandes perspectivas, pois havia acabado de se formar, aceitou aquele desafio, mesmo porque, ele percebeu que poderia, mais uma vez, ser útil e como seu amigo caminhoneiro já estava com seu problema resolvido, abraçou com coragem e de peito aberto aquele novo desafio!

Sem criar grandes expectativas e sem se encher de ganância, apenas compareceu no outro dia para o seu novo trabalho e novamente o fez com a maior boa vontade possível!
Em pouco tempo, o Jota já se destacava pelo seu esforço e dedicação… recebendo assim, muitos méritos, respeito e a confiança de todos ao seu redor. Inclusive, o próprio gerente fechadão, que se tornou um grande amigo e confidente dele.
O rapaz, além de ser uma pessoa de bom coração, tinha inteligência e educação acima da média. Escalou honestamente todas as possibilidades de ascensão dentro da empresa, sem jamais mal tratar fornecedores, ou funcionários de menos prestígio, pois mesmo sendo exigente com a qualidade do trabalho de todos os envolvidos e dele mesmo, nunca perdeu o senso de humanidade. Sabia direcionar as pessoas para que elas dessem o máximo de si e caso algo saísse errado, ele se reportava aos seus superiores com o espírito de solucionar sem jamais se esconder, culpando, ou acusando alguém. Respeitava até mesmo aos que não mereciam, esta era sua postura diante do próximo, seu lema pessoal era: Estou carregando caminhões e trazendo soluções… e seguia feliz.
O carregar caminhões, era referência de como ele havia chegado ali, assim como ele imaginava que poderia melhorar a vida das pessoas… aquele “carregar caminhões” era uma referência da quantidade de gente que ele poderia ajudar em sua vida! Como se ele estivesse lotando caminhões de pessoas e as levando para um lugar melhor, para uma vida melhor.
Com seu carisma, prestatividade, inteligência e boa vontade, ele rapidamente estava no comando ao lado do dono da empresa, onde ajudou no crescimento e no faturamento. Como exemplo de vida, muitos dos funcionários se inspiravam em suas palavras e atitudes, o que colaborou ainda mais para a prosperidade da empresa.
Sua postura e, acima de tudo, sua boa vontade com as pessoas, foi se tornando conhecida por todos e sendo espalhada de boca em boca, criando dimensões que ele mesmo não esperava, já que não se sentia dando o melhor de si, porque acreditava que poderia ser ainda melhor.
Sua fama de bom homem e seu senso de justiça na busca de uma boa produção, atrelada a qualidade de vida dos funcionários foi aumentando, assim, Jota desenvolveu projetos de auxílio e apoio as famílias.

Em um primeiro momento, das famílias de funcionários da empresa, depois da comunidade ao redor e por fim, do próprio município onde se encontrava a empresa.
Jota não conseguia ficar apenas cuidando da empresa onde trabalhava, pois ele sentia dentro dele que poderia ajudar muito mais, foi assim que suas idéias revolucionárias foram apresentadas ao Estado e com o sucesso e em alguns anos foram sendo assimiladas e propagadas, até que todos daquele país se beneficiavam, sem saber, dos projetos eficientes de Jota. Todos baseados na Boa Vontade com o próximo.
Ele só não foi mais fantástico, pois encontrou barreiras levantadas pela própria burocracia e alguns políticos mal intencionados, mas mesmo com as dificuldades impostas, Jota obteve grandes apoios e uma parcela interessante de mudanças e realizações!
Hoje, depois de anos, desde de sua partida quando era apenas um menino, agora um pouco cansado, mas realizado, voltava para casa, pois acreditava que já tinha feito o que podia!
Ao chegar em sua cidade de origem, as pessoas daquela cidade, daquele bairro, da sua vila, nada sabiam dele.

Suas idéias haviam mudado o mundo, mas dentro de sua discrição e humildade, ele só não mudara o seu jeito simples e de eterna boa vontade, exatamente como seus pais o ensinara.
Ele estava no portão da casa de seus pais, preparado para entrar, quando viu um caminhão encostado do outro lado da rua e ao observar um pouco mais, percebeu que o motorista estava em dificuldades, já que trabalhava sozinho. Ele abordou o rapaz e descobriu que se tratava do filho daquele seu velho amigo caminhoneiro dos tempos de juventude. Com poucas trocas de palavras, Jota descobriu que o rapaz estava em dificuldades, pois seu auxiliar estava adoentado. Ele, sem hesitar, retirou sua blusa de tecido fino, recolheu as mangas da camisa e começou a ajudar o jovem caminhoneiro. Foi aí que um velho amigo de Jota o reconheceu e perguntou:
– Jota! Há quanto tempo?! Você desapareceu, o que tem feito da vida?
Jota, mais velho, de fios brancos no cabelo e uma barba rala toda branca em sua face, respondeu com seu velho sorriso, um pouco mais cansado, mas ainda de boa vontade:
– Carregando caminhões!!!

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