Ontem foi aniversário de uma das pessoas que mais admiro nesta vida, meu sogro – Sr. Francisco.

Pense num homem gente boa, tranquilo, bom papo, antenado, bom leitor e de raciocínio bom, pois é, lá está esta figura bacana!

Pra comemorar seu aniversário, as filhas fizeram uma festa muito legal com um tema bem interessante: Nordeste. Graças a origem do Sr. Francisco, que é da Paraíba. Comidinhas, música ao vivo e um varal com uns livrinhos de Cordel pendurados.

O meu sogro se emocionou muito e ficou bem feliz também com toda a produção.

“– Esta foi a festa mais linda que já fui! ” Confessou pra minha mulher e isto, nos fez muito felizes também.

No varal que falei, tinham muitos cordéis e um deles foi um versinho que criei para ele e que minhas cunhadas diagramaram, imprimiram e distribuiram a revistinha pela festa. Uma grande honra para mim!

Segue aí os versinhos que contam a história dele.

Nunca havia feito versinhos na minha vida, mas creio que não me saí tão mal.

Se liga aí:

O Sabido

Hoje, 70 anos passados,

Quem se lembra do menino de outrora?

Dias de luta em lugares isolados

Lá crescia o Sabido de agora.

 

No sertão esquecido do Nordeste

Crescia cabra da peste

Que desde cedo se diferenciava.

Destaque na leitura, porém, menor na fala!

 

Conhecido pela gagueira e o sorriso fácil

Pouca coisa o atormenta e incomoda.

De raciocínio bom e ágil

Transita pela vida, como o violeiro na moda

 

Em longa prosa, numa noite paulistana

Descobri mil histórias e sua grande proeza

Boas lembranças de quem não se engana:

Amante da pesca e da natureza.

 

Mas, não pense que tudo foi tranqüilo

Já de início viu a dor, o sofrimento e a tristeza

Com os irmãozinhos, tadinhos, morrendo sem motivo

De doença esquisita, das que traz a morte com certeza

 

O Sabido de nome Chico, tal qual o tio,

Foi garoto esperto, leitor dos bons, como ainda é o feitio

Trazia a atenção para si, na arte de contar histórias

Mal sabia, que mesmo sendo bom aluno, tudo iria mudar

Pois a lida teria que enfrentar em busca de glórias

 

Das terras distantes que costumava ler

Encontrou um mundo estranho, que iria lhe acolher

 

Trabalhou em empresa grande e pequena

Famoso por batalhar na labuta

Mesmo afeito ao jogo, ganhador de uma centena,

Tudo lhe era oportunidade e boa luta

 

Foi assim que veio a conhecer mulher especial

Onde o Amor se fez presente

E com ela criou família sem igual

De crianças igualmente inteligentes

 

Viveu feliz até aqui, em cidade distante e grandiosa

Temente a Deus, com seus passinhos errantes,

Tem declarada gratidão pela vida valorosa,

Consciente, fé na frente e sem medos apavorantes

 

Hoje aos 70, apenas agradece:

“– Não é pra qualquer um esta vida por completo!”

Sobre tudo o que mais lhe apetece,

A alegria da mulher, dos filhos e dos netos

 

 

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