Pois é! Vocês sabem que já escrevi muitas histórias por aqui, mas esta que publico agora é parte do capítulo de um livro que escrevi, em um passado não tão distante!kkk

Sim! Ela é mais uma história cheia de possibilidades, digamos, um tanto quanto fora dos padrões comuns. kkk

É a história de um rapaz que esteve envolvido, a vida inteira, entre visões e desafios.

As vezes, uma vida tranquila e cheia de Amor e em outros momentos, nem tanto.

Merece uma bela revisão (óbvio), principalmente agora que já se passaram alguns anos, porque a mente deu uma pequena desenvolvida e os erros se tornaram mais aparentes! (Graças a God!kkk)

Tá lá, parte do capítulo 5, de título: Intimado.

Aguardemos as revisões, entre outros muitos detalhes e, quem sabe, um dia acabo publicando, se liga aí:

Capítulo 5

Intimado

Era uma tarde preguiçosa e sem grandes planos, o carro que surgira repentinamente do outro lado da rua, parou a poucos centímetros de mim, espirrando uma poça de água da chuva, que havia caído torrencialmente no dia anterior.

Resmunguei para mim mesmo alguma coisa e até pensei em reclamar, me exaltar, contrariando a minha natureza habitual, um cara discreto e observador diante das pessoas e acontecimentos, mas quando vi a figura que descera do automóvel, apenas me resignei em fechar o rosto, encostar novamente no muro onde estava e continuar em meu silêncio profundo, exatamente como estava.

Antes de ver o motorista por inteiro, quando a porta do carro se abriu, um bloco de fumaça escapou de dentro do veículo e, só então, pude ver o sujeito que pilotava aquela “barca”.

Um “armário” tatuado, de vestimentas surradas, com olhos pequenos e avermelhados. No seu braço gigantesco, de quem sabe o que é carregar peso e socar um idiota, surgiu, graças a sua camisa sem mangas, um belo motivo pelo qual me fez abaixar a cabeça e desviar os olhos, mas mesmo de relance, podia-se ler em letras grandes, no estilo gótico, mas muito bem legíveis: Encrenca!

Ele parou ao lado de seu carrão antigo e tunado, logos ali… muito próximo de mim. Ergueu um charuto entre seus dedos lotados de anéis e muitos calos de quem treina uma porradaria, respirou fundo, pigarreou e, enquanto retirava o isqueiro do bolso de sua calça rasgada, fez uma pausa e senti que me encarou. Então, só então, o reacendeu, continuando com sua fábrica particular de fumaça. Em seguida, colocou seus óculos escuros, cobrindo seus olhos ameaçadores, ajeitou o chapéu de abas curtas e deu uma forte tragada.

Sabe quando você sabe que a coisa ficou ruim pro seu lado? Quando você sabe que está em um péssimo lugar, mas também tem consciência de que, se fizer um mínimo movimento, vai ser pior ainda? Eu estava exatamente nesta posição e daria tudo para alguém me chamar, ou para que qualquer coisa acontecesse e me retirasse daquela situação, mas eu não podia fazer nada… apenas aguardei o que o destino me reservava!

– No que você se apega? Começou um diálogo comigo, o monstrão de quase dois metros, o “Sr. Encrenca”, como o apelidara “carinhosamente” e mentalmente, nada de piadinhas e intimidades, não seria uma boa ideia.

Virei para ele, dos meus humildes 1,74 de altura e ciente da bobagem que estava fazendo, o encarei soltando um “desafiador”:

– Pois não?

Ele, talvez percebendo o meu medo… Não! O meu “cagaço”, esboçou um sorrizinho cínico, deixando à mostra seus dentes de ouro. Então, retirou o charuto da boca, deu uma cusparada no chão e aproximou-se ainda mais. Me encarando do alto de seus mais de dois metros e por cima de seus óculos e, vagarosamente, repetiu a frase com sua voz de gigante, como se falasse com um burro, um asno ignorante:

– No que você se apega?

Me senti a menor das criaturas, um menino chorão, perdido e incerto da resposta adequada, então respondi:

– Depende.. Qual é a situação?

– A pior possível! Afirmou, quase antes mesmo de eu terminar a minha frase, como se soubesse o que eu iria responder!

– Do que você está falando?

Então, ele colocou de novo o charuto na boca e depois de uma baforada desagradável, disse:

– É hora de mudar e você vai me ajudar!

– Mudar o que? Ajudar a você fazer o que?

– Fica esperto, moleque. Este foi apenas o seu primeiro sinal! Pegou o charuto da boca, quase na brasa, apagou no muro em que eu estava encostado e finalizou:

– Agora você já sabe. Você faz parte de uma equipe e quando eu voltar, apenas faça a sua parte.

Sem entender nada, perguntei confuso:

– Minha parte? O que eu tenho que fazer?

Ele me olhou com desprezo, abriu novamente a porta de seu automóvel e enquanto foi entrando, deu seu aviso final:

– O que eu mandar!

– Mas quem é você? Perguntei abismado diante daquela intimação.

Ele apontou para a traseira de seu carro, fechou a porta e foi embora, acelerando seu carro indescritível… escandalosamente.

Da escuridão do vidro traseiro de seu carro eu pude ler o adesivo carcomido:

God!

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