Eu entendo São Paulo, sou muito parecido e estamos no mesmo barco.

Não me refiro ao Santo, (apóstolo?) e aquelas coisas todas! Estou falando sobre a cidade! Conhece?! Pois é… essa aí!

Não falo sobre seu perfil físico, pois esta cidade forte e produtiva, dia e noite, tem um vigor que não lembra em nada as minhas muitas fraquezas.

Sinto um amor incrível por esta cidade e me entristece terrivelmente como a estão matando e como tem nos colocado como imbecis, nos reduzindo a pó de bosta!

Foi com este sentimento, que tive um sonho engraçado, conheci a alma de São Paulo e esta cidade incrível veio conversar comigo. Ali, eu entendi seu jeito de ser, sua característica, personalidade, seus pensamentos, medos, dificuldades e irritações. Senti o quanto estamos próximos um do outro nesta batalha que é a vida e a pressão que nos dão para nos atrasar, diminuir e nos tornar patéticos!

Naquele sonho, percebi que um personagem obscuro veio falar comigo. Era um ambiente igualmente escuro, por isso, não teria como dar muitos detalhes, apenas senti que sofria.

Se apresentou pelo apelido, Sampa! Graças a isso, não fui com sua cara logo de início, apenas por ter se apresentado com este apelido. Odeio esta abreviação do nome da minha cidade.

A figura queria desabafar e, sendo assim, resolveu beber comigo.

Batemos um papo aberto e sem travas. Estávamos ali em um momento descontraído e dispostos a despejar nossas dores, logo, a conversa fluiu.

Hoje, me sinto com propriedade para responder pela cidade. Entendi suas dores e aflições, acho que até me vi nela, como almas gêmeas.

Quer saber? Quer mesmo entender São Paulo? Então, olhe para mim e veja o que ela é e sente! Cheguei muito fundo em suas entranhas, a entendi e vi suas frustrações, tal qual a um humano.

Cheia de pessoas em seu dia-a-dia, todos na correria, planos e mais planos, mas ninguém tem tempo pra saber o que está acontecendo com ela, aquela distancia emocional, entristecida, magoada pelo descaso e desacreditada. Quem mais se aproveita é o que mais fala mal. Porém, também é sabido de que tem uns que a ama pra caramba, eu sei! Eu a amo.

Ódios e amores…. intensidade!

Conforme o pedido daquele ser incrível, aqui vai minha visão e uma declaração em nome de São Paulo:

Quem me conhece superficialmente, dizem que sou bom, me interesso e dou lucro.

Ingratos! Tudo o que precisam acham por aqui mas se pudessem estavam em outro lugar, com praia e papo furado. Coisa que tenho em abundancia, mas poucos sabem aproveitar. O quintal do vizinho é sempre mais florido? Parece que sim! Mas as oportunidades estão por aqui, pode crer!

CEOs, executivos, gerentes, subgerentes, trainees, trabalhadores de todas a áreas e interesses, artistas, músicos, vagabundos, todos estão aqui, sabem o que desejam quando correm pra cá procurando uma chance de crescer, ou garimpar sua parte das migalhas.

Usam, abusam, rolam, fingem de morto, depois cospem e vomitam bobagens por aí! Esquecem que sou seu melhor ganha pão!

O elogio sempre cai bem para os outros, mas não largam o osso na hora de sustentar seus luxos e tudo mais!

Minha cor predileta é o cinza, minhas tardes são enevoadas, com menos garoa do que num passado nem tão distante assim, um pôr do sol maravilhoso no horizonte por causa da poluição e as noites frias e já bem menores também, do que em tempos passados.

Meu estado de espírito é solitário, cansado, sarcástico, quase deprimido.

Falo mal de mim mesmo, mas se vier de você… foda-se, ninguém te perguntou nada!

Momento ruim, melhor nem falar, festejar ou procurar saber.

Feche a cara, mantenha-se em seu objetivo e cuide do seu nariz, esta é a melhor regra por aqui.

Coisa ruim é ficar assim, ainda mais sabendo do potencial. Tanto pra fazer, mas sinceramente, as vezes preferia o fim!

Ei! Me refiro àquele fim do dia, pois é bem mais interessante, mais amigo, mais sensual e sexual, porque é íntimo e tem nome estrangeiro: Happy Hour.

O dia-a-dia me malhou demais, sei que preciso descer deste pau velho rodeado de radares, pilantras, marginais e procurar um lugarzinho com soro na veia, com isolamento e silêncio.

Merda é sentir dó de si mesmo, quantas cervejas para estancar esta coisa toda?

Coitado de mim, pobre cidade milionária, o que estão fazendo comigo? Maldita má coordenação! Sou uma cidade querida e mereço ser mais bem tratada!

Esburacada, pichada, escorraçada, roubada, mal governada e entristecida? Nem pareço uma das maiores cidades da America Latina! Me sinto envergonhada e sem reação.

Imagine-se no meu lugar, tão lenta, ou melhor… forçada a ser lenta, tanto quanto desorientada, onde todos parecem desesperados dentro de você, como miseráveis à procura de uma luz. Mas, pelo amor de Deus, bem que podia não ser estes malditos flashs de radar e coisas amaldiçoadas do tipo! Me dá um tempo!

Agora é a nova onda: multar, fiscalizar, meter lei e esquecer de doar, investir, aperfeiçoar, embelezar, aprimorar… permitir e crescer!

Tenha piedade, senhores da lei e da ordem de mim, apenas uma poderosa cidade decadente, alguém me ajude com esta falta de interesse.

Me socorra, me reerga e deixem uma cidade menos fria, desumana e sem este cheiro de mijo!

Somente os monumentos imponentes e impotentes podem observar a degradação em nome de sabe-se lá o que? Ninguém consegue entender!

Não há amor em SP?! Sim, existe! Porém, é reservado, conquistado e, algumas vezes, apenas interesseiro.

Há um grito de socorro que não se conforma e nem confirma em minhas orgulhosas alamedas e ruas. Saiba captar! Apenas observe e verá!

Sigamos em frente e lembre-se de me ter como uma cidade querida novamente!

Socorro!

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