Era para ser um dia de pura solidão, foi assim que o programei, mais uma vez.

Todos saíram, arranjaram um compromisso, alguma atividade e partiram. Tudo bem! Bem legal! É isso aí mesmo! Tem que curtir a vida! Mas, espera lá… e eu?!

Olhei para o espelho e me vi. Um cara velhaco, desacostumado com a solidão, com o silêncio! Estranho!

Lembrei de uma adolescência barulhenta, rodeada de pessoas, atividades e festas. Agora, olha lá o tiozão solitário! Um belo dia de solidão! Solidão, solitário, só… sol!

É isso! Baita solzão arrebentando ali na janela! Baita solzão, mesmo!

– Peralá! Mó Domingão loko de manhã, com um solzão alucinante logo ali e eu jogado em uma solidão sem fim neste quarto escuro?! Quer saber? Rumo praia, já! Serei sozinho, mas na praia!

Fiz aquilo que há muito tempo não fazia: amarrei meu pranchão no carro, peguei minhas coisas de praia e fui, partiu, já era!!!

Desci a serra calmo, sem a pressa de outros tempos e até critiquei um moleque que passou rasgando por mim, como se eu tivesse alguma moral!!! kkk

Fui ouvindo músicas suaves, MPBs, respeitando e respeitoso das muitas regras da vida e do trânsito! Um senhor sério, tranquilo, atento e atencioso. Acredita?!

Uma solidão gostosa e introspectiva! Curtindo cada segundo da minha vida. Controlado e de temperamento pacífico. Um Lord das curvas e retas sem fim. Quem diria?! Pois é, as coisas mudam! Até que sou bem feliz assim, na calma!

Dando espaço, sendo ultrapassado sem tentar buscar ninguém, apenas aproveitando a estrada, o vento e as lindas melodias no meu velho Chevrolet.

Eu, meu carro e minha prancha! Que tempo era aquele?! Que paz foi esta que me dominou?! Uma conexão com o momento e com a vida.

Tanta gratidão e alegria, como nos velhos tempos!

Até bateu uma nostalgia, uma saudade incrível de pessoas que, mesmo distantes, envolvidas com outras histórias e alegrias, ainda moram no meu coração. E morarão para sempre, não importa o tempo que for, a idade que seja! Está tudo bem entre nós!

Giovani, Carlinhos, Simone, Airton, Karina, Alberto, Lígia, Isabela, Lucas, Chico, Yves, Ricardo Amarelo, Mandinho, Naldinho, Lobão, Espirro, Ricardinho, Caio, Alexandre, Roni, Wilson, Fabinho, Suellen, Fabio Andrade, Tânia, galera da Riviera, dos muitos amigos que nem nome tem, os que sorriem e festejam a vida dentro da água, milhares de amigos da minha terrinha natal… daqueles que, as vezes, mesmo sem grande intimidade, faço questão de cumprimentar ao encontrar por aí, de bobeira ou nas ruas desta cidade maluca que é São Paulo. Obrigado por vocês existirem!!! Mesmo!

Envelhecemos também, mas ali na água, com vocês, mesmo que minha remada esteja assim um tanto prejudicada, é uma honra tê-los conhecido! Bora cair pra dentro! Mesmo que seja um Retoside, uma marolinha sem vergonha, com vocês, ou sozinho, ainda vale a pena! Sempre valeu!

Sentia aquele vento da serra e sorria para o mundo, a vida prometia, como sempre!

Como já sabia, as ondas eram pequenas, assim como meu surfe. Ok! Na real meu surfe estava ainda menor, mas cada onda que pude pegar me trouxe toda a alegria que um garoto podia entender e querer! Tudo ali valia a pena! Tudo era vida!

O sol, a areia, o mar, as ondinhas, o milho verde, a água de côco, minha pranchona vermelha e eu! Combinação perfeita! Valeu!

Deitei na areia fadigado e saciado. Valeu!

O sol iluminando o mundo e a minha alma. Valeu mesmo!

Que tempo doido, que mundo delicioso… que maravilha!

Voltei pelas estradas com um estranho sorriso no rosto. Tudo estava bem e completo. Enchi o tanque da minha alma com aquela “vibe” perfeita.

Não tinha porque correr, nem me estressar, nem discutir nada com ninguém. O melhor dia da minha vida como todos aqueles outros dias de outros tempos passados.

Solitário?! Não! Existia uma energia que me rodeava e me indicava que a vida valia muito a pena! Estava tudo bem e em paz.

Aquele cara crítico e introspectivo, que sempre se pergunta o porquê de ver e conhecer pessoas, frequentar festas e coisas do tipo, como se eu não fizesse a menor falta em nada, resolveu dar uma trégua. Ali, tudo estava bem de novo. Sorri ao perceber que aquele moleque feliz e tranquilaço ainda estava vivo dentro de mim.

Cheguei em casa e todos já estavam lá. Me receberam felizes e me perguntaram onde eu estava o dia inteiro?

– Estava me procurando e achei vocês… todos vocês! Obrigado! 🙂

*Obrigado por terem passado na minha vida, amiguinhos! kkk

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