Fechei os olhos, abaixei a cabeça e respirei fundo!

Senti que algo estranho acontecia por ali, precisava parar, encostar e tentar não pirar.

O mundo estava acelerado demais e nada me animava como antes.

Será que a vida é assim mesmo, vai perdendo a graça conforme o tempo passa?

Escapa de nós a felicidade e o delicioso prazer da descoberta?

Primeiro, vai perdendo o paladar e aquele doce predileto mais parece uma borracha adocicada, sem graça nem sabor.

Você imagina imediatamente que talvez o confeiteiro tenha errado na receita e que amanhã vai ser melhor. Então, o amanhã chega e a decepção continua. Você não se conforma, mas crê que o coitado do confeiteiro deva estar tendo problemas com aquele doce.

A vida passa e uns dias depois, ao ir em outra padaria, percebe que aquele mesmo doce maravilhoso, o preferido da sua vida, de novo já não tem mais a mesma graça, pois novamente constata o quão sem sabor ele se tornou. Algo insosso e sem grandes atrativos.

Mais para frente, você por fim admite que o problema não é o doce, foi seu paladar que já não é mais o mesmo!

Das duas uma, ou você assume aquele sabor como sendo o novo gosto, ou começa a testar outras delícias que se encaixem melhor com seu novo paladar e exigências.

O mesmo acontece com músicas, cores e aromas. (Eu! Ainda amo mulheres, que isto fique claro aos trolls e sabichões que me observam! rsrsrs)

A vida tem prazo de validade, isso não é novidade, não mesmo.

É fácil entender a empolgação de uma criança, quando percebemos que o que ela entende e sente é muito mais intenso do que você consegue captar.

Se o doce perdeu a graça, procuramos um doce mais forte para ter prazer, mas quando a vida perdeu aquele brilho especial, o que procuramos? O que fazer para que ela tome um novo rumo, uma nova aspiração?

Neste sentido é fácil entender o porquê de algumas pessoas encontrarem o prazer em novas atitudes e posturas. Também é possível compreender aos que pararam e ficaram olhando da janela o tempo passar. O caminho colorido, saboroso e perfumado se perdeu para sempre.

Dizem que estou mais amoroso, mais tranquilo e observador. Eu sei que é verdade, mas confesso ainda não ter encontrado um novo rumo.

Estou meio congelado! Tentando entender estas minhas novas características.

Adoraria ter uma receita perfeita, mas não tenho! O que tenho são bons palpites… nada mais!

Hoje encontrei pessoas antigas e queridas, em várias situações diferentes. Paramos nosso tempo, comemos juntos e falamos sobre muitas coisas. Tipo encontros festivos, onde assuntos variados surgem e são discutidos superficialmente.

Estava com o espírito calmo, distraído e aberto a dar algumas opiniões.

Pois é, foi mesmo um belo encontro!

Depois de tantos anos, sabemos de nossas diferenças e até onde podemos chegar. Isto, misturado com comida e distração, se tornou um momento prazeroso de verdade.

Alegrias mínimas, rápidas e sem grandes conclusões!

Talvez, eu precise disto mesmo, nada muito profundo e obrigatório. Encontros rápidos, acidentais e distraídos.

A vida perde a cor, o sabor e o aroma, para que a gente não se engane e nem se distraia com nada, mas que alcance o prazer de observar e ouvir mais.

A verdade é das crianças, a luta dos jovens e para mim?

Ainda não sei, posso reencontrar o prazer ou apenas observar da janela.

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