Então, em uma noite estrelada, de brisa refrescante e iluminada pela lua cheia, um estrondo, seguido por uma claridade tremenda se fez presente, como se uma bomba gigantesca tivesse caído sobre a cidade, ou melhor, sobre o mundo inteiro.

Minha primeira reação, já que estava na sacada, foi correr para a minha sala e me jogar no chão, como se soubesse do calor e o impacto fulminante que iria sentir na sequência!

Ainda tive tempo de pensar em algumas pessoas queridas da minha vida, até que a ruidosa sensação explosiva da suposta bomba, aconteceu:

– BUUUUUUMMMMMMM!!!!!

Um arraso inexplicável! Um estrondo ensurdecedor e medonho que abraçou a minha vida, algo que se caracterizou para mim, como o meu fim!

Houve, de fato, uma certa tremedeira nas paredes e alicerces, mas não foi destruidor. Na real, foi até bem mais amena do que a que eu esperava, apesar de forte.

Toda a minha sala ficou iluminada, as cortinas voaram sala adentro e tudo se mexeu, remexeu e balançou, tal qual a musiquinha, mas nada se espatifou, ruiu e nem cedeu.

Logo após aquela explosão, que ainda ficou apitando por algum tempo em meus ouvidos, e ainda deitado no chão, pude ver minha casa iluminada por pequenos pontos de luz: laranjas, azuis e violetas, como se fossem vagalumes passeando vagarosamente.

O medo inicial se transformou em admiração e encantamento

Inexplicavelmente, tudo aquilo era bom, confortável e lindo!

Ajoelhei no tapete e me pus a observar aquele efeito de luzes maravilhosas, tal qual anjos que me cercavam e pareciam me analisar, me entender.

Naquele estado catatônico devido ao susto terrível, e apesar disto, em minha mente surgiu a palavra pureza, ou purificação!

A cada toque daquelas luzinhas em minha pele, parecia que me remetia a alguma nova experiência, algo como a um computador que se conecta a um pendrive. As luzes iam transferindo suas experiências e conhecimentos e, assim, ampliava os meus.

Muitas questões se tornavam, em segundos, surpreendentes, na sequência possíveis e então, logo em seguida, óbvias.

– Como nunca havia pensado naquilo antes?! Eram meus pensamentos em ebulição!

Questões humanas, políticas, estratégicas, sociais e muitas outras, explodindo em minha cabeça!

A solidão da alma era preenchida em sua totalidade, o amor universal absorvido e a aceitação imediata.

A consciência de tudo se tornou plena, como se o cérebro tivesse sido aberto, conectado com aquela presença e, ao mesmo tempo, preenchido comigo mesmo.

Sentia como se uma neblina tivesse sido arrancada de minha vida. Podia compreender melhor tudo o que me cercava, assim como todas as coisas do Planeta. Conectado era a nova palavra que surgia.

Toda doença, imbecilidade, demência, incapacidade e deficiência tinham sido abolidas. O não aceitar naquele momento, não era o mesmo não aceitar do antes. Ali, era como se uma peça que já não se encaixa, se tornava desnecessária, obsoleta e descartável.

Ao meu redor, nas imediações ao meu apartamento, apesar de não ter levantado do mesmo lugar! Não se ouvia pânico, nem gritarias, buzinas, escândalos e desesperos… nada. Me sentia em um isolamento abissal, como se todos estivessem igualmente absorvendo aquele novo estado de consciência, inteligência e de emoções… ou simplesmente sumido!

Algumas horas após a explosão, aconteceu uma cegueira absoluta, mas em nenhum momento senti pânico, apenas me calei e ouvi o sons que me chegavam de forma estranha, até então, nenhum parecido com os sons de minha convivência, mas muito aconchegantes e tranquilizadores.

Passei a sentir uma presenca próxima. Parecia estar acompanhado por alguma figura em minha casa o tempo todo.

Alguém calmo, de caráter forte, porém amável e disposto a esclarecer.

Uma vibração surgia de tempos em tempos e aquilo me assustava, mas aquela presença parecia entender, se aproximava e me acalmava.

Era como um pai ao seu filho em dias confusos. E quando esta mesma segurança e confiança eram percebidas em mim, ele se afastava novamente e tudo permanecia em um estado relaxado.

Houveram momentos em que me sentia como se estivesse flutuando em águas calmas, serenas e pacificadoras.

Sem que pedissem, ordenassem ou impusessem, apenas fiquei em total silêncio, recebendo uma avalanche de sentimentos nunca antes percebidos.

– Morri?!

– Não! Uma voz surgira distante, quase um cochichar, uma brisa do vento suave.

– O Mundo acabou?

– Também não! Está tudo bem.

Flutuei naquele mundo e deslizei em informações! Silêncio, paz, confiança e conhecimento!

Entendi aquilo como Deus! Em nada se parecia com as bobagens das religiões e suposições infinitas que, até então, costumava ouvir e que nunca me seduzira.

A Energia era boa e por isso chorei! Talvez meu último choro sentido! Uma lavagem, um deixar escorrer a sujeira da vida que vivera e todas as bobagens impostas, até ali. Um alívio total!

Um choro sentido, mas libertador! Saindo de mim o cara com responsabilidades excessivas, de doenças invasoras, de pensamentos desejosos e indesejáveis, de pressões incalculáveis, de clientes exigentes e impiedosos, de impostos, buracos na rua, radares maldosos, do ter o que não se precisa, de partidos de esquerda ou direita, de governos deficientes e contaminados pela ganância, de fiéis odiosos, trânsitos, trens, ônibus e Chevrolets velhos, novos e qualquer coisa que tirava a energia vital, o desejo de viver, a vontade de lutar, uma vontade honesta de criar, amar, doar, receber, conversar, conhecer e uma infinidade de coisas e atitudes sem sentido, em prol de uma sociedade dividida demais. Uns que tem muito e os de quase nada.

Tudo perdoado e esquecido!

– Siga em frente! Use sua capacidade total! Disse a voz distante que sumiu na corrente de vento, que vinha da porta ainda aberta da sacada.

Acordei pensativo.

Isso aqui é uma passagem maluca, #sabeláqualé.

Algo lá fora nos espera.

Ei, essa coisa que te impuseram é mesmo Deus! Um Deus da Terra, grande, respeitável e poderoso. Porém, percebo uma coisa girando por aí e é algo muito maior!

Universo?!

 

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