Punk

Se liga aí, acorda que vou te contar.

Tenho uma afinidade estranha com o ritmo e as músicas Punk.

Sim! Chame de gosto ruim mesmo, tudo bem!

– É um gosto estragado, sem noção, violento, péssimo, enfim.

Recebo “elogios” sem fim sobre meu gosto musical e confesso que entra em um ouvido e sai pelo outro.

Tem coisas que está na gente, faz parte do estilo da pessoa, bate mais forte na corrente sanguínea, não tem jeito!

Uns curtem Funk, outros tipos de Rock, Mpb, Valsa, Bolero e etc…

Eu?! Curto Punk!

Não! Eu não tenho um moicano, não ando com roupas rasgadas, coturno e cara de mau. Não faço esse tipo e nem sou agressivo… nada disso!

Até escuto outros ritmos e respeito o gosto alheio, desde que não seja a porra do Sertanejo e batidinhas de Funk (e coisas do gênero).

Aí, você diz: – Ah, tá! Ele não vê as minas do Funk! – Só se for sem som! :p

Respeito é uma coisa, mas não me peça o que eu não tenho, paciência pra sons deste nipe! Não mesmo!

Sou um cara comum!

Roupas comuns, carro comum e uma cara de tiozão pacato! Inclusive costumes e atitudes pacatas.

Se me apontarem uma faquinha de bolo Pullman eu fujo, ou entrego na hora… perdi playboy e aquelas bostas todas! :p

Deus me livre de ser costurado no SUS!

Meu sangue com aquela coisa crônica não admitiria este erro! Nem pensar.

Não quero mudar o mundo e, diga-se de passagem, não irei! Não tenho esta pretensão. Nem sequer penso nisto.

Eu não luto mais por uma causa transformadora e radical, percebi que não há luta que mereça tanta energia. A maioria delas são problemas de ordem governamental! Eu sozinho, ou com milhares de pessoas ao meu redor, sou só um cara sozinho com milhares de pessoas ao meu redor! Nada vai mudar! Eu não vou mudar! Eu não quero mudar nada! Aceito as muitas misérias humanas! Fazer o que?! Não tem como eu ir lutar armado e sozinho, ou fazer manifestação por coisa nenhuma.

Amanhã eu tenho que acordar cedo, o busão tem hora marcada e bato cartão as 7h. Haja o que houver!

Apenas busco um pouco mais de conforto, alegria e é isso aí. Vamos empurrando com a barriga. Nada mais!

Se fosse o governador do mundo? Seria um governador do mundo comum! Faria o que deve ser feito todos os dias! Sem milagres.

Se eu fosse o CapitãoAméricadasGaláxias, seria um bem comum. Um belo e covarde CapitãoAméricadasGaláxias, pois sou brasileiro… e brasileiro não desiste nunca?! Bobagem! Eu desisto sim! Eu desisto e já desisti milhares de vezes. E se vacilar, amanhã desistirei de algo, se não desistir agorinha mesmo.

E como é ser um cara que desiste?! Assim, vire as costas e vaza. Fui! Fim! Acabou.

– Então quer dizer que você se acovarda e desiste? Me diz a consciência inconformada, enojada e com as mãos na cintura… ameaçadoramente!

– Opa! Respondo calmo e sem nem abrir os olhos, aqui da minha rede sagrada e conhecedora de minhas muitas desistências.

Entenda de uma vez, sou homem comum, mesmo!

Imagine que se eu fosse o seu #votocerto na eleição. Seria um eleito comum e que faria as merdas que um eleito comum faz. Iria trabalhar, votaria sem grande estardalhaço e alarde em alguns projetos comuns e a favor da onda que iria me favorecer também. Depois, eu iria para minha casa, comeria uma pizza, ou requentaria o que tivesse na geladeira e, na sequencia, iria dormir. Sem muito “auê”. Sem blá, blá, blá!

No outro dia faria a mesma coisa, seguindo o protocolo e sob reações frias! Nada demais.

Se tivesse que entrar para o MST, seria um destes que levanta a placa sem muita convicção, apenas iria a passeata, andaria milhares de quilômetros conforme o combinado, gritaria algumas palavras de ordem decoradas e depois voltaria para a minha barraca, sem muito assunto e nem emoção. Apenas o combinado.

Enfim, um homem comum.

Nunca seria o líder, isto não me interessa. Pega outro pra mártir, já dizia o Raul!!! Tá certo!

Nunca levaria os Ets invasores aos meus possíveis líderes, pois não os conheço. Nem sequer sei o nome de alguns destes, só sei que uma é mulher e o outro é daqui da região de São Paulo, Geraldo qualquercoisa.

Apenas apontaria a direção de Brasília e depois iria para casa comer e dormir. Se o mundo fosse acabar de verdade, já no dia seguinte, gritaria um pouco graças ao susto daquele fogaréu todo, depois morreria com um raio laser bem no meio da testa e… fim!

Uma morte comum!

Bem comum mesmo, o coadjuvante do filme de fraca bilheteria.

Um péssimo coadjuvante, daqueles filmes bem ruins.

O coadjuvante barato que olha para a câmera antes de uma queda mal interpretada.

Não sei se você entendeu a palavra comum, pois é assim que a entendo junto à mim.

Comum pra porra!

Porém, um cara comum que ama música punk. Destas que aparentam trilha sonora de filme B, de propaganda de Nescau, trilha sonora fraca e infantil! Pois é! É isto mesmo.

Esta melodia repetida, de três notas, um vocal desafinado e uma total falta de compromisso.

Esta bosta representa um cara comum. Esta é a minha trilha sonora.

Esboço um sorriso lerdo e idiotizado com este tipo de som, é a trilha sonora das minhas muitas tentativas de subir na escala da humanidade e de me fuder no final! Lindamente! Como todo filme tosco deve ser. O filme da vida de um brasileiro.

Luto, ganho e perco ao som de uma música fraca e sem sentido, que amo e é imbecil.

Me transfere pra um tempo bom, livre, suave e sem estes milhares de assuntos de gente grande.

Me afasta de políticos de bosta, números assustadores, expectativas de resultados e os cacete…  “¡Que se vayan todos!”

Um som péssimo e que me deixa feliz!

Ué! Não é o que você busca na sua vida, a tal da felicidade?!

Então, eu a encontrei ali, no Punk.

Sou feliz deste jeito.

Você é feliz? Não? Então, escute um Punk e seja.

 

• Pro meu mlk ficar feliz também, com vocês, senhoras e senhores: Green Day.

 

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