Estou em um momento de grandes viagens na maionese. Graças a isso, e ao meu caráter observador, não consegui desviar meus pensamentos mais profundos, quando me deparei em mais uma daquelas situações rotineiras e que até poderia chamar de comum, ou de dia a dia, mas por ter me despertado um bocado de pensamentos interessantes, bateu um desejo compartilhar com você, caro amiguinho! :p

Estava em uma esquina destas da vida, para ser preciso, naquele Centro Comercial de Alphaville, quem conhece sabe que esquina ali é mato!

Pois é! Estava lá no aguardo de uma reunião com mais um Cliente em uma daquelas esquinas, (e Cliente eu escrevo assim mesmo, com letra maiúscula e em destaque, pois cada centavo é suado e a cada novo trabalho, coloco meus joelhinhos no chão e canto um mantra em nome de God!rsrs) quando um grupo de executivos passaram por mim, em divertido e distraído diálogo.

Fiquei olhando aquelas pessoas, alegres, concentradas em suas vidas e conversas, foi então que percebi que um deles me fitou, acenou a cabeça e em seguida continuou seu rumo.

Sabe?! Aquele olhar sem pretensão me fez imaginar, ou perceber, que eu era apenas um cara qualquer naquela esquina.

No universo daquele grupo eu não representava nada. Ninguém! Apenas um cara aí!

Apenas um coadjuvante qualquer, que ocupava alguns poucos milésimos de segundos na história daquele pessoal, especificamente do jovem trabalhador que, diferente do restante daquele grupo, me percebera.

Um alguém que não significava nada em especial. Entende isso?! Não te parece bem louco?

Aquele pessoal, que desconheço totalmente, os coadjuvantes da minha história, são em seus mundos e realidades os atores principais daquela realidade: a visão do planeta, os milhares de sons, sabores e objetivos do Universo. E eu?! Apenas um cara aí!

Eles não sabem da minha imensidão, das minhas descobertas e decepções.

Nunca souberam das minhas vitórias e derrotas e muito menos da minha luta diária. E que, naquele momento específico, eu estava acabando de abrir um novo Cliente, um novo job, uma nova história.

O engraçado é que quando aquele jovem executivo me observou, tive uma estranha sensação de ter me visto através de seus olhos.

Eu era o tiozão de casaco grosso e cor clara, calça jeans e um sapatênis qualquer, retribuindo o olhar e acenando de volta amigavelmente.

Ele não sabia que de alguma maneira tinha visto através de seus olhos e vi meus cabelos balançando com o vento frio que passou naquele exato momento, meus óculos ligeiramente caídos, e até me lembrei de um amigo rindo das minhas caras de vovôzinho que costumo fazer ao utilizar meus óculos abaixo das vistas e próximos à ponta do nariz, mãos no bolso, pernas juntas e atento, com os olhos naqueles que eram os meus verdadeiros olhos. Só que por pouquíssimos segundos eu era o executivo com sua turma e o “eu de agora”, apenas um cara aí! Uma pessoa qualquer.

Senti que voltara ao meu eu e, sem me alterar,  acenei com a cabeça, ao responder o sorriso amistoso e a atenção do rapaz desconhecido. Coisa que tenho até uma certa dúvida se ele notou, ou se aquilo foi apenas uma realidade minha.

Meu sócio, que aguardava comigo o novo Cliente chegar por ali, riu de volta também ao rapaz. Depois, me retornou indagando se o conhecia.

–Não! Mas pelo rápido contato, percebe-se ser uma boa pessoa.

Como não é nada raro as pessoas me cumprimentarem pelas ruas deste mundo afora, ele sorriu da minha observação e continuamos nossa espera de sempre, com a certeza e o otimismo de mais um job garantido.

 

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