Um dia desses aí, fui a um estádio para ver um Show de Rock! Era um desses grandes e em que as bandas apresentadas no palco eram consideradas SuperMega Bandas de Rock, mesmo!

Me diverti pra caramba, pois tudo ali era uma mistura maluca de sons, ritmos, fumaças, bebidas, malucos e minas no barato. Sim, uma molecada bagunceira da pixorra, mas que em nada me incomodava, muito pelo contrário, afinal eu também era um daqueles jovens cheios de alegria, doidinho e com uma enorme vontade de viver.

Ok! Já sei… como assim? Você, jovem?!

Talvez eu tenha me esquecido de dizer que, “esses dias aí” foi lá no comecinho da década de 90!kkk

Eu sei, não sou tão maluco assim, o que para mim foi há pouco tempo, talvez você considere como uns bons e belos anos passados!!! kkk

Talvez, muito provavelmente, alguns que, por ventura vier a ler este texto, nem sequer existiam, ou eram apenas uns bebês sob a confortável tutela de suas mães queridas que os embalava na base do “Nana Nenê”!!!

Tudo bem, não se envergonhe disto, acho que, pensando bem, sua posição era muito mais confortável e mais invejável do que a minha, diante do meu momento presente! Pode crer! Acho até que trocaria… tô tão precisado de um colinho!kkkk

Eu já havia participado de muitos shows e literalmente “zoado o barraco” em milhares de oportunidades! Ou seja, não era o primeiro show da minha vida. Aquela era uma época maluca para mim, de muitas atitudes doidas e experiências cheias de aventura.

Foi aí que, no meio daquele show grandioso e “arregaçante”, me deparei com um pensamento estranho e completamente fora de propósito. O mundo que me rodeava parecia ter parado, ou reduzido consideravelmente sua velocidade, enquanto eu observava um cabeludo ensandecido ao meu lado que, talvez possuído pela euforia do momento ou por alguma entidade (vai saber?), pulava, cantava, esperneava, caia e levantava, em movimentos desconexos e extravagantes, ao acompanhar o som daquela banda empolgada e explosiva, dando o melhor som possível aos seus fãs!

Eu podia estar igualmente pulante e cheio de energia, mas aquela figura agitada me pareceu tão esquisita e enraivecida, que ao invés de me entusiasmar, surtiu um efeito inesperado… o da observação!

Naquela época eu não era um jovem senhor como se vê por aí, tranquilo, pacato e até mesmo inofensivo! Não mesmo! Tinha força, ignorância, cara feia, cabelo comprido, um gosto pelo skate e andava por aí largadão. Nada do que se apresentava por ali tinha a capacidade de me chocar, não mesmo!

Talvez pelo efeito do calor, da multidão se empurrando e o excesso de fumaças que rodeavam o ambiente, que me fizeram travar na cena esquisita do cabeludo.

Apenas observando e analisando aquela maluquice toda!

Você talvez esteja imaginando que eu estivesse olhando o doidão ali por vários motivos, mas duvido que saiba a real.

Enquanto tudo parecia estar estranhamente parado, me imaginei voando alguns poucos metros de altura e de lá do alto conseguia ver todos que, assim como o convulsionado colega, se jogavam, tremiam e dançavam alegremente com aquela agradável sensação libertadora do: Como se ninguém pudesse vê-lo!

Se por um lado era alegria pura, por outro era engraçado… pra cacete!kkk

Na minha viagem mental, acabei por desaparecer com todos os que estavam naquele estádio, inclusive retirando o som, as luzes e efeitos estroboscópios que nos rodeava, para que assim apenas a figura cabeluda ficasse ali, naquela cena solitária, exagerada e maluca. Um cara tendo um piripaque no meio do estádio vazio! kkk

Depois daquele dia, nunca mais fui o mesmo! Sempre que vou a um show de rock, me imagino sozinho, pulando, gritando, me contorcendo no meio do nada!!!

Só um otário no estádio vazio tendo um treco!!!kkk

Conclusão?!

Acho que aquela fumaça não era neblina! :p

 

 

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