Ontem fiz uma carta pra Deus, uma tentativa de me comunicar… uma esperança.

Escrevi tudo o que estava errado e o que gostaria que desse certo. Fechei os olhos, rezei uma prece simples, uma das únicas que ainda sei e depois a queimei na vela acesa bem na minha frente.

Sabe, até chorei. Achei a coisa toda muito emocionante demais e chorei mesmo.

Não eram pedidos pra Papai Noel, nem era uma carta que merecesse grande relevância, já que minha vida simples não comporta uma história especial e nem é diferenciada de outros tantos que se arrastam por aqui.

Este tipo de carta a gente não fala pra ninguém, é algo bem pessoal, eu sei, por isso, hoje com a luz do sol e a necessidade de ir em frente, quase a achei bem chinfrim.

Deus! Pois é! Ontem eu conversei um tempão com Ele, mas não sei se Ele me ouviu… é difícil saber, bem complicado mesmo.

Conversar com Deus é uma coisa meio esquisita, parece até uma conversa de maluco. A gente ali, espremidinho num canto da cabeça tentando de todas as formas achar alguém pra prosear… estranho, né?!

A reza é uma coisa estranha pra caramba, por isso que os religiosos se destacam na multidão, eles não tem vergonha de parecerem malucos.

Dizem que Deus tá lá dentro da cabeça da gente, bem lá no meio dos miolinho e por isso que Ele sabe de tudo da gente, das nossas necessidades.

Tentei achar de todas as formas, me encolhi, me concentrei, joguei os zóio virado pra dentro, parecia um fantasma na luz da minha velinha, mas não foi daquela vez. Num foi não.

Sou homem formado, quase um velho e já vi muita coisa nessa vida, mas Deus ainda não apareceu por aqui, num saltou pra fora dos meus pensamentos. Devo tá fazendo alguma coisa errada, ou Ele ainda não sentiu firmeza nas minhas necessidades. Será que tô aparentando um vagabundo pidão?! Por isso num se sentiu à vontade de saltar aqui pra fora e ter um minutinho de prosa?!

Uma conversinha rápida onde eu pudesse me livrar de tanta dúvida, medo, desconhecimento e me encher de verdades direto Dele? Vai saber? Acho que não é bem assim.

Lembrei de milhares de coisinhas na hora de minhas preces, fome, pobreza, violência, estupidez, preconceito, racismo e um monte destes temas do dia a dia. Enfim, como já tinha dito, nada de perguntas extravagantes… coisa da vida.

Acho que agora é aguardar. Vai saber?!

Parei, controlei a respiração e  fiz um silêncio extra aqui, para tentar ouvir alguma voz, um sussurrinho, mas não deu! Não rolou.

É isso, se eu tiver novidade da cartinha, eu aviso. Porém, por enquanto é isso mesmo.

Simbora tocar a vida.

 

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