– Triste, triste, triste demais!!!

– Calma! Sussurrou baixinho nos ouvidos de sua amada – acordar assim tão entristecida, pode afastar as coisas boas que você ainda não viu, não sentiu e não viveu.

– É errado se sentir assim? Perguntou com seus olhos brilhantes e vermelhos de tristeza – Querer tanto e tanto? Querer realizar alguns sonhos. Sonhos de criar e criar e colocar em prática e ver funcionar. Realizar?!!!

Havia no ar a dor de quem nunca pôde colocar em prática as coisas malucas que sempre sonhou. Aquele desejo que tortura por ser grande demais!

A caneta entre os dedos, parada, seca de tanto escrever. Escrever para quem? Um martírio. Para ninguém!!! Por nada… pra que?

– Sairei daqui sem ter feito e sem concluir? Por que?

Ele queria ter a resposta correta, aquela que a fizesse feliz de novo, mas nada poderia melhorar ou mudar a realidade daquele momento.

Ele sabia que aquela tristeza de sua amada tinha um motivo. Era mais uma incrível e intensa criatividade bloqueada por um país que não ajudava e massacrava, desde sempre.

– Porque… você é brasileira! Tentou rir da piadinha infame e inapropriada, mas em seguida se desculpou.

– Relaxa, descanse e vá respirar outras coisas, ideias e pessoas.

– Talvez ninguém nunca queira saber das coisas que você tem a mostrar, talvez você saia sem terminar nada do que começou e nem chegue perto de realizar seus sonhos. Porém, mesmo assim, eu sei pra que… com certeza!

Fechou o caderninho de anotações, muitas e muitas anotações criativas e inovadoras, e finalizou:

– Pra que você se ache novamente e, quando se achar, encontrará todo o sentido que talvez em nada se pareça com as certezas absolutas de hoje.

Ela, apesar do incômodo e saber que aquelas palavras nunca a convenceria, se resignou, enxugou as lágrimas, engoliu suas frustrações… e seguiu em frente.

Apenas isto!

 

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