Acorda lenta e preguiçosamente naquela bela manhã.

Observa calmamente uma luz morna e dourada que surge na fresta de sua janela há tanto tempo fechada!

Sua dor, daquelas que se sente por tanto tempo e que mais parece  fazer parte de sua vida, assim como um braço, uma perna, um órgão de seu corpo, agora… simplesmente sumira!

Intrigado e seduzido por aquela luz, assim como um mosquito atraído pela luminária, levanta de sua cama aconchegante e acolhedora que jazia há tanto tempo, para conferí-la de perto!

Sabe instintivamente a alegria que o aguarda , mas por um segundo receia fazê-lo. Ainda velho e inseguro… observa seu quarto, as fotos sobre a estante, o armário carcomido, a porta que separa seu esconderijo dos demais aposentos e… hesita!

Não! Ele não é mais a solução e o alicerce dos que frequentam aquela casinha humilde. Naquele momento ele é, mesmo, o que mais pesa! Porém, também é o que se sente mais encantado e agradecido.

Amor por todos… indiscriminadamente!

Aquela palavra, Amor, tem um significado descomunal naquele momento, como nunca sentira em sua vida!

As pessoas, os lugares, os afazeres e os animais! As derrotas e vitórias… tudo parece ter um valor especial!

Olha para si mesmo e agradece… tudo havia valido a pena!

Se despede pela última vez com o olhar carregado de emoção e gratidão. Sem esperar mais nada de ninguém, nem de nada, prossegue seu caminho em direção à janela… à sua janela… para sempre!

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